sexta-feira, 18 de abril de 2014

RIO DE JANEIRO VIROU ESTADO ULTRACONSERVADOR?


Por Alexandre Figueiredo

Analisando as mídias sociais e comunidades diversas sobre cultura, mobilidade urbana, rádio, televisão e futebol, uma constatação pode vir à tona: o Rio de Janeiro está virando um Estado muito conservador.

É no Rio de Janeiro que há uma quantidade expressiva e preocupante de internautas que se contenta com o "estabelecido", tem uma defesa apaixonada e até intransigente da mediocridade sócio-cultural, e reage muitas vezes de forma agressiva e até violenta contra quem discorda de seus pontos de vista "pragmáticos".

O Rio de Janeiro sofre com uma política que estabeleceu relações promíscuas com a contravenção, nos anos 80, e o paramilitarismo, nos últimos anos, e tem uma mídia que segue uma orientação ainda mais conservadora que a de São Paulo, já bastante conservador.

São Paulo, porém, pelo menos possui um público expressivo de forças progressistas e uma opinião pública mais questionadora, já que pessoas assim são minoria no Rio de Janeiro. São Paulo tem seus "urubólogos", mas lá é sede do primeiro grupo de mídia progressista organizado, o Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Já no Rio de Janeiro o conservadorismo que contagia até um público "roqueiro", adepto da Rádio Cidade, se expressa de tal forma que é capaz de deixar até Carlos Lacerda de queixo caído, se ele vivo fosse, lá pelos seus 100 anos de idade. Ou que deixaria até Lobão, o roqueiro vertido à direita mais convicta e reaça, mais perplexo.

O reacionarismo também faz o fã-clube de Ali Kamel, Merval Pereira e Jair Bolsonaro e até mesmo no sistema de ônibus já surgiu busólogo de extrema-direita, defendendo o fardamento das empresas de ônibus (pintura padronizada) e apoiando Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho em tudo que eles decidiam sem qualquer consulta à população.

Mas há também os chamados "futebosteiros", fanáticos intolerantes de futebol, que chegam a fazer bullying contra quem não aprecia o esporte e ainda reclama das gritarias que os torcedores fazem durante as partidas esportivas, mesmo as realizadas à noite. E há os fanáticos do Jornal Nacional, Caldeirão do Huck, Domingão do Faustão, Globo Esporte e até do Big Brother Brasil.

Na Internet, a trolagem, sobretudo de cariocas, chegou ao ponto de fazer ameaças de morte e de estupro, além de comentários violentamente zombeteiros, à deputada federal Jandira Feghali, do PC do B fluminense, porque ela entrou em ação na Procuradoria-Geral da República pedindo a suspensão de verbas do Governo Federal para o SBT Brasil apresentado por Rachel Sheherazade.

Apesar de ser uma nordestina radicada em São Paulo, Rachel havia feito um comentário defendendo a violência de justiceiros contra um menor pobre acusado de pequenos roubos. Embora seja um comentáiro bastante reacionário e impopular, ele atrai uma série de adeptos marcados por um moralismo doentio.

Os reacionários do Rio de Janeiro podem não ser, rigorosamente, uma ampla maioria, mas a quantidade deles preocupa, variando da mobilidade pública à cultura pop-rock, passando pela bregalização cultural, pelo jornalismo sensacionalista e outros aspectos, geralmente defendendo o "estabelecido" pela política, pela mídia ou pela indústria do entretenimento.

E o "funk"? Sim, ele também tem seus reacionários. O próprio "funk" é reacionário, apesar de insistir em trabalhar uma imagem contrária. O "funk" impede o povo pobre de desenvolver uma cultura mais forte, proibindo jovens de aprender um violão, compor melodias e defender valores sociais mais edificantes, deixa o povo pobre refém de sua própria pobreza.

Preocupa esse reacionarismo no Rio de Janeiro, com pessoas que preferem defender interesses político-econômicos por trás de fórmulas "estabelecidas". E que chegam a fazer ameaças, difundir ofensas na Internet entre tantas outras coisas. Um pessoal que defende o atraso, mesmo travestido de falsas novidades do rádio e TV, e que não aceita discordâncias.

Eles nem pensam no progresso. Pensam no tal "sucesso econômico", que os faz defender a mediocridade mais rasteira, reagindo furiosamente a quem discordar de suas crenças e projetos. Assim, o Rio de Janeiro, Estado litorâneo no Brasil, como a Califórnia nos EUA, ameaça ser um Estado tão ultraconservador como o também estadunidense Alabama.

Pena. O Rio de Janeiro, Estado lindo de sua gente admirável, corre o risco de ser corrompido por causa de umas turmas de reacionários intolerantes. O Rio de Janeiro periga virar o "Calibama", misto de Califórnia com Alabama. A não ser que possamos agir a tempo de desmascarar os reaças.

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