sábado, 5 de abril de 2014

LOS ANGELES TIMES FAZ CRÍTICAS AO "FUNK"


Por Alexandre Figueiredo

Depois do abraço dos barões da grande mídia, não bastasse a até agora não abordada estrutura empresarial do "funk", o ritmo ganhou as páginas do Los Angeles Times numa reportagem que destoa do tom elogioso que a revista Veja - a mesma que "criminaliza" os movimentos sociais - deu ao gênero.

Embora a reportagem adote uma postura aparentemente neutra sobre o "funk ostentação", que é seu foco, ela admite que o gênero é bastante rejeitado, desde as classes mais altas até os movimentos sociais de esquerda, que veem no gênero uma apologia a valores sociais distorcidos.

Mesmo a declaração de MC Guimê, seu principal astro, soa discutível. Entre um povo rico e feliz e um povo pobre e triste, ele diz preferir ser rico e feliz, sem dar muitos detalhes a respeito. Guimê, que é de Osasco, admite que nunca passou fome na vida, por ter tido vários empregos antes e disse que no entanto nunca teve na vida mais do que o mínimo necessário para viver.

Guimê admite que a sociedade é capitalista, que sua música deve falar mesmo de companhias que dominam o mercado de consumo e que admite que, mesmo sendo ligado à favela, possui bens de consumo, como carros.

As críticas no entanto vem justamente desse fascínio ao consumismo que o "funk ostentação" simboliza. Apesar da blindagem intelectual (não creditada na reportagem), há movimentos sociais que reprovam o "funk ostentação" pelo fato de que ele nada acrescenta à problemática da pobreza no Brasil.

O sociólogo Laurindo Leal Filho, citado na reportagem e um dos mais destacados críticos do poder midiático no Brasil, vê no "funk ostentação" uma combinação de aumento do poder de consumo e alienação cultural.

Ele descreve que o povo das periferias aumentou de tal forma o poder de consumo que é capaz de comprar de xampus até passagens de avião. Mas ele lamenta que esse crescimento não tenha sido acompanhado de uma política que permita aos pobres em ascensão sócio-econômica uma postura mais crítica em relação ao consumismo.

Embora a reportagem termine com uma frase de MC Guimê querendo provar o "valor" do "funk ostentação", o texto não investe na postura apologista que se vê na mídia brasileira, o que já é um diferencial em relação à blindagem intelectual que o "funk" se cerca aqui no Brasil.

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