quarta-feira, 30 de abril de 2014

"FUNK", FIFA E A ESQUERDA DOMESTICADA QUE A DIREITA GOSTA


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade "bacaninha" se prepara para a Copa. Seus elogios ao "País do Futebol", dos queridinhos da intelligentzia, Emicida e MC Guimê, fazendo a trilha sonora daquela visão de "periferia dos sonhos" que os intelectuais "mais legais do país", porque só eles detém o microfone aberto da visibilidade fácil, tanto querem.

Nada de enchente nas favelas. Nada de gente pobre fazendo passeatas. Nada de protestos contra a morte do dançarino DG, na sua condição de cidadão, morto misteriosamente numa área praticamente sitiada pelo crime, em plena Copacabana. Mas tudo do sensacionalismo funqueiro que se apropria do falecimento de DG e o transforma num revolucionário que ele nunca foi.

Tudo de Copa do Mundo. De "funk" seja o da ostentação, seja o do beijinho no ombro, convertido a "música bem brasileira" para atrair turistas cheios de dólares, embora se prevê que eles sejam bem poucos para transformar o país do futebol na maior potência do primeiro mundo, até porque a China já colocou seu trem-bala na frente, apesar de seus pesares.

O "funk" agora está em clima de Copa. País do futebol, gol de Neymar e sorrisos dos "cartolas" da FIFA e da CBF. Só não se deve espalhar esse terceiro aspecto porque a intelligentzia corre de medo e seus adeptos partem para a choradeira. O "popular", mesmo caricato, não pode ser desmascarado sob pena de estragar a festa dos "bacanas".

De resto, a intelectualidade da esquerda domesticada, dos seus porta-vozes pró-brega, vindos dos porões da Folha de São Paulo, do Estadão, da Rede Globo e do próprio PSDB, para anunciar o pseudo-socialismo em forma de "funk" e jogar a culpa toda em Milton Nascimento e Wilson Simonal.

Sim, a intelligentzia agora quer separar Milton Nascimento do círculo social de Chico Buarque. Isolar o compositor de "A Banda" e seus pares bossanovistas num calabouço fechado, pelo simples pecado de servir a MPB de boas melodias. O que interessa agora é "funk", ritmo que agora se acha dono do samba, do baião, da Bossa Nova, de tudo.

O "funk" é servido pela intelectualidade "bacana" como o projeto revolucionário que supostamente assusta a direita, mas deixa ela tranquilinha. Grande teatro de Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo e afins, eles que simbolizam a "esquerda" que a direita tanto adora.

Pois essa "esquerda" quer nos fazer convencer que com "funk" o Brasil poderá desenvolver o progresso social num remexer de glúteos, desenvolvendo a "autoesculhambação" popular que intelectuais supostamente progressistas pregam com entusiasmo, para depois passarem seus microfones para a "consciência social" de Sheherazades e Constantinos.

Sim, porque intelectuais supostamente progressistas, que acreditam no progresso social do "beijinho no ombro" e da "dança da bundinha", deixam as forças progressistas no ridículo. Tentam empastelar as causas sociais achando que glúteos siliconados vão resolver a crise cultural do país, com toda a culpa agora jogada indevidamente para Chico Buarque e seus consortes.

A ORDEM É SER AMERICANIZADO MESMO. NADA MAIS "TRANSBRASILEIRO" QUE ISSO

Enquanto isso, o que tiver de MPB autêntica que esteja obediente aos mecanismos da indústria cultural, que aceite o "funk", que dance com Valesca Popozuda e MC Guimê seus sucessos, que inclua a "poesia" de Emicida que faz rap brasileiro ao gosto de seu financiador George Soros, e a cultura de verdade que seja jogada para museus e mansões.

No "funk", a ordem agora é ser americanizado. Camiseta com a estátua da liberdade. Consumo de grandes marcas, sobretudo estrangeiras. Mais consumo, menos cidadania. E o Brasil dos intelectuais "bacanas" só deve ser o "verdadeiro Brasil" que pode ser tudo, seja italiano, norte-americano, mexicano ou espanhol, só não pode ser brasileiro.

O "funk" agora é o "samba". O samba é que não pode ser samba. Sambas autênticos agora viraram "Zona Sul", nada mais do "Rio Zona Norte" que dizia que o povo pobre era o samba, natural do Rio de Janeiro, representado por Zé Kéti. Sambas do morro agora só são privilégio de gente do Leblon, a mesma acusada de trair o samba com arranjos jazzificados.

E toda essa avacalhação "cultural" serve para intelectuais etnocêntricos e "bacaninhas" seduzirem as esquerdas. Pedro Sanches comanda o coreto, acreditando numa gororobização cultural, numa mistura confusa, e tenta nos fazer crer que isso é "socialismo cultural".

Mas esse empastelamento ideológico tem um propósito. Deixa-se as esquerdas e as forças progressistas acreditarem num "Brasil mais brega" - que na verdade nada tem a ver com progresso sócio-cultural - para depois abrir caminho para uma réplica mais "conscientizada" nas vozes elitistas de Rachel Sheherazade e Rodrigo Constantino.

O objetivo dos farofafeiros é esse mesmo. Corrompe-se o discurso esquerdista, com toda a defesa da bregalização através, sobretudo, do "funk", acreditando numa "mistura" sem pé e nem cabeça, enquanto deixa a tese de progresso sócio-cultural como letra morta para os discursos inflamados da direita intelectual.

Mas tudo isso não cria oposições. Afinal MC Guimê está no Farofafá, mas está na mesma Veja de Lobão, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Rodrigo Constantino. Valesca Popozuda está na Rede Globo dos "urubus da mídia" do professor Antônio Kubitschek. Emicida aparece até em Caras. Mr. Catra é amigo de Luciano Huck que é amigo de Aécio Neves. Que oposição é essa, afinal?

Daí que os liberais da bregalização sócio-cultural e os conservadores do pseudo-iluminismo obscurantista se revezam em discursos que seus respectivos partidários julgam "progressistas". No fundo uns e outros, farofafeiros e urubólogos falam a mesma língua do desvio do verdadeiro debate político, social, econômico e cultural, num país que precisa se reformular.

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