terça-feira, 22 de abril de 2014

"FUNK" E A ADESÃO DE CELEBRIDADES... COM CACHÊ


Por Alexandre Figueiredo

O "funk" é cultura de pobre? Claro que não. Sabemos que tal constatação faz a intelectualidade "bacana" choramingar de tristeza, nos acusando de "preconceituosos", "moralistas", nos situando em patrulhas elitistas de 1910, atribuindo a nós como fósseis de uma campanha discriminatória do começo do século passado, como resíduos aristocráticos do Segundo Império etc.

No entanto, é o que realmente acontece. O "funk" construiu todo um aparente consenso de boa parte da opinião pública porque seus empresários são bastante ricos, possuem um habilidoso esquema de marketing e, espertos, passaram a depender menos do jabaculê radiofônico e mais de outras formas de aliciamento, que envolvem até acadêmicos e celebridades.

No último fim de semana, o portal Ego noticiou um "baile funk" para as elites - promovido pela Favorita e realizado na Zona Sul carioca - , reunindo atores e atrizes em boa parte solteiros, em evidência nas colunas sociais e em processo de ascensão na carreira profissional.

E os empresários de "funk", como os de "sertanejo", "pagode romântico" e axé-music, estabelecem até acordos comerciais engenhosos para atrair a adesão de celebridades, mediante cachês e compromissos contratuais.

Claro, a ideia é passar uma imagem, geralmente falsa, de que o ator ou atriz de novela, na maioria das vezes emergentes ou em ascensão na carreira, estão se "divertindo" em "bailes funk", como em micaretas, vaquejadas e outros eventos. São atores geralmente formadores de opinião e de gosto do público juvenil, daí a escolha deles para tais eventos.

E como é que se dão esses compromissos contratuais? Simples. A escolha de atores em ascensão, geralmente sem experiência como protagonistas em novelas e com visibilidade mediana para os padrões de estrelas do horário nobre da TV Globo, é estratégica para os empresários do entretenimento brega-popularesco, que fazem até ameaças se o ator ou atriz não aderir ao esquema.

Por isso, para o ator tal virar garoto-propaganda de uma grande rede de cursos de inglês e figurar no primeiro time do elenco da nova novela das nove, ele terá que ir para o Carnaval baiano abraçado a Bell Marques ou cantando o sucesso do Psirico, Parangolé ou o que vier. E, no Rio, deverá ir a um "baile funk" e fazer comentários "sociológicos" em favor do ritmo.

A atriz, então, precisa dançar, se rebolar, se esbaldar, se ela quiser ser atriz de primeira grandeza. Se é trio elétrico, palco "sertanejo", "baile funk" ou o que vier, terá que aderir, se quiser estrear um bom papel no horário nobre e até fazer comerciais de marcas de cosméticos, entre outros produtos bastante conhecidos e consumidos.

Caso atores e atrizes emergentes não aceitem esses eventos "culturais", eles simplesmente perdem todo o direito a papéis importantes e campanhas publicitárias, e os executivos de TV estão autorizados pelos empresários do entretenimento brega de promover tais atores e atrizes como "pessoas difíceis" e dificultar até a migração deles da Globo para a Record, por exemplo.

O mercado é esse mesmo, e Samara Felippo, uma das atrizes que estava no "baile funk" da Favorita, já havia revelado, mesmo sem querer, esse esquema de ir a tais eventos mediante cachê. O telespectador incauto pensa que está vendo grandes admiradores do "funk" e outros ritmos popularescos, adere e não imagina que tudo não passa de uma armação profissional.

O show business tem dessas coisas. O problema é que nem a mídia progressista denuncia em larga escala. Eles só falam quando atores e atrizes se engajam contra projetos tipo transposição do Rio São Francisco ou a Hidrelétrica de Belo Monte. Aí revelam casos de cachês e tudo o mais. Mas se são os "bailes funk", micaretas e vaquejadas, é um silêncio sorridente. Triste postura.

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