sábado, 8 de março de 2014

VISANDO TURISMO HOTELEIRO, IBGE INSISTE NO MITO DO "BRASIL MULHER"


Por Alexandre Figueiredo

Não faltam homens no Brasil. Muito menos na Bahia. Mas a estranha campanha do "aumento" da diferença da quantidade de mulheres em relação a homens, que agora tende a exageros estatísticos cada vez mais tendenciosos, segue a agenda do mercado hoteleiro e dos métodos que o IBGE ainda mantém desde a ditadura militar.

Reportagem divulgada meses atrás no jornal Correio, de Salvador, mais precisamente no dia 30 de agosto passado, supõe que a capital baiana terá até 2030 uma diferença de 461 mil mulheres em relação ao número de homens na população estadual. Um dado estatístico surreal, feito ainda mais para estimular a fantasia de homens, num mercado turístico ainda machista e "sensualizante".

Enquanto isso, 2013, o mesmo ano da reportagem, mostra que muitas mulheres morreram no Brasil por diversos motivos, que vão de latrocínio a choques causados em acidentes durante tratamentos de beleza.

A mortalidade de mulheres, também observada em violências conjugais e erros médicos, em acidentes de trânsito e até em chacinas em bairros populares, é uma realidade que estatisticamente anda subestimada. E pior quando sabe-se que todas essas mulheres ainda estavam vivas durante os trabalhos do Censo de 2010 do IBGE.

ENQUANTO IBGE, MÍDIA E HOTÉIS COMEMORAM A HIPÓTESE DE "HAVER MAIS MULHER NO BRASIL", OS NOTICIÁRIOS MOSTRAM QUE ESTÃO MORRENDO MAIS MULHERES NO PAÍS, COMO O DA MENINA GLEICE, DO RIO DE JANEIRO. 

Enquanto o IBGE, a grande mídia e a indústria hoteleira comemoram que "haverá mais mulher no Brasil", os noticiários mostram que cada vez mais mulheres morrem nas diversas causas e não são poucas as que morrem prematuramente. Como no caso da jovem Francisca Gleiciane, a Gleice, encontrada morta aos 18 anos na Rocinha, área pobre da Zona Sul carioca.

No entanto, o grande contingente de homens pobres que os recenseadores ignoram, principalmente moradores de ruas, favelados ou mesmo criminosos - que proíbem as visitas do Censo em suas áreas - torna-se uma ficção nos dados registrados pelo IBGE.

Homens que saem de áreas rurais controladas pelo latifúndio e pela pistolagem para viverem a miséria nas grandes cidades simplesmente não são sequer números estatísticos. Só aparecem quando são cadáveres computados pelas estatísticas policiais, e isso quando elas podem ser divulgadas na imprensa.

Em maioria negros e muito pobres, eles representariam o aumento do ônus social da União, se fossem registrados nos dados estatísticos. Sem escola, sem trabalho, eles nem sequer são números estatísticos, são gente batalhadora à sua maneira, mas sem oportunidades na vida e vivendo praticamente como ninguém.

ELIPSE

O grande problema também é a interpretação do termo "está faltando homem" tão conhecido nas reportagens sobre a suposta maioria feminina. Na verdade, o termo mostra uma analogia expressa em "elipse", recurso gramatical em que se ocultam detalhes numa expressão de palavras para tornar o contexto mais sutil.

Assim, se, por exemplo, alguém fala "eu não bebo", não é porque a pessoa não bebe algum tipo de líquido, mas é uma elipse que significa "eu não bebo álcool". O termo "álcool" está subentendido no contexto, não precisando ser citado no contexto para não soar ofensivo aos amigos.

Da mesma forma, o termo "está faltando homem" não quer dizer que os homens sejam realmente raros. A verdade é que os homens existem, e são muitos, eles apenas não aparecem nas boates e festas pelo simples fato que precisam dormir cedo para mais uma jornada de trabalho.

Imagine um homem que mora no subúrbio, bem longe, e tem que pegar um transporte para ir ao local de trabalho distante de suas casas. Ou então um outro homem que precisa dormir cedo porque de manhãzinha ainda terá que comparecer ao seu estabelecimento ou repartição para trabalhar. Ou então aquele que trabalha nas manhãs dos fins de semana e feriados!

Será que eles precisam estar nas boates, para dizer que existem? Já existe até homem demais nas boemias, mas elas ocorrem até por volta de 22 horas. A "mulherada" que frequenta boates e agitos noturnos é que fica cheia de pose e é muito fácil para elas posarem de "sofredoras", porque levam vantagem fácil nessa mentira toda.

Afinal, quem for um bom observador é só notar que, nas festas noturnas, essas mulheres levam geralmente uma média de três assédios sexuais de noite. Elas dão o fora. Pode ser um homem galântico e educado, cada uma dessas mulheres diz "Não, obrigado, não estou a fim, e pronto".

Depois, essas mulheres com medo dos homens reclamam que os homens é que tem medo delas. Criam todo um jogo de cena nas mídias sociais, fazem toda a choradeira e se autopromovem com esse "teatro" todo.

FANTASIA VENDE MAIS

Enquanto isso, o mercado hoteleiro e turístico, que embora não defenda abertamente casos explícitos de exploração sexual, admite uma parcela de objetivos sexuais para atrair o público masculino que está no exterior ou em outras cidades brasileiras.

Daí o mito do "Brasil mulher", da "Bahia mulher", enquanto milhares e milhares de homens mostram sua presença maciça em ônibus lotados, sobretudo nos subúrbios de Salvador, no vai e vem do trabalho ou da tentativa de arrumar algum emprego, por mais precário que seja.

Só que o mito do "Brasil mulher" favorece mais os valores machistas que ainda persistem na Bahia e no Brasil. Usa a sensualidade feminina como mercadoria, e dá a falsa impressão de valorizar o feminismo e as conquistas femininas. Mas só falsa impressão.

Enquanto isso, o mito não resolve, por exemplo, a questão de muitas mulheres mortas pela violência, pelos erros médicos e outros problemas. Como não resolve a cidadania não-reconhecida de grandes contingentes de homens pobres, que nem números estatísticos são.

Além disso, soa bastante exagerada a "previsão" das "461 mil mulheres" a mais. É fantasia demais para uma realidade nem sempre tão deslumbrante. Seria melhor que o IBGE revisasse seus conceitos e critérios, porque ainda adota procedimentos da ditadura militar para calcular os dados estatísticos.

Faria muito mais sentido falar em 461 mil homens a mais na Bahia, ou semelhante número no Brasil. A realidade é cruel, mas é a fantasia que vende mais, que rende muito mais dinheiro.

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