domingo, 30 de março de 2014

RACHEL SHEHERAZADE E SBT PODEM RESPONDER CRIMINALMENTE POR INCITAÇÃO À VIOLÊNCIA


Por Alexandre Figueiredo

A Procuradoria Geral da República aceitou na última quinta-feira (27) a representação feita pela deputada federal Jandira Feghali (PC do B - RJ) contra a jornalista e apresentadora do SBT Brasil, Rachel Sheherazade.

A representação pede para que Rachel seja investigada, alegando que a âncora do SBT fez comentários que indicam incitação à violência por fazer apologia à tortura e ao linchamento. O comentário, feito há um mês, causou repercussão negativa até em setores conservadores da sociedade, em que pese o apoio que Rachel tem recebido de seus adeptos.

O comentário foi feito no dia 04, em relação à prisão e tortura de um adolescente acusado de fazer pequenos roubos. O jovem foi preso e amarrado, nu, a um poste no Aterro do Flamengo, amarrado pelo pescoço, enquanto era espancado por um grupo de "justiceiros". Só foi liberado depois que chegaram os bombeiros que foram chamados por uma moradora.

Misturando ironia e raiva, Rachel parecia satisfeita com a punição ao jovem bandido. Depois, comparando o rapaz com as "travessuras" de Justin Bieber, Rachel fez comentários mais condescendentes com o astro pop.

Quanto ao comentário sobre o jovem pobre, Rachel disse nos seguintes termos alarmistas dignos de uma Sarah Palin, a líder do reacionário Tea Party, nos EUA:

"O marginalzinho amarrado ao poste era tão inocente que, ao invés de prestar queixa contra seus agressores, preferiu fugir antes que ele mesmo acabasse preso. É que a ficha do sujeito está mais suja do que pau de galinheiro.

No país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, que arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível. O Estado é omisso, a polícia é desmoralizada, a Justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem que, ainda por cima, foi desarmado? Se defender, é claro.

O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite. E, aos defensores dos Direitos Humanos, que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido".

Ainda em fevereiro, outro deputado federal, Ivan Valente (PSOL - SP), entrou com uma representação no Ministério Público Federal uma representação contra Rachel e o SBT, com um objetivo semelhante ao da representação movida por Jandira. Para Ivan, o direito de liberdade de imprensa não pode ser usado como pretexto para mandar fazer "justiça com as próprias mãos".

Jandira também propôs à Secretaria de Comunicação da Presidência da República que determine a suspensão de repasse de verbas oficiais ao SBT durante a investigação da Procuradoria. Em outras palavras, isso significa o corte na veiculação de propaganda governamental na emissora. Jandira também propôs que seja avaliada a concessão do SBT, de propriedade do apresentador Sílvio Santos.

Caso Rachel seja condenada, ela terá que cumprir de três a seis meses de detenção ou pagar uma multa. Rachel, no entanto, declarou não ter se arrependido dos comentários feitos e disse que as representações são uma forma de "intimidar" seu "direito de opinião". Seus adeptos também alegam que os dois recursos no Judiciário são uma forma de censurar a apresentadora.

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