terça-feira, 18 de março de 2014

GRANDE MÍDIA TENTA DAR A FALSA IMPRESSÃO DE QUE SER BREGA É SER CRIATIVO


Por Alexandre Figueiredo

No último Carnaval, os barões da mídia tentam, através de seus porta-vozes, tentam dar a falsa impressão de que a bregalização cultural garante maior liberdade e maior criatividade para seu público.

Misturam-se ironias, caricaturas, expressões do grotesco e do piegas, e essa "saudável mistura" e sua "admirável confusão" se configura numa "cultura transbrasileira", dita "hiperconectada", "moderna" e "sintonizada com o futuro e com a extensão de nosso mundo".

Só que esse discurso, trabalhado com muita insistência pela intelectualidade "bacaninha", tem muito mais a ver com os princípios de "livre mercado" do que de diversidade cultural. O "livre mercado" dos brasileiros serem tudo o que querem ser, desde que não sejam eles próprios.

Pouco adianta o verniz progressista. Afinal, que diferença faz Pedro Alexandre Sanches sonhar com as ruas de Belém do Pará transformadas em arremedos de Nova York, e Rodrigo Constantino sonhar com as periferias de São Paulo parecendo roças bucólicas da Áustria? É tudo "transbrasileiro", uai!

Que criatividade tem um jovem juntar um amontoado de coisas que lhe vêm à mente, produzindo apenas uma colcha de retalhos que nada acrescenta à nossa cultura? São as mesmas irreverências, as mesmas misturas, tudo é um mesmo ecletismo que chega a não ser mais eclético nem diversificado, mas uma mesmice eclética que, mesmo assim, é mesmice do mesmo jeito.

Qual a diferença entre Felipe Cordeiro e seu Kitsch Pop Cult com Vivendo do Ócio, Banda Uó e Gang do Eletro? Todos com quartos desarrumados, misturando discos de vinil, rodas de bicicleta, revistas de quadrinhos, revistas de sacanagem, pôsteres de desenhos animados, e um vestuário confuso que mistura bermudas de surfista com velhos paletós comprados em brechós, ou saias muito mal combinadas com tênis All Star de canos longos.

Tudo é apenas uma questão de overdose de informação, um problema que não é discutido no Brasil. Milton Santos até tentou contestá-lo, mas ele morreu sem ser devidamente ouvido, sequer pela intelectualidade. Já Noam Chomsky e Umberto Eco continuam questionando lá fora, mas isso não reflete por aqui.

Por isso overdose de informação aqui é visto como algo maravilhoso, nessa "cultura transbrasileira" que mais parece um misto de Disneylândia com McLanche Feliz. Tudo "transbrasileiro". Todos podem ser tudo, só estão proibidos de serem eles mesmos, porque aí fica "menos provocativo". Essa é a regra do Brasilzinho bregalizado.

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