terça-feira, 4 de março de 2014

EUA VERSUS RÚSSIA: O ATIVISMO DE SOFÁ E A PERDIÇÃO DA UCRÂNIA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Não há maniqueísmos. A situação da Ucrânia (país conhecido por ser a terra natal de muitas celebridades, de Clarice Lispector a Mila Kunis), antiga nação da União Soviética, se encontra bastante delicada, enquanto Rússia e EUA disputam seu poder de influência no país. Com conflitos sangrentos, o país luta pela sua soberania, dentro de uma séria crise política, social e institucional.

EUA versus Rússia: O ativismo de sofá e a perdição da Ucrânia

Por Raphael Tsavkko Garcia - Blog do Tsavkko - The Angry Brazilian

Algo que começa a encher o saco é gente que não entende NADA do que acontece na Ucrânia  querer dar aula ou lição. Pior ainda é quando querem impor uma dicotomia que nos lembra os anos 60, de "imperialismo malvado" dos EUA versus "bom comunismo" da Rússia, levando em conta que Putin é nada além de fascista;

Não, o inimigo do meu inimigo não é meu amigo. 

A Rússia tão somente age na Ucrânia para manter sua área de influência e acima de tudo sua importantíssima base militar na Criméia. E, claro, tenta evitar que a Ucrânia entre para a área de influência da UE/EUA, ou ao menos parte dela. 

Nada além de jogo de interesses. Realpolitik de potências.

Relembrem o papel da Rússia na Chechênia e no resto do Cáucaso. Se temos um imenso crescimento do fundamentalismo por lá dê graças às políticas russas contra o separatismo local que era originalmente laico e foi se radicalizando à medida que era reprimido e após duas guerras. Mas para defender o "nacionalismo" dentro do seio de nações inimigas a Rússia é uma mãe, vide Abkhazia e Ossétia do Sul. A Geórgia se aproximou do "ocidente", logo, teve de ser castigada.

O mesmo está acontecendo na Ucrânia. Se aproximam do ocidente, logo, é castigada.

É lógico que os EUA e a UE tem interesse e mesmo podem financiar/apoiar alguns grupos revoltosos, mas não nos esqueçamos, este é o argumento de muitos petistas para atacar os protestos nas ruas do Brasil. Argumentos que viraram capa de jornais, aliás. Não acreditem em tudo que lhes chega pelo jornal.

Forçar a escolha entre o imperialismo americano e o imperialismo russo é uma estupidez inominável. 

Os EUA são o câncer do mundo, assim como a China o é para os países que vivem em sua órbita ou a Rússia o é para os países em mesma situação. Experimentem defender a Rússia na região Báltica. Ou a China no Tibete, em Taiwan... Não há "Estado bonzinho", há realpolitik e estratégia.

Em tempo, não há sequer consenso sobre o papel e importância de grupos fascistas entre aqueles que derrubaram o governo. 

Sobre o papel da extrema-direita nos protestos, recomendo a leitura deste post do Global Voices.

Em tempo 2: Você pode sim "escolher" a Rússia e, do seu sofá, achar que é o melhor pra Ucrânia - assim como pode fazer o mesmo escolhendo os EUA -, pois no fim quem vai sofrer é a Ucrânia, não quem está na frente do computador fazendo as vezes de oráculo da revolução. Se você NÃO entender do assunto, não parou um segundo para ler e entender, só pensa com o fígado ou vive nos anos 60 da Guerra Fria, melhor ficar calado.

Mas, se escolher um lado, esteja preparado para depois defender as consequências. A luta das esquerdas não deve ser contra um imperialismo para que outro assuma e sim contra todas as formas de imperialismo.

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