sexta-feira, 14 de março de 2014

CASO MICHAEL SULLIVAN DEVERIA SER O PIOR ESCÂNDALO DA MÚSICA BRASILEIRA

O "BOM MOÇO" MICHAEL SULLIVAN.

Por Alexandre Figueiredo

Veio à tona um fato que poderia render um dos piores escândalos da música brasileira, a derrubar todo um mercado marcado pelo jabaculê, pelo investimento pesado a cantores e músicos medíocres em detrimento dos verdadeiros artistas da MPB, postos à margem do grande público.

O esquema de jabaculê comandado por Michael Sullivan nos anos 80, denunciado por um revoltado Alceu Valença, é um episódio pior do que os escândalos recentes envolvendo o ECAD e a ex-ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e o escândalo do Procure Saber e sua campanha contra as biografias não-oficiais.

O episódio envolvendo Michael Sullivan é muito sério e não merece o silêncio e a condescendência vistos na maioria dos apreciadores de MPB. Infelizmente, Michael Sullivan hoje trabalha a imagem de "bom moço", às custas de um disco-tributo que ele mesmo armou para relançá-lo no mercado, num aparato "emepebista" que engana muita gente.

Afinal, Michael Sullivan quis destruir a MPB, nos anos 80, aliciando artistas para integrarem o esquema de jabaculê, sacrificando seus estilos em prol do sucesso fácil e condenando artistas mais sofisticados e criativos para o ostracismo. É exatamente este o esquema denunciado por Alceu Valença, embora ele não tenha citado nomes.

É só voltar ao tempo e ver quem comandava a RCA em 1987. Miguel Plopschi era o diretor-artístico, Michael Sullivan seu principal produtor e compositor. Ambos eram colegas de banda do tempo dos Fevers, grupo de Jovem Guarda, quando Sullivan era conhecido como Ivanilton.

O esquema denunciado por Alceu Valença consistia em enfraquecer os grandes artistas de MPB, submetendo a fórmulas comerciais, até colocá-los no ostracismo e, em contrapartida, fortalecer e proteger os ídolos bregas emergentes.

E, se antes Michael Sullivan queria destruir a MPB, sob a proteção das Organizações Globo, hoje ele tenta comprar o apoio de parte da MPB contemporânea, através de um tendencioso disco-tributo, intitulado Mais Forte Que o Tempo, para armar sua volta ao mercado, agora com a pose de "coitadinho" e a intenção de parecer o "bom moço da MPB", ou então o "Tom Jobim dos bregas".

Vale denunciar o esquema jabazeiro, que, ao lado da farra de concessões de rádio e TV de José Sarney e Antônio Carlos Magalhães, formatou toda uma suposta "cultura popular" que, independente de boa ou má-fé, é glorificada por intelectuais e seus simpatizantes, uns de maneira cínica e outros da forma mais ingênua possível.

Portanto, é um quadro que não requer relativismos. Perder o preconceito não é passar a aceitar tudo, sobretudo o que há de pior, mas avaliar e questionar as coisas. E mesmo episódios como o ECAD e o Procure Saber, que revelam posturas supostamente "elitistas" da MPB autêntica, só foi possível porque Michael Sullivan, sob as bênçãos de Roberto Marinho, quis jogar a MPB para escanteio.

Graças a ele, temos uma cultura pseudo-popular patrocinada por barões da mídia e latifundiários. Pouco importam os documentários, reportagens e monografias que "sociologizam" demais os "sucessos do povão", eles só seriam possível por causa do poder midiático, e não por uma suposta "vontade popular" que, desde a ditadura, sempre se adequou a interesses oligárquicos e coronelistas.

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