domingo, 2 de março de 2014

CARNAVAL DE RUA ADERE AO LOBBY DO "FUNK CARIOCA"


Por Alexandre Figueiredo

O "funk" quer acabar com o samba e atingir a supremacia no mercado musical do Rio de Janeiro. Tal constatação é ridicularizada por muitos intelectuais "bacanas", que acham a acusação "infundada", até porque, para eles, o "funk" é "vítima" das mesmas patrulhas moralistas de 1910 (?!) que condenaram o samba.

De onde voltaram essas "patrulhas", talvez de algum arredor do cemitério do Caju ou de Botafogo, feito zumbis assombrando a Cidade Maravilhosa e, talvez, o resto do país, é um grande mistério. Mas o que se sabe é que o "funk", na verdade, está muito longe dessa imagem mitológica de "vítima de preconceito".

Pelo contrário, seu lobby fortíssimo atingiu até mesmo a revista Veja - sim, aquela que condena de forma violenta os movimentos sociais - , não bastasse o "beijinho no ombro" que as Organizações Globo e o Grupo Folha sempre deram, com o mais aberto entusiasmo, aos funqueiros.

Agora, tem até vinheta falando do "histórico" do "funk carioca", transmitido nos intervalos da Rede Globo, com um narrador "bem simpático" dizendo, em off, um texto didático sobre o ritmo "que conquistou o país e o mundo".

Mas o que se observa é que o mercadão do "funk" e de seus riquíssimos empresários e DJs - com dinheiro suficiente para subornar de programadores de rádio a acadêmicos de pós-graduação - já quer estabelecer, se não o monopólio (que pega mal para sua retórica de "diversidade cultural"), a supremacia do ritmo até mesmo nos carnavais de rua, sobretudo em bairros distantes do Centro.

É o que se observa em muitas festas do gênero. Muitos desfiles de blocos começam com a "obrigação" de zelar pela tradição carnavalesca, tocando de sambas enredo a marchinhas de carnaval. No entanto, "cumprido" o desfile, a festa termina sempre com "funk" sendo tocado em altíssimo volume.

O "funk" nada tem a ver com cultura popular de verdade, nem com arte nem com ativismo social e muito menos com expressão cultural das classes pobres. Tanto que tem um lobby que destoa completamente de qualquer ritmo musical associado às populações pobres.

Dotado de um rígido purismo estético - só agora o "funk" liberou pequenos instrumentos musicais como pandeiro e gaita, como numa versão com letra mudada para "Morena Tropicana", de Alceu Valença - , o ritmo carioca na verdade tornou-se um engenhoso sucesso de marketing.

A campanha publicitária estava implícita em discursos pseudo-ativistas, "socializantes" e que dividiam a forma com que o "funk" era visto nas mídias de esquerda e direita. Na de esquerda, o "funk" era visto como um "coitadinho" em busca de espaço. Na de direita, o "funk" já era um vitorioso que comemorava a supremacia atingida.

Era uma campanha sem medir escrúpulos em cair em contradições ou mesmo em omissões, como o silêncio que os funqueiros tinham quando o assunto era a regulação da mídia. Isso porque os funqueiros se sentem muito à vontade junto aos barões da grande mídia, que lhes dão maior visibilidade e em cujos espaços há menos polêmica do que nos da mídia esquerdista.

Daí a grande preocupação com a hegemonia do "funk" que já começa a ter um público estável de classe média alta. A juventude "mauriçola" já está mergulhando de cabeça nos balanços funqueiros. As festas de condomínio de luxo, mesmo as infantis, já tocam o ritmo. E o fato do "funk" agora encerrar os carnavais de rua mostra a que ponto se deu a supremacia do ritmo.

A juventude já está ficando mal acostumada com o "funk", achando que ele é "legal", "divertido" e curti-lo significa "mais liberdade" e "descontração". Infelizmente, são gerações movidas pelo poder midiático, são símbolos da sociedade hipermidiatizada em que vivemos. A intelectualidade "bacana" acha isso o máximo. Os barões da grande mídia mais ainda.

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