terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

POR QUE A INTELECTUALIDADE "BACANA" ESTÁ DE MAL COM ROBERTO CARLOS?


Por Alexandre Figueiredo

Sabemos que a intelectualidade "bacana", aquela que quer a bregalização do país, está de mal com seu antigo rei, Roberto Carlos. É certo que o cantor capixaba anda aprontando muito, demonstrou ser bastante conservador, é excessivo no zelo de sua privacidade e bastante tendencioso em posturas falsamente engajadas.

Mas a intelligentzia absolve tantos erros. Waldick Soriano, por exemplo, com seu direitismo explícito, seu conservadorismo patriarcal e seu machismo moralista, havia virado queridinho das "esquerdas médias" no seu dirigismo cultural de nos empurrar o brega goela abaixo.

É bom deixar claro que Waldick Soriano havia gravado, com gosto, um disco-tributo a Roberto Carlos. Procuremos saber do que realmente foi o brega. E Waldick nunca gravou a "Internacional" em ritmo de falsas guarânias nem em qualquer outro ritmo que lhe tenha vindo à mente para imitar.

Indo para exemplos recentes, nomes como Zezé di Camargo, Joelma do Calypso, Odair José, DJ Marlboro, Raça Negra e tantos outros demonstraram ser figuras não menos conservadoras que Roberto Carlos.

Mas, para quem acha que um sucesso chinfrim de axé-music, composto por um rico empresário baiano, tem letra "marxista", vale tudo. Só não vale mais classificar o "Rei" como um dos artífices da moderna música "transbrasileira", aquele que popularizou a guitarra, abriu as portas para os bregas, deixou a música brasileira mais pop etc etc etc. Por que será?

Roberto Carlos foi o responsável direto por tudo isso que os intelectuais "bacaninhas" tanto gostam. De Michael Sullivan a Leandro Lehart, de Bartô Galeno a Valesca Popozuda, de Wando a Paulo Sérgio, de Raça Negra a Banda Calypso, nada, mas nada mesmo seria se não fosse a influência do "grande monarca" da música "transbrasileira".

Ou mesmo os que já estão no establishment, como Leonardo, Daniel, Alexandre Pires, Zezé di Camargo & Luciano, Belo, Thiaguinho, Luan Santana, Michel Teló, Chitãozinho & Xororó, todos "filhos" das aventuras (ou desventuras?) bregas de Roberto Carlos nos anos 80.

Portanto, é como se o império da música "transbrasileira" ficasse um tanto acéfalo. Um reino sem rei. Há o primeiro-ministro Caetano Veloso, que mexe os pauzinhos para promover a bregalização do país com matizes pretensamente modernistas, mas nada teria sentido se não fosse o cantor capixaba que agora é hostilizado pelos intelectuais "bacanas".

O que será que faz com que a intelligentzia brasileira adotar uma postura adversa a Roberto Carlos, se os erros que ele cometeu não são diferentes dos que muitos "queridos" do brega. Será porque o conservadorismo de Roberto Carlos é o mais manjado? Ou será que ele leva às últimas consequências seu conservadorismo?

Evidentemente, a "batalha" que ele fez contra o historiador Paulo César Araújo pesou muito nesta postura, já que o "Rei" decidiu punir um membro do "clero" intelectualoide brasileiro, o "sacerdote" que queria entrevistar o "Rei", não conseguiu e foi lançar um livro à revelia de "Sua Majestade".

Mas se trata do mesmo "Rei" que inspirou Michael Sullivan, um ex-integrante dos Fevers, a se aventurar nas breguices americanizadas e a construir um padrão de comercialismo musical baseado nas lições do ídolo capixaba.

Isso é tão certo que, depois que Lincoln Olivetti e Robson Jorge pasteurizaram a MPB, transformando-a num engodo comercial, Michael Sullivan e Paulo Massadas deram uma cosmética na música brega, os quatro compuseram juntos "Amor Perfeito" e advinhem quem foi chamado para gravar a música? Ele, Roberto Carlos.

Roberto Carlos está por trás de tudo. De imitadores como Paulo Sérgio, Amado Batista, José Augusto, Odair José e Fernando Mendes, aos nomes mais recentes do "funk". Está por trás do sambrega, do Raça Negra ao Grupo Molejo, do Só Pra Contrariar ao Negritude Júnior, de Alexandre Pires a Thiaguinho.

Da mesma forma, Roberto também está por trás do crescimento do breganejo, através da música "Caminhoneiro", e recebendo todo o respaldo dos ídolos do gênero. Zezé di Camargo & Luciano gravaram "Como Vai Você?", música de Antônio Marcos popularizada por Roberto.

E os dois filhos de Francisco Camargo, ultraqueridos pelas "esquerdas médias" que nem sequer enxergaram a marca da Globo Filmes no filme dos breganejos que foram lá ver, foram lá cumprimentar o "Rei" e participar, com gosto, do disco Emoções Sertanejas.

Mas mesmo os tecnobregas e os "provocativos" pseudo-gênios da EmoPB, como Felipe Cordeiro, Banda Uó, Gang da Eletro e outros nada seriam se não fossem as portas abertas por Roberto para o mercadão da gororoba bregapop que os jovens filhos da overdose da informação absorvem de forma acrítica, sem dar uma contribuição relevante para a renovação de nossa música.

Portanto, que "cultura provocativa", que "modernidade transbrasileira" e outras coisas "muito legais" essa intelectualidade quer defender, se no seu reino do "popular midiático", com um ranço mercadológico não assumido, mas explícito, o "Rei" foi deposto?

Pelo menos a intelligentzia tenha um mínimo de sinceridade e perca o medo de botar farofafá no rodízio carnívoro do Friboi. No reino "transbrasileiro" do "Rei" Roberto Carlos, com seu cruzeiro marítimo e suas carnes Friboi, quem é súdito não deveria perder a compostura.

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