quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

ITUNES JÁ EXPRESSA O 'HIT-PARADE' BRASILEIRO


Por Alexandre Figueiredo

A manobra é sutil. A grande mídia anuncia os sucessos do brega-popularesco através não da divulgação em rádios, mas da Internet, sobretudo YouTube e iTunes, como se tentasse afastar o caráter de hit-parade desses sucessos "populares".

Aí entra a intelectualidade mais festejada que, com seu delirante discurso pseudo-modernista, cheio de referências surreais, tenta definir os tais sucessos como "vanguarda pós-moderna", como quem vê cabelo em ovo.

Assim se empurra o brega-popularesco para os alternativos, da mesma forma que tenta afastar a má imagem de comercialismo associada ao hit-parade dos EUA. Como se o hit-parade brasileiro fosse apenas uma "natural extensão do nosso folclore", não um amontoado de canções comerciais bastante executadas ou pedidas pelo público.

O iTunes tornou-se a relativa novidade, no que se refere às canções compradas na Internet, já que o YouTube se banalizou como referência, sobretudo por conta de muitos vídeos com repercussão negativa na rede.

Depois do "sertanejo universitário" e de nomes como Thiaguinho, a onda agora é o "funk" de Valesca Popozuda e o "pagodão" baiano do Psirico, uma das apostas do mercado de axé-music num momento de séria decadência e uma porção de escândalos que envolvem desde medalhões do "axé" até ídolos do arrocha.

Os sucessos comerciais brasileiros não são diferentes dos norte-americanos. De forma explícita, eles tomam justamente o mercado estadunidense como modelo. Valesca, por exemplo, tenta se influenciar por Beyoncé Knowles sendo uma sósia brega da Lady Gaga. Luan Santana pautou sua carreira em Justin Bieber, Thiaguinho em Chris Brown e por aí vai.

Mas graças à blindagem de acadêmicos, jornalistas culturais e até cineastas, entre outros apologistas, o hit-parade brasileiro é glamourizado tanto pelo rótulo de "popular" - que puxa uma série de argumentos pseudo-ativistas e pseudo-modernistas - quanto pela falsa imagem de "polêmica", com a exploração tendenciosa das críticas negativas ao "ritipareide" nacional.

Por isso o público médio pensa que o hit-parade brasileiro não existe ou, se existe, está "superado" ou "agonizante". De reboque, a intelectualidade "bacana" ainda fala na "morte" da indústria fonográfica e na "agonia" da grande mídia, no seu discurso pseudo-progressista que só serve para Rodrigo Constantino virar "salvador da pátria" ao "contestar" os delírios da intelligentzia.

Isso até que a indústria fonográfica dominante e a grande mídia ressuscitem e renasçam, num voo de uma "fênix" farofafeira, através da bregalização cultural que alimenta fortunas e poderes dos barões da grande mídia, sob a vista grossa das nossas elites "pensantes".

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