sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

INTELECTUALIDADE CULTURAL PRÓ-BREGA QUER O "QUARTO PODER"


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade cultural dominante, que defende a bregalização do país e dá ênfase no "funk" nas suas pregações sobre (o que eles querem que deve ser) a cultura popular, até dá sua choradinha para dizer que o que eles querem apenas é ser "solidário" às classes populares.

Mas tais intelectuais, que envolvem antropólogos, sociólogos, historiadores, cineastas e jornalistas culturais badalados, sobretudo pelas polêmicas que causam quando defendem os mais ridículos nomes do brega-popularesco, aparentemente se divertindo com suas posturas "provocativas", querem mesmo o quarto poder.

Talvez exista uma pequena rixa entre jornalistas culturais pró-brega, quando tentam, muitas vezes de forma pedante ou hipócrita, falar de política, e jornalistas políticos mais reacionários. Mas a divergência é pequena, em relação apenas a excessos cometidos por estes últimos.

Mesmo assim, talvez a disputa seja para conduzir a opinião pública, competindo para ver quem é que influencia melhor a sociedade, se é o jornalista político que julga que o Brasil progredirá com a privatização de tudo, ou se é o jornalista cultural que acredita no progresso do país através da bregalização cultural.

Os intelectuais considerados "bacanas" não convencem com seu aparente despretensiosismo, com sua choradeira reclamando que "não" recebem financiamento para seus projetos - recebem, sim, até de George Soros, apenas não abrem o jogo - , que sofrem "muito preconceito" por suas visões "provocativas" etc e tal.

Isso porque eles defendem um poderoso e milionário mercado de entretenimento, que estabelece todo um sistema de valores, ídolos e símbolos que deixam as classes pobres conformadas e resignadas com sua pobreza.

Esse mercado estabelece um padrão de "cultura popular" que se baseia na glamourização da pobreza, da ignorância, da imoralidade, transformando as periferias - as mesmas que quase viram ruínas em dias de chuvas - em "paraísos de um lazer que nós não (sic) compreendemos".

Os intelectuais estão a serviço de uma estratégia mais engenhosa e sofisticada de marketing, adotando uma roupagem mais "científica" possível. Com suas reportagens "objetivas", suas monografias e documentários, eles tentam transformar em "fenômenos sócio-culturais" meros ídolos e sucessos construídos pelo jabaculê do rádio e da televisão.

Com isso, tentam tratar a bregalização do país como algo "sério" e "relevante". Tentam emurrar a bregalização como se fosse o karma de nossa cultura popular, desrespeitando nosso patrimônio e apenas usando o pretexto da "diversidade cultural" para promover a supremacia da cafonice, que, na prática, vai contra a verdadeira diversidade cultural.

Portanto, são tais intelectuais que poderão se tornar uma nova face da ditadura midiática. O discurso "bacana", as ideias "legais", as abordagens "divertidas" ou "conscientes", tudo isso é isca para a manipulação da opinião pública que, por enquanto, vai atrás do discurso intelectualoide como foliões atrás do trio elétrico.

Só que isso vale até que novos problemas surjam que não possam ser explicados pela defesa da bregalização de nosso país. Aí a máscara da intelectualidade "bacana" tenderá a cair.

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