sábado, 15 de fevereiro de 2014

GRANDE MÍDIA PODE ESTAR, MAIS UMA VEZ, "CRIMINALIZANDO" OS MANIFESTAÇÕES


Por Alexandre Figueiredo

A comoção em torno do falecimento do cinegrafista Santiago Andrade, da afiliada carioca da Rede Bandeirantes de Televisão, com toda a certeza é a expressão de solidariedade em torno de um jornalista que, querendo sempre estar perto dos acontecimentos, até para registrá-los com maior fidelidade e proximidade possíveis, assume e sofre os riscos de sua profissão.

De fato, a morte de Santiago se soma às muitas mortes de jornalistas, blogueiros, cinegrafistas e outros profissionais de imprensa que encontram no caminho desde a opressão do coronelismo local, a ameaça criminal e os acidentes de percurso, que fazem o Brasil um dos países mais violentos para os jornalistas, num quadro comparável ao Oriente Médio.

No entanto, a grande mídia, na medida em que capitaliza em torno da tragédia de Santiago, cria condições emocionais para puxar a sociedade para rejeitar as manifestações populares. O senado já começa a articular a votação de uma lei "anti-terrorismo". De repente, a grande mídia, com exploração da indignação popular, pode manipular o debate para invalidar os protestos anti-Copa.

Há poucos dias, foi preso em Salvador o manifestante Caio Silva de Souza, que havia disparado um rojão que matou o repórter cinematográfico. Apesar de considerado responsável por homicídio doloso, Caio também temia por sua vida, pois, em seu depoimento, poderia ser morto por algum outro manifestante.

Aparentemente, a grande mídia tenta dizer que não é contra os protestos populares. É claro que a grande mídia os "aprova", desde que seja contra o governo da presidenta Dilma Rousseff, não pelos erros que ela tenha cometido, mas simplesmente por uma questão de oposição político-partidária por si só.

E aí é que, mesmo com a postura "favorável" aos protestos, a grande mídia, através do radicalismo de vários de seus comentaristas, tentará intimidar a opinião pública e isolar os protestos que só serão "elogiados" quando seus interesses estiverem de acordo com a visão estabelecida pelo baronato midiático.

Uma coisa é condenar os excessos cometidos pela minoria de manifestantes, que cometem desordens, vandalismos e outros atos abusivos e que ameaçam a segurança das pessoas. Outra coisa é desqualificar os protestos populares como um todo, apesar do pretexto de condenar os abusos de uns poucos, e intimidar as pessoas a irem às ruas reivindicar melhorias gerais para suas vidas.

Dessa forma, a grande mídia pretende neutralizar as manifestações populares para que assim ganhe tempo para manter todo o status quo politiqueiro, empresarial e midiático envolvido com toda a farra financeira por trás da exploração da Copa da FIFA de 2014.

A ideia é evitar que um novo junho de 2013 se repita doze meses depois de sua realização. Intimidar a população e desencorajá-la a ir às ruas. Tudo para manter os privilégios do poderio midiático, político, econômico e mesmo entre os dirigentes esportivos, através da exploração de um evento esportivo de âmbito mundial que não trará benefícios concretos à população.

Embora muitos discordem dessa constatação, sabe-se que a África do Sul, que havia sediado a Copa da FIFA de 2010, saiu seriamente endividada depois do fim do evento. O risco é ver o Brasil sofrendo um sério colapso político-econômico depois da festa do futebol. Pelas crises que o país sofre, haverá muita confusão e transtornos por aí.

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