segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

"FUNK" TENTA SE INSERIR NA INDÚSTRIA CARNAVALESCA

VALESCA POPOZUDA RECEBE MARIANA XIMENES NO "BAILE FUNK" DA REVISTA VOGUE BRASILEIRA - O "funk" tenta embarcar nos embalos do Carnaval carioca.

Por Alexandre Figueiredo

O "funk" quer ser a axé-music carioca, num tempo em que a axé-music baiana sofre sinais de decadência, que nem o tal do "Lupo-lupo" do Psirico consegue salvar, da mesma forma que a partilha do Chiclete Com Banana (com novo vocalista) e Bell Marques anunciando carreira solo, enquanto se preparam para a despedida definitiva no Carnaval de Salvador.

No Rio de Janeiro, o "funk" chega mesmo a ter um pequeno texto na vinheta "Histórias do Rio", que passa na TV Globo carioca. A grande mídia, a indústria de moda, a indústria carnavalesca - com o apoio entusiasmado dos banqueiros do jogo-do-bicho - e outros interessados querem que o "funk" tenha hegemonia absoluta nas festas momescas.

A indústria carnavalesca passa a inserir sucessos de "funk" em desfiles de ruas, em sons tocados em quiosques, ou então na promoção de "musas" funqueiras no circuito carnavalesco, além da própria associação que a grande mídia faz à "modernidade" funqueira como suposto complemento para a festa momesca carioca.

E isso com investimentos maciços de dirigentes carnavalescos, dirigentes esportivos e até da contravenção que, com os banqueiros do jogo-do-bicho quietinhos na deles, dá seu aval à indústria funqueira que movimenta milhões de reais por mês e que nada tem a ver com a "cultura de pobre" que seus ideólogos tão chorosamente tentam nos fazer acreditar.

Chega a ser risível quando se lê, em textos da mídia esquerdista, o "funk" ser visto como um "movimento" de supostas vítimas, enquanto ele, na mídia direitista, demonstra ser vitorioso e hegemônico demais para ser considerado "cultura dos excluídos".

O discurso dos intelectuais "progressistas" menos contestadores - que parecem papagaios quando tentam falar mal de reacionários conhecidos da grande mídia - chega a ser repetitivo, pois ninguém mais aguenta ver um funqueiro visto como "vítima de preconceito", o "funk" ser comparado ao samba na rejeição "moralista" de 1910 ou vincular o "funk" ao suposto ativismo dos rolezinhos.

Essa choradeira ninguém aguenta mais e só faz a intelectualidade "bacana" cair no ridículo diante de supostos "contestadores" como Rodrigo Constantino que, com sua falsa sabedoria burguesa de fanático privatista, quer um Brasil cada vez mais austríaco, sendo "transbrasileiro" à sua maneira.

O "funk" conquista o mainstream mas tem a cara-de-pau de se autoproclamar "vanguarda" e "cultura alternativa". No Rio de Janeiro, virou coisa de "cara legal" aceitar o "funk" e já existe até casos de assédio moral entre colegas de trabalho que obrigam um colega que não gosta de "funk" a ir a um evento do gênero.

Enquanto isso, o baile da revista Vogue - franquia da Carta Capital, lamentavelmente entregue a abordagens "culturais" duvidosas e de acordo com os interesses cafonizantes do baronato midiático - já mostra Valesca Popozuda (que já mandou beijinho nos ombros dos filhos de Roberto Marinho) cooptando atrizes e modelos para seu "esquemão" funqueiro.

E isso com o "funk" tentando se sobressair até mesmo ao samba no Carnaval carioca, enquanto o "funk ostentação" paulista aprende o esquema para se impor também ao Carnaval paulista, principalmente agora que os funqueiros, dotados de rigor estético pré-histórico, acabaram de descobrir o pandeiro, isso 50 anos depois de Bob Dylan ter composto "Mr. Tambourine Man" (Sr. Homem do Pandeiro, em português).

Os empresários-DJs de "funk" impõem essa visão contraditória, ora "militante", ora "festiva", de seu gênero, pouco se importando com a coerência e a transparência dos fatos. Espertos, eles usam a mesma frieza calculista para subornar acadêmicos, ativistas sociais, apresentadores de TV, estilistas de moda e donos de casas noturnas para defender o "funk" de qualquer maneira.

Daí que não importa se fulano diz X e sicrano diz Y a respeito do "funk". Se o discurso é "positivo", vale tudo, até se contradizer, mentir, manipular, e tudo o mais. Vale até dizer que o "funk" é "educativo" num dia, e, em outro, dizer que o "funk" não tem a obrigação de assumir a missão de educar as pessoas.

A grande mídia tenta dar uma imagem "bacana" e "atraente" do "funk", dando a crer que a pessoa só é "moderna" e "de bem com a vida" se aceita ouvir um "funk". Se não aceita, é jogada no limbo das já falecidas patrulhas moralistas de 1910, castigado por ser visto como "antissocial", "careta", "preconceituoso" e "intolerante".

No entanto, "funk" não é outra coisa senão MERCADORIA. E todo discurso de defesa, mesmo na roupagem "objetiva" das teses acadêmicas ou dos manifestos progressistas, não passa de MARKETING. Na sociedade hipermidiatizada, poucos percebem isso, acham que tudo é folclore, que tudo é natural, que mentira é verdade e verdade é mentira.

São essas mentes confusas que aceitam tudo, só porque lhes é "agradável" e "saudável". E isso continuará até que venham, nos bastidores do "funk", escândalos que hoje comprometem e enfraquecem a reputação dos ídolos da axé-music. Até quando isso vai acontecer, não se sabe. Por enquanto o "baile funk" só está no início da festa. O problema será a ressaca.

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