segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

CRIA-SE ATÉ COMPETIÇÃO DE MCS DO "FUNK". FAZER O POBRE COMPOR MELODIAS, QUE É BOM, NADA

DEPOIS DA ADESÃO DE VEJA À MC GUIMÉ, AS ESQUERDAS MÉDIAS TENTAM AGORA MUDAR O FOCO PARA MC KAUAN.

Por Alexandre Figueiredo

Copia-se até modismos de rua dos EUA, e a intelectualidade dominante brasileira apenas dá um discurso pseudo-ativista à coisa, na sua tentativa de inserir a supremacia do hit-parade no Brasil, enquanto tenta dar a falta impressão que é apenas o "moderno folclore brasileiro".

No "funk ostentação", copia-se, até de forma mais explícita que o "funk carioca" - apesar deste ser durante anos rotulado de rap antes da popularização brasileira do hip hop - , o gangsta rap dos EUA, e agora foi importada a competição de MCs.

Evidentemente, não é como no hip hop. Para quem quiser ter uma ideia, é só ver o filme 8 Mile, estrelado por Eminem (e que tem a saudosíssima Brittany Murphy no elenco), de 2002, em que boa parte do filme consiste em mostrar uma competição de rappers, na qual o famoso Eminem é um dos concorrentes.

O "funk" é dotado de maior pretensiosismo, e se alimenta de todo um esquema de marketing que o faz adotar um verniz pseudo-ativista que não corresponde à realidade. Quer dizer, corresponde à "realidade" ideologicamente trabalhada pela intelectualidade "mais bacana", que impede que os pobres criem sua própria cultura, reféns de toda a mitologia em torno do "funk".

DEPOIS DO FLERTE DA VEJA, MC GUIMÉ PODE DAR LUGAR A MC KAUAN

Não se sabe se por coincidência ou não, a competição de MCs funqueiros acontece em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, berço do sindicalismo e núcleo de fundação do PT. A tentativa de atribuir o cenário do "funk ostentação" a um ativismo sócio-político, apesar de todos os louvores ao "deus mercado", anima nossa intelligentzia.

Na competição, um dos concorrentes já havia sido divulgado, dias atrás, nos noticiários policiais. Foi o MC Kauan, preso por acusação de tráfico de drogas, e depois liberado mediante fiança. Graças a esse fato, ele se tornou o mais novo queridinho da intelectualidade "mais bacana" do país.

MC Kauan acaba virando o "plano B" da intelectualidade pró-funqueira inserida nas esquerdas médias, uma vez que MC Guimé foi cortejado pela revista Veja, numa inesperada adesão de um dos mais intransigentes veículos da mídia reacionária e antissocial.

Daí a recente cobertura do circuito, que aparentemente inclui tanto hip hop quanto "funk", feita por um texto de um colaborador do blogue Farofafá. MC Kauan se projeta para o novo "dirigismo cultural", embora ainda não haja uma postura da intelectualidade de "dispensar" MC Guimé, entregando-o à ciranda midiática tal como ocorreu a Emicida, Criolo e Gaby Amarantos.

Mesmo grudado ao engajamento do hip hop tal qual ervas de passarinho grudadas em muitas árvores, o "funk ostentação" tenta passar uma impressão de "ativismo social" mesmo com a ênfase do consumismo.

A intelectualidade usa como desculpa o fato de que "agora são os pobres que consomem mais", como se isso soasse revolucionário e ideologicamente combativo. Ora, qualquer corporação capitalista que queira atrair o maior número de consumidores possível esperaria que consumidores pobres também comprassem seus produtos!...

Mas, fazer o quê!! Este blogue não vive na ciranda de visibilidade fácil dos "grandes intelectuais". Talvez sejamos mídia alternativa no mais duro sentido do termo. Analisamos objetivamente a cultura e desmascaramos as armadilhas da ditadura midiática para a "cultura popular". Mas se por um lado nós lançamos ideias, a intelectualidade festiva lança fantasias.

Para a intelectualidade "bacana", bonito é ver o pobre "fazer o que sabe", com um microfone na mão arriscando rimas com seu português errado, com a "pureza" de sua ignorância. Mas ensinar o jovem pobre a compor melodias e tocar instrumento, não. Para a intelectualidade "mais legal do país", isso é "elitismo". É purismo demais para uma intelectualidade que se gaba em ser "anti-purista"!!!

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