terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A OLAVETE RACHEL SHEHERAZADE


Por Alexandre Figueiredo

A supostamente neutra Rachel Sheherazade mostrou a que veio, sendo hoje uma das vozes da direita ultraconservadora através do canal SBT, que aparentemente não fazia parte da ciranda "mais reacionária", já que até pouco tempo atrás só a Rede Globo era oficialmente alinhada como mídia ultraconservadora e reaça.

Rachel parecia, antes de chegar ao SBT, um pouco mais "pertinente" em suas opiniões. Se ela exercia algum direitismo reacionário, isso estava latente, mas a moça parecia ter opiniões interessantes sobretudo sobre a mediocridade cultural.

O problema é que, uma vez chegando ao SBT, Rachel mostrou-se reacionária e, como âncora de programa jornalístico, ela fala como se fosse integrante do Tea Party. Ou então como uma espécie de versão feminina e mais jovem de Olavo de Carvalho, o ultrarreacionário escritor e pejorativamente conhecido como "astrólogo" por causa da mania de "fazer previsões".

Pois Rachel, a olavete, tornou-se destaque na Internet por conta de comentários feitos sobre o espancamento de um ladrão pobre, acorrentado e agredido por um grupo de justiceiros. O jovem havia cometido um furto e mesmo assim foi punido com a mais severa violência.

Segue o comentário de Rachel sobre o episódio, do mais reacionário moralismo policialesco:

“O marginalzinho amarrado ao poste era tão inocente que, ao invés de prestar queixa contra seus agressores, preferiu fugir antes que ele mesmo acabasse preso. É que a ficha do sujeito está mais suja do que pau de galinheiro.

No país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, que arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível. O Estado é omisso, a polícia é desmoralizada, a Justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem que, ainda por cima, foi desarmado? Se defender, é claro.

O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um Estado de violência sem limite. E, aos defensores dos Direitos Humanos, que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido”.

Enquanto Rachel aplaude a punição de um pequeno assaltante, desses que roubam para comer, ela "relativiza" os erros de Justin Bieber, classificando-o como um "garoto-problema" que "está crescendo". "Atire a primeira pedra quem nunca teve problemas".

Seus comentários tiveram repercussão tão negativa que refletiram até mesmo na mídia conservadora. É claro que ela tenta minimizar os efeitos, definindo Rachel como "polêmica", mas há quem veja em tais comentários uma postura exageradamente desumana e uma incitação à violência.

A Rachel que criticou os abusos do Carnaval cometeu abusos piores como o de aprovar uma violência cometida por justiceiros que, ilegalmente, agem na "limpeza social" dos subúrbios, como jagunços urbanos. Talvez ela tenha se embriagado, na véspera, do "chá" fornecido pelos seus parceiros ideológicos.

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