domingo, 19 de janeiro de 2014

ROLEZINHOS NÃO SÃO CONTRACULTURA


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade cultural brasileira, dotada do privilégio da visibilidade e, em certos casos, de premiações e títulos honorários, quer se apropriar dos rolezinhos, que são os encontros marcados por jovens pobres nos shoppings das diversas cidades.

A visão oficial das esquerdas médias, portanto, foi a de que tais reuniões seriam "protestos políticos" ou "movimentos culturais", quando na verdade foi a repressão policial e a atitude segregacionista dos administradores dos grandes centros comerciais é que problematizaram o simples hábito de pobres realizarem suas reuniões nesses lugares.

Os rolezinhos são apenas o ponto máximo daquilo que já acontecia há tempos. É a frequência de consumidores pobres nos espaços comerciais de classe média. Os espaços envolvidos nem são tão elitistas quanto se parece, mas a ampla quantidade de pobres frequentando esses locais nos últimos meses virou um factoide por demais problematizado pela intelectualidade vigente.

Mais uma vez, fez-se "Contracultura" num copo de água. Como no caso de Geisy Arruda, a sub-celebridade que "escandalizou" os colegas de uma universidade por causa das roupas provocativas. A intelectualidade tentou fazer de Geisy uma suposta "feminista", mas anos depois ela se revelou tão vazia quanto uma ex-BBB e a bravataria intelectual murchou.

O rolezinho corre o risco de sofrer o que sofreu o "funk", um ritmo tão bobo quanto o hully-gully dos anos 60, de ídolos tão risíveis quanto o Menudo. O "funk", por conta das ações da polícia, foi vítima de todo um discurso de "coitadização" e "politificação" difundido pela intelectualidade "bacana" que isso virou uma engenhosa blindagem intelectual.

A intelectualidade se apropria de certos fenômenos inócuos para descrevê-los, numa clara intenção idealizadora, como "ativismo social", quando eles nada têm de ativistas, ou como "movimentos artístico-culturais", algo que estão muito longe de sê-los.

São julgamentos de valor cuja pretensa superioridade se dá às custas de diplomas, premiações e outros títuos obtidos para suas monografias, documentários, reportagens, etc, além da visibilidade privilegiada que eles têm, monopolizando os "microfones abertos" que só se abrem a eles e se fecham à sociedade realmente engajada do nosso país.

Rolezinhos são apenas formas de articulação social em prol do consumismo. Não se faz Contracultura com rolezinhos. Desde quando um rapaz pobre que beija 15 garotas do seu meio vira "ativista social"? Se a culpa é do patrulhamento moralista da "sociedade de 1910", a verdade é que os intelectuais "bacaninhas" ainda vivem na República Velha e sua cultura de cabresto.

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