sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

OS "SUCESSOS DO VERÃO" BREGA-POPULARESCO

"IRRIT-PAREIDE" - LISTÃO PUBLICADO PELO PORTAL G1, DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO.

Por Alexandre Figueiredo

O poderio radiofônico na influência do gosto musical das pessoas é subestimado. Afinal, as rádios que tocam os chamados "sucessos do povão" são controladas por políticos ou empresários associados ao coronelismo regional, embora essa informação receba a arrogante vista grossa da intelectualidade "bacaninha".

Só o recente listão dos sucessos mais tocados nas rádios nesta estação mostra-se um horror. As medalhonas Valesca Popozuda e Ivete Sangalo lideram a parada, que inclui também nomes como o "funknejo" Fred & Gustavo, os funqueiros Pikeno e Menor e Rio Shock, a insossa Anitta, os breganejos Fernando & Sorocaba, Jorge & Mateus e Lucas Lucco - futuro astro do dirigismo cultural de 2016? - e o pagodeiro Psirico.

A tendência repete o ocorrido meses atrás, em que MC Daleste, MC Gui, Anitta, MC Naldo e MC Federado e Os Lelekes eram os sucessos musicais mais procurados na Internet. A mediocrização já chega ao ponto da imbecilização, e o verniz de modernidade não adianta muito para esses nomes em que a cafonice chega a ser escancarada.

A lista dos "sucessos do verão" aponta como será o hit-parade brasileiro, que infelizmente tenta abocanhar novas fatias de público, tomando o gosto de quase toda a juventude, mesmo a dos condomínios de luxo das grandes cidades. E a intelectualidade "bacana" faz a festa, achando que isso dará a pá de cal aos 70 anos de Chico Buarque, o inimigo número 1 da intelligentzia "mais bacana".

Isso indica que, no Brasil, os grandes valores perderam o cartaz. Hoje a moda é ser "provocativo", "polêmico" e "grotesco", e quem provocar escândalo ou repulsa ganha apoio de antropólogos, sociólogos, jornalistas culturais e cineastas da moda. Estes que lotam plateias a aplaudir até mesmo as tosses e espirros desses intelectuais de nome.

O hit-parade brega-popularesco segue com um lobby violento. Com um mercado dominante e claramente apoiado pelos barões da grande mídia, ele ainda segue respaldado por uma articulada e persistente intelectualidade que, mesmo a serviço do baronato midiático, tenta fazer pregação nos meios progressistas.

E toda essa pregação, que inclui muita choradeira contra o que entendem como "preconceito", é feita visando dar fim definitivo à MPB, apenas permitindo que alguns nomes respeitáveis deem seu "canto de cisne", antes de saírem de vez do rádio e irem para museus e para as festas muito ricas das mansões mais isoladas da sociedade.

É lamentável que a cultura brasileira seja avacalhada assim dessa forma. E tem gente que acha o máximo tratar Michael Sullivan como "gênio da MPB". Nem ele é assim grande coisa, sua música não raro soa ridícula, mas como a nivelação ocorre cada vez abaixo, ele parece "sofisticado" aos olhos dos incautos.

Junta-se o jabaculê, o coronelismo radiofônico, o baronato televisivo, a intelectualidade "bacana" e vendida, e todo um empresariado associado e o resultado é ver todo o nosso rico patrimônio virar coisa de museu, enquanto o nível cai bem mais abaixo.

Daqui a pouco, vão fazer até "tributo MPB" do Latino, com cantora eclética cantando "Festa do Apê" em arranjo bossa-flamenco. Na culinária, é como se cobrisse esterco com o mais caprichado chocolate com chantili.

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