sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

INTELECTUAIS "BACANAS" E SEU SILÊNCIO À "LEI DA MÍDIA"


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade "bacana" se silencia à necessidade real de regulação da mídia. Embora tentem sugerir uma postura favorável pelas relações que estabelecem com intelectuais e ativistas realmente de esquerda, não há uma postura firme nem detalhada a respeito.

É uma atitude ambígua, porque é afirmada na teoria e desmentida na prática. O dirigente funqueiro se diz "plenamente favorável" à regulação midiática, porque para ele "favoreceria a promoção do funk na defesa da cidadania". Mas não iria mesmo sacrificar a visibilidade que o "funk" tem junto aos barões da grande mídia, seja Rede Globo, Folha de São Paulo ou mesmo a revista Veja.

O jornalista cultural "mais bacana", que acha que tudo que é grotesco é "retrato positivo de nossa admirável negritude", também sugere ser "favorável" à regulação da mídia, a pretexto de tirar o poder das "forças moralistas e higienistas" que condenam a sociedade, sem ver diferenças num Chico Buarque solidário com o samba e uma Danuza Leão apavorada com os rolezinhos.

O professor reacionário que escreve feito um Reinaldo Azevedo pós-tropicalista nos fóruns sobre samba e choro na Internet mas bajula as esquerdas, diz-se "solidário" à regulação da mídia porque reduzirá o poder dos grandes proprietários dos meios de Comunicação. Mas ele, que tem conta no portal Globo Esporte.Com, não iria defender a sério essa causa.

Já escrevemos que a intelectualidade que aposta na bregalização do país nem de longe está interessada na verdadeira regulação da mídia, aquela que cria um novo paradigma de meios de Comunicação, que vai muito além do simples processo de domar barões da mídia e seus porta-vozes jornalísticos.

A intelectualidade cultural dominante, nascida nos porões da tecnocracia do PSDB, hoje virou "esquerdista" sob o objetivo de abocanhar dinheiro ou privilégios do Ministério da Cultura petista. São os mesmos que, no auge da Era Collor, achavam Fernando Henrique Cardoso o modelo ideal e mais moderno de estadista brasileiro. Hoje cospem no prato em que comeram.

Enquanto as discussões sobre a regulação da mídia são "privativas" a especialistas e alguns ativistas, e a grande parcela da sociedade está indiferente e desinformada sobre essa causa, a intelligentzia pró-brega adota uma postura "favorável" porque são simples questões de enunciado.

Assim, eles defendem a regulação da mídia quando ela sugere apenas reduzir o patrimônio dos grandes proprietários da mídia ou amenizar o reacionarismo de articulistas do noticiário político e econômico. Mesmo assim, esses intelectuais defendem integralmente os valores ideológicos do poder midiático e o reconhecem como espaço legítimo de visibilidade e prestígio.

Daí o silêncio e a abstenção. Não houve até agora uma declaração explicitamente a favor, embora, se forem perguntados sobre a defesa da regulação da mídia, eles respondam, com falsa desenvoltura, frases curtas como "sim", "apoio" e "mas é claro", ou então "apoio completamente".

Mas não dá para esconder. Num momento ou em outro, esses intelectuais "bacanas" acabam defendendo os mesmos interesses dos barões da mídia em relação à cultura popular, empastelada pela bregalização que anestesia as populações pobres, da mesma forma que temem que a redução do poderio midiático das grandes companhias possa, na ótica deles, "enfraquecer" a mídia.

Vemos uma intelectualidade cultural dominante com seu discurso dúbio. Adotam ideias nada científicas com retórica científica, adotam causas nada progressistas dentro de uma roupagem pretensamente progressista.

E essa gente "tão bacana" ainda se acha feliz porque é contraditória. Com uma gente "pensante" assim, não há como pensarmos o verdadeiro progresso do país. Tudo ficará na mesma.

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