segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

FAROFAFÁ E O ESQUERDISMO ANTI-ESQUERDISTA


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade cultural dominante, dita "a mais bacana", quer se aproveitar da polêmica dos rolezinhos para promovê-los a supostos "ativismos sociais", numa verdadeira "rebelião de butique" corroborada pela intelligentzia detentora de visibilidade, títulos e prestígio.

Com o texto "Capitalismo anti-capitalista", de Renato Barreiros, cineasta autor de documentários sobre "funk ostentação" e um dos principais articuladores da cena funqueira paulista, é muito difícil não pensar no magnata George Soros e seu "anti-capitalismo de mercado".

George, astro do Fórum Social Mundial, está por trás da "descriminalização da maconha" no Uruguai, é sócio do Monsanto e fundador da Soros Open Society - que no Brasil é representada pelo Instituto Overmundo e pelo Coletivo Fora do Eixo, do qual se vinculam os blogueiros do Farofafá, Pedro Alexandre Sanches e Eduardo Nunomura.

O magnata aposta na espetacularização dos movimentos sociais, com homossexuais estereotipados (necessariamente vestidos de falsas dondocas), feministas raivosas de topless, pobres caricatos dançando o "funk" e intelectuais falando em "livre mercado" como se isso trouxesse a Revolução Cubana (?!) para o Brasil. Isso sem falar da coisificação do homem pela máquina, através de sua concepção de "novas mídias".

Renato Barreiros tenta "desqualificar" o capitalismo que ele e seus amigos farofafeiros tanto amam. De repente, até Pedro Alexandre Sanches passou a "odiar" o PSDB de seu mentor ideológico, Fernando Henrique Cardoso. O pretexto é a atitude policialesca que é feita contra os rolezinhos, fruto das ações higienistas do neo-medieval Geraldo Alckmin.

Que belo tributo um aluno dá ao seu mestre!! Sanches aprendeu uma concepção de cultura popular ensinada pela Teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso. Aprendeu conceitos de "Fim da História" de Francis Fukuyama e aplicou-as para a Música Popular Brasileira. Fala em "cultura transbrasileira" e "diversidade cultural" quando, na verdade, tais ideias têm o mesmo sentido de "economia transnacional" e "livre mercado" do neoliberalismo.

Como é que Sanches e seus seguidores ensaiam supostos ataques a figurões da grande mídia, enquanto fingem concordar com os intelectuais progressistas? Fica muito complicado isso, se percebermos que a "cultura" que eles defendem é a mesma que os barões da grande mídia defendem.

CAPITALISTAS NÃO SÃO CONTRÁRIOS AO "FUNK"; SÓ FICAM CAUTELOSOS ÀS VEZES

Renato Barreiros tenta definir o "funk ostentação" como um "movimento anti-capitalista". Para "explicar" sua tese, ele descreve a aparente atitude das grandes empresas evitar vincular suas mensagens aos funqueiros.

Ele cita o exemplo de uma marca de óculos "cantada" por dois MCs e um processo de uma marca de roupas para retirar do YouTube os sucessos de "funk" que mencionassem o nome desta marca, em todos os canais em que fossem registrados seus vídeos ou arquivos estáticos de imagem.

No seu discurso, Renato "dramatiza", como é de praxe na choradeira em prol do "funk", dizendo que:

"Apesar dos milhões de acessos, com audiência maior que de muitos canais de TV, pouquíssimos clipes de funk-ostentação conseguiram patrocínio de alguma marca, mesmo com os MCs escancarando e fazendo verdadeiras odes para algumas delas".

Ele tenta nos fazer crer que o capitalismo está apavorado com o "funk ostentação". Ele até "sugere" que as empresas patrocinem seus "rolezinhos" e financiem eventos de "funk", citando, entre outras, o McDonalds (o "dia do Macrolezinho", ou não seria McRole Feliz?).

O problema é que o "funk" recebe patrocínio de empresas, sim. Talvez seja um contra-marketing das empresas que patrocinam o "funk" para dar a impressão de que o ritmo é "controverso" e "bastante polêmico". Mas é uma publicidade às avessas porque o "funk", altamente mercadológico, não apavora de verdade barões da mídia nem chefões da publicidade e do mercado.

O que pode acontecer é que as empresas vendem seus produtos para pessoas que curtem "funk" e também para quem não curte. Daí que as empresas temem apenas que o vínculo ao "funk" espante a outra parte da freguesia, daí que elas são apenas cautelosas com o ritmo, não chegando ao boicote que os ideólogos do "funk" supõem acontecer.

O grande problema não é o apoio do capitalismo ao "funk", porque o "funk" é cria de uma mentalidade capitalista difundida pelo poderio midiático. O "funk" é filho da Rede Globo, do coronelismo, da ditadura militar, do neoliberalismo, não pode ser antítese de tudo isso.

O "funk" não quer "lei da mídia" nem reforma agrária. Tirar o direito dos empresários-DJs de "funk" de comprar grandes terrenos através da grilagem de terras? O "funk" só quer dinheiro, por isso ele não quer cidadania nem ruptura com valores do machismo, da violência, da ignorância e nem sequer da imbecilização cultural.

Se Farofafá, através de seu cineasta colaborador, tenta nos fazer crer de um "capitalismo anti-capitalista" supostamente associado aos funqueiros, seus ideólogos e similares, na verdade, apostam mesmo é num "esquerdismo anti-esquerdista".

Daí as críticas urubológicas de Pedro Alexandre Sanches contra as esquerdas que se voltam contra a mediocrização cultural. Em certos casos, ele fala como se fosse um articulista da Folha de São Paulo sonhando com um programa na Rede Globo. Isso é ter postura socialista?

Não. Para a intelectualidade cultural dominante em que Sanches se insere e da qual se torna seu representante mais visível, a defesa da reforma agrária não é mais que uma letra morta. Defende-se a "reforma agrária na MPB" como a "reforma agrária" dos antigos udenistas dos tempos de João Goulart, com indenização para os detentores do "coronelismo cultural" que domina roças, subúrbios e favelas.

Essa intelectualidade "bacana" não quer progresso cultural. Que morra a MPB, que ela vira artigo de museu ou uma pálida lembrança curtida pelas ricas elites. A intelectualidade "bacana" tem mais sede de acabar com o samba do que a madame do famoso samba de Haroldo Barbosa. O enfoque é apenas outro.

Hoje as madames que não querem o samba nas populações pobres são cineastas, antropólogas, historiadoras, ativistas sociais e jornalistas culturais que querem que o samba abra alas para o "funk", ritmo que glamouriza a pobreza e espetaculariza a imbecilidade cultural. A intelectualidade cultural "sem preconceitos" mas muito preconceituosa quer ver apenas o povo pobre domesticado, sob o falso pretexto de "emancipação cultural". Falar (e escrever e filmar) é fácil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...