segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

CIA QUER DESTRUIR A CULTURA BRASILEIRA: NÃO É PARA RIR, É PARA CHORAR


Por Alexandre Figueiredo

A denúncia de Beth Carvalho, que retoma as atividades depois de um bom tempo doente, de que a CIA (Central Intelligence Agency), órgão de informação política dos EUA, quer destruir a cultura brasileira, tornou-se um dos destaques do portal Vermelho, sendo um dos textos mais lidos neste portal de esquerda.

Corroborada pelo historiador Sérgio Cabral (que não compartilha com o apreço do filho, governador do Rio de Janeiro, dá ao "funk"), a denúncia no entanto é ridicularizada pela intelectualidade "mais bacana", que deixa de lado o verniz de objetividade para ridicularizar de forma esnobe e zombeteira a denúncia.

Para piorar, essas reações zombeteiras, dignas da "urubologia" mais reacionária de Veja - impossível não se lembrar de Reinaldo Azevedo - , são difundidas num suposto contexto de esquerda, indo até mesmo nos veículos da mídia esquerdista, já que as esquerdas médias praticamente foram cooptadas pela mafiosa indústria do "funk".

Mas a denúncia é grave, sendo um assunto que não é para dar risadas, mas para chorar e ficar preocupado. Os propagandistas da tal "cultura transbrasileira", que com seu discurso falsamente progressista, é que tentam dizer que essa ameaça não existe, que até mesmo glúteos siliconados são capazes de zelar pelo patrimônio cultural (trans) brasileiro.

Ou seja, discurso neoliberal servido em bandejas socialistas. Até Gustavo Alonso, que escreveu um livro jogando Wilson Simonal contra Chico Buarque (o cantor que onze em cada dez intelectuais pró-brega querem destruir) e que defende a Era Médici tão elogiada por seu pai, riu da denúncia do Sérgio Cabral (o pai, vale lembrar) sobre a CIA.

A participação da CIA, como escrevemos antes, é confirmada entre os propagandistas do brega-popularesco. Duas frentes principais, a Fundação Ford (e, a reboque, a Fundação Rockefeller, Fundação Kellogg's, Fundação Coca-Cola, Fundação Ronald McDonald etc) e a Soros Open Society, seguem financiando a bregalização cultural em todo o Brasil.

A Fundação Ford (Ford Foundation) e suas parceiras mexem no lado mainstream, e seu financiamento (assumido) envolve figuras que atuam na frente da grande mídia e na intermediação de bolsas para projetos acadêmicos.

Desta frente, a Fundação Ford patrocinou, de forma direta, teses acadêmicas de Ronaldo Lemos e Hermano Vianna, propagandistas do tecnobrega e do "funk", que participam de um programa do canal Globo News, das Organizações Globo.

De forma indireta, a Fundação Ford também patrocinou teses que resultaram em livros, como a de Mônica Neves Leme sobre o grupo baiano É O Tchan (livro Que Tchan é Esse?) e a de Paulo César Araújo sobre os ídolos cafonas (livro Eu Não Sou Cachorro, Não).

Já a Soros Open Society, do magnata húngaro-estadunidense George Soros - conhecido especulador financeiro e figura destacada no Fórum Econômico Mundial - , tem uma linha de financiamento mais arrojada, com ênfase na domesticação dos movimentos progressistas do mundo inteiro.

Neste caso, George Soros financia sobretudo entidades ativistas e instituições como o Coletivo Fora do Eixo e o Instituto Overmundo, além da Abraji que é associada a outro projeto bancado por Soros, o Centro Knight de Jornalismo nas Américas, da Universidade do Texas, sediada num dos Estados mais conservadores dos EUA.

As duas frentes têm o mesmo objetivo de enfraquecer o rico patrimônio cultural brasileiro, privá-los da apreciação pelas classes populares e substitui-lo por valores artísticos, culturais e sociais duvidosos veiculados por rádios, TVs, jornais e revistas vinculados ao coronelismo midiático regional ou aos barões da mídia no âmbito nacional.

O "funk" é um dos carros-chefes dessa manobra toda, e a constatação é séria e comprovável. O maior propagandista do "funk", Hermano Vianna, é patrocinado pela Fundação Ford, que bancou justamente a tese que resultou no livro O Mundo Funk Carioca, já em 1987 (provavelmente antevendo as distorções grotescas que o antigo som funk teria no Brasil a partir dos anos 90).

Mas a influência da CIA seria acentuada até mesmo nos ritmos "regionais". Seja o "pagode romântico" e o "sertanejo", seja o "forró eletrônico", a ênfase cai sempre nas influências estadunidenses impostas pelo poder midiático e pelo mercado, uma influência não feita para se somar à nossa cultura, mas para subtrai-la.

No "forró eletrônico", é sintomático a popularidade, durante anos, de um grupo como Calcinha Preta, que esteticamente adotava um padrão que misturava visual de piratas nórdicos com cabarés texanos, dentro de um repertório que nada tem de regional, misturando country, ritmos caribenhos, disco music e sanfona gaúcha, enfatizando também versões de hits estrangeiros.

Vianna e Lemos também recebem gorjetas de Soros, pelo seu envolvimento com o Instituto Overmundo, e pela divulgação de uma visão tecnocrática sobre novas mídias digitais, renovando num novo contexto o processo de "coisificação" do homem pela máquina.

George Soros também estaria financiando a espetacularização do ativismo social no Brasil, como as "marchas da maconha" e formas estereotipadas de passeatas LGBT e feministas, voltadas mais para o "choque" em si do que à luta por inclusão social.

A APAFUNK (Associação de Profissionais e Amigos do Funk) seria duplamente financiada pela Fundação Ford e Soros Open Society, para evitar repercussões negativas, as verbas são intermediadas em outras instituições parceiras do órgão funqueiro.

Há também a visão oficial de que muitos eventos ligados à bregalização do país são feitos "sem patrocínio". Tentam argumentar que só recebem verbas públicas. Na verdade, eles recebem patrocínio até de multinacionais ou das Organizações Globo (a Globo Filmes patrocinou "não-oficialmente"o documentário Sou Feia Mas Tô Na Moda), mas eles ocultam seus créditos.

Mas os investimentos de Soros e da Fundação Ford também incrementam tais eventos. Sejam festivais de "funk", documentários e livros que defendem a bregalização do país e teses acadêmicas, mesmo em universidades públicas, todos eles recebem estas verbas, como forma da CIA influir na degradação cultural do Brasil.

E isso se reforça com ideólogos que estão entre a intelectualidade "mais bacana", também financiados por Soros / Fundação Ford, que fazem um coro de gargalhadas quando o assunto é que a CIA quer bregalizar o país.

Só que isso não é para rir, é para chorar. O nosso rico patrimônio cultural corre o risco de cair no esquecimento e desaparecer, enquanto o povo pobre toma como "sua" uma "cultura popular" veiculada por oligarquias midiáticas. Como a economia "transnacional", a cultura "transbrasileira" só reforça a opressão neoliberal sobre a vida dos brasileiros.

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