sábado, 25 de janeiro de 2014

A ABERTURA DO FÓRUM SOCIAL TEMÁTICO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Como de praxe, o Fórum Social Temático, como hoje é conhecido o Fórum Social Mundial, ocorre paralelamente ao Fórum Econômico Mundial, como alternativa a este, que se volta para o empresariado e aos governantes, enquanto o FST se volta para os movimentos sociais.

E hoje o evento ocorre sob a reflexão de uma nova mentalidade ativista brasileira, impulsionada pelos protestos de rua de 2013, dando uma nova perspectiva para o ativismo social no Brasil e no resto do mundo. E tudo isso dentro de uma Porto Alegre que mais parece uma sauna, tanto que a capital gaúcha recebeu o apelido de Forno Alegre.

A abertura do Fórum Social Temático

Por Débora Fogliatto - Portal  Sul 21

Sob o calor de quase quarenta graus em Porto Alegre nesta quinta-feira (23), milhares de pessoas marcharam pelo centro da cidade, na abertura do Fórum Social Temático. Em sua maioria seguravam bandeiras e vestiam camisetas de centrais sindicais, caminhando em grupos distintos. Era possível ver também alguns movimentos sociais reivindicando suas pautas na marcha que, marcada para as 15h, começou em torno das 16h30 na avenida Borges de Medeiros e terminou na Usina do Gasômetro.

Para escapar do sol, alguns levaram sombrinhas, outros usaram chapéus e muitos se abanavam com os folhetos recebidos para tentar aliviar o calor. Nas caminhonetes das centrais sindicais, caixas de isopor com copos de água eram distribuídas aos participantes.

Dentre os presentes, em torno de 500 a mil na concentração e cerca de três mil durante a marcha, estava a delegação do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário do Uruguai, composta por oito pessoas. Daniel Fessler, diretor do Centro de Estudos do sindicato, já participou de três fóruns anteriores e achou o de 2014 “mais fraco” que o anterior, em termos de programação e espaço. Eles participaram de atividades relacionadas ao judiciário e às relações entre Brasil e Uruguai.

Antes da marcha, em um carro de som com cartazes do Fórum, o grupo Nação Hip Hop Brasil cantava de forma intercalada com as falas dos organizadores, que citavam as centrais e movimentos presentes. A marcha reuniu diversas centrais sindicais, entre elas a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), a NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), a UGT (União Geral dos Trabalhadores), o SINDEC (Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre), a Força Sindical e a Federação das Trabalhadoras Domésticas. Dentre os movimentos sociais, estiveram presentes A Marighella, o Movimento dos Trabalhadores Desempregados, a Juventude do PT, a UJS (União da Juventude Socialista), a ONG Nuances, a Marcha Mundial das Mulheres, militantes do PSB, entre outros.

A líder comunitária Jucy dos Santos, de 70 anos, é militante do MTD há dez e sempre procura participar das marchas de abertura dos Fóruns. Ela e mais cinco ativistas seguravam faixas feitas em papel pardo com palavras contra as drogas e pelo direito à alimentação. Em uma delas, três letras representavam uma reivindicação: PAA, referência ao Programa de Aquisição de Alimentos. “É um programa de alimentação para as comunidades, e fortalece o campo porque vem direto do consumidor”, explica. O PAA promove o acesso a alimentos a populações carentes, através de parcerias com agricultura familiar.

Em meio aos militantes, artistas circenses contratados pela prefeitura de Canoas acompanham os representantes do Fórum Mundial de Educação. Os malabaristas e equilibristas da Companhia Atmosfera participaram pela primeira vez da abertura do Fórum. “A gente sempre tenta estar junto com os movimentos de alguma forma, se cada um fizer um pouco a gente consegue mudar alguma coisa”, acredita o coordenador do grupo, Carlo Cancelli.

Entre as bandeiras amarelas, vermelhas e brancas das centrais sindicais, se destacavam poucas com as cores do arco-íris, registrando a presença de militantes da ONG pelos direitos LGBT Nuances. “Todo espaço de mobilização é importante. Assim como queremos mostrar nossas pautas, também é interessante participarmos de outros movimentos”, explicou o fundador do grupo e militante Célio Golin.

Sem se preocupar em acompanhar o ritmo da marcha, cerca de quinze pessoas da Instituição Filantrópica Aldeia da Paz produziam música em tambores e assoprando conchas. Segurando a faixa de “Dê uma chance à paz”, eles entoavam em uníssono “Dê chance à paz, acabe com as fronteiras, nós somos um”. Eles estão acampados próximo ao Acampamento da Juventude, em outro espaço no Parque da Harmonia, e contam que não receberam recursos como eletricidade e água para sua estadia.

Logo surgiram na multidão dezenas de pessoas com máscaras, produzidas pela UJS, representando Edward Snowden – ex-analista de inteligência norte-americano asilado na Rússia após vazar milhares de documentos secretos. Ao passar pelo viaduto da Borges, uma bandeira com as palavras “Passe Livre” antecipava o protesto marcado para a noite desta quinta-feira, pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público. Após cerca de duas horas de caminhada, a marcha da abertura terminou na Usina do Gasômetro, principal ponto do Fórum Social Temático.

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