terça-feira, 30 de abril de 2013

MESTRANDA DA UFF NÃO QUIS DEFENDER SUPOSTO "FEMINISMO" DO "FUNK"


Por Alexandre Figueiredo

Os defensores do "funk carioca" tiveram um relativo mal-entendido, que pegou em cheio até um blogue de feministas que, na "boa fé", acabou defendendo as "popozudas" do gênero. Afinal, uma tese de mestrado sobre o suposto "feminismo" do "funk carioca" na verdade não é de todo elogioso ao gênero.

Embora se saiba que a Fundação Ford, uma das interessadas pela propagação do "funk carioca" no Brasil e tem vínculos tanto com a CIA quanto com a grande mídia brasileira, investe dinheiro nas instituições universitárias como a Universidade Federal Fluminense - que havia aceitado a escolha de Valesca Popozuda como patronesse de uma turma de formandos - , a tese em questão não é de todo condescendente.

A aluna Mariana Gomes, que havia feito uma tese de conclusão de graduação sobre as "mulheres-frutas", resolveu trabalhar uma tese de mestrado que questionasse a suposta importância do "funk carioca" como um dos últimos redutos do feminismo brasileiro. A tese de mestrado se intitula My pussy é poder – A representação feminina através do funk no Rio de Janeiro: Identidade, feminismo e indústria cultural.

Segundo a mestranda, o objetivo do trabalho não é glamourizar o comportamento das intérpretes do "funk carioca", mas de verificar se o discurso supostamente "feminista" de nomes como Valesca e Tati Quebra-Barraco "são um caso de libertação feminina ou apenas um atendimento da demanda do mercado erótico".

"LIBERDADE DO CORPO" CONTESTADA

 O que impressiona é que Mariana acabou inserindo no seu projeto de pesquisa um aspecto semelhante ao que este blogue já havia advertido várias vezes, a de que a suposta "liberdade do corpo" das "musas" vulgares - nas quais se inserem as funqueiras, dançarinas ou intérpretes - pode ser, na verdade, uma espécie de "prisão do corpo".

"A relação entre feminismo e erotismo é perigosa, inclusive para a Valesca. Ela se diz feminista, mas será que é mesmo? (...) A cantora afirma o corpo como espaço de liberdade, mas ele pode ser uma prisão, neste caso, porque o objetivo é conseguir bens materiais. Não chega a ser uma prostituição, mas é um jogo perigoso".

A mestranda ainda acrescenta que as letras das funqueiras trazem o valor da mulher interesseira, que dificilmente trata o homem como um companheiro, mas como um sustentador, como se vê no exemplo a seguir, descrito pela pesquisadora:  

"Mulher burra fica pobre/ Mas eu vou te dizer/ Se for inteligente pode até enriquecer/ Por ela o homem chora/ Por ela o homem gasta/ Por ela o homem mata / Por ela o homem enlouquece / Dá carro, apartamento, joias, roupas e mansão / Coloca silicone / E faz lipoaspiração / Implante no cabelo com rostinho de atriz / Aumenta a sua bunda pra você ficar feliz".

O MAL-ENTENDIDO

Mais uma vez, a tese cria um mal-entendido entre os defensores do "funk carioca", que achavam que a tese de Mariana Gomes estava defendendo o suposto "feminismo" atribuído às funqueiras. Até mesmo a própria Valesca se entusiasmou com o projeto, sem saber realmente do que se tratava: "Acordei MUITO FELIZ com a melhor notícia de todas!!! Sem palavras!!!", escreveu a funqueira no Twitter.

É mais um da galeria de mal-entendidos usados para promover o "funk carioca", depois do suposto título de "patrimônio cultural" e da má interpretação ao comentário de um ex-beatle. O que mostra que é a burrice o motor do "funk carioca" que contamina até mesmo muita gente "esclarecida" que sai em defesa do gênero.

HIERARQUIZAÇÃO CULTURAL

As discussões e propagandas que envolvem o "funk carioca" trazem à tona uma contestação à ideia de "hierarquização cultural" que aparentemente a sociedade brasileira vive, diante dos limites construídos ideologicamente entre a "alta cultura" e a "baixa cultura".

A meu ver, essas questões de hierarquização cultural foram artificialmente produzidas durante a ditadura militar, quando os debates dos Centros Populares de Cultura foram interrompidos com a sua extinção, em virtude do fechamento da União Nacional dos Estudantes pelos primeiros atos da ditadura militar, em 1964.

Os CPCs da UNE ganharam uma má fama de "ideológicos" ou "dirigistas", mas o julgamento dominante de hoje, consequente de uma linha de pensamento de intelectuais pré-tucanos da USP (influenciados por Fernando Henrique Cardoso) ignora que os CPCs só tinham três anos de fundação e dois de atividades em 1964, quando seu projeto e seus objetivos ainda eram prematuros.

Até então, a cultura das classes pobres era de excelente qualidade. Vide nomes como Cartola, João do Vale, Marinês e Seu Conunto, Luiz Gonzaga, Pixinguinha. Não havia a tal "baixa cultura", nem os bossa-novistas queriam substituir o samba.

Hoje, com a memória curta decretada pela mídia e pelo mercado que contagia a quase todos os brasileiros, achamos que a cultura popular de qualidade só é feita pela classe média. Mentira. Ela foi feita originalmente pelas classes populares, pela suposta "ralé". A breguice só foi supostamente associada pelas classes populares por um arranjo entre o coronelismo, o poder midiático e a ditadura militar.

Portanto, a "baixa cultura" é um preconceito não de quem combate a bregalização do país, mas daqueles que o apoiam. Quem defende o brega e o "funk" é que quer que o povo tenha "baixa cultura" e que nós é que temos que ignorar esse rótulo. Daí uma polêmica sem necessidade.

Embora de uma forma tímida e talvez não muito combativa, Mariana Gomes começa a recuperar a abordagem crítica que havia se ausentado nas cátedras acadêmicas. Ao questionar o suposto feminismo atribuído as funqueiras, ela já abre um caminho para a contestação de um ritmo que tentou forçar uma falsa unanimidade pela glamourização da miséria, da vulgaridade, do grotesco e da ignorância popular.

AS "GATINHAS" CONTRA AS "CACHORRAS"

AS ATRIZES E IRMÃS ELLE FANNING E DAKOTA FANNING: CHARME E INTELIGÊNCIA SEM VULGARIDADE...

Por Alexandre Figueiredo

Infelizmente, no Brasil, o lobby violento que envolve o "funk carioca" está absurdo, com dinheiros que variam das Organizações Globo e da Soros Open Society até mesmo fontes "muito estranhas", faz com que todo mundo corra em defesa desse estilo às custas de ideologismo barato a favor do mesmo.

Já se fala que as tais funqueiras "são mesmo feministas" dentro de uma argumentação que parece correta, mas não é. Agora a argumentação admite que as "musas do funk" surgiram em função de valores machistas, mas os defensores do ritmo agora dizem que elas "querem se libertar" do machismo e "sensualizar" a todo momento como uma "opção de liberdade sexual".

As alegações são politicamente corretas, mas sem muito fundamento. Mas elas são bem engenhosas, levando em conta a obsessão paternalista de uma parte da intelectualidade dominante, inclusive as chamadas "esquerdas médias", de promover a glamourização da pobreza a partir da defesa do brega-popularesco.

Algumas desculpas são introduzidas, como dizer que as "popozudas" do "funk" foram trabalhadoras miseráveis antes, e que agora estão "libertas".  Há também a desculpa da "liberdade do corpo", que também não tem qualquer fundamento, uma vez que o pretexto da liberdade sexual não justifica que tais "musas" mostrem o corpo a toda hora e a qualquer preço.

NÃO EXISTE FEMINISMO NO "FUNK"

Não, não há feminismo no "funk carioca". As "musas" funqueiras, muitas delas falsamente solteiras mas vivendo num matrimônio parecido com o da atriz Totia Meirelles, de Salve Jorge - ou seja, casamento estável com residências separadas - , continuam expressando o machismo, mas dentro de uma postura politicamente correta cujo paralelo está nas chamadas "urubólogas" da grande imprensa.

Afinal, que "liberdade do corpo" é essa em que a mulher acaba sendo escrava do seu próprio corpo? A liberdade do corpo não indica a obrigação de mostrar o corpo a toda hora, porque aí é a "liberdade do corpo" sem qualquer outra liberdade, uma "liberdade do corpo" sem liberdade da alma.

Afinal, o corpo precisa também ser guardado. E não existe "sexo casual" quando o "sexo" se torna pretexto para tudo, para mostrar glúteos em evento de informática, em concurso de beleza, em exposição de automóveis, na praia, nos programas de tevê ou até em temas de mestrado e doutorado. Se as "musas" vivem em função dessa imagem sexual, então não há liberdade, há escravidão.

Não há problema algum da mulher ser sensual. Mas há momentos em que não dá para "sensualizar". Em certos casos, cria problemas, como no incidente de Gerald Thomas agarrando a paniquete Nicole Bahls num evento literário. Sim, Gerald Thomas foi extremamente machista, além de viciado em "polemizar", mas Nicole também fez por onde, com sua roupa "sexy" inadequada para tais eventos.

Isso é que faz a diferença em musas como atrizes, jornalistas e modelos. Juliana Paes é sexy e tem um corpão, mas se ela quiser aparecer com um traje discreto, ela aparece. Na verdadeira liberdade do corpo, o corpo não é obrigado a se esconder nem a se mostrar senão conforme o contexto da situação. E, do jeito que as musas vulgares "sensualizam", elas se tornam escravas de seu próprio corpo.

As funqueiras são machistas até quando falam mal dos homens. O machismo que as funqueiras dizem "combater" na verdade é usado como se fosse um brinquedinho de montar e desmontar, onde a desconstrução discursiva não anula o problema, mas negando-o, o reafirma dentro de uma contradição de rituais e posturas, através de um "baile de máscaras" discursivo.

Se as funqueiras não leram Simone de Beauvoir, Virginia Woolf e Betty Friedan, ou se elas quase nunca ouviram falar de Leila Diniz, isso não influi na falta ou na criação de um "feminismo próprio". E, no "funk carioca", o que existe é um machismo travestido de falso feminismo, porque no fundo o que existe nas funqueiras não é uma consciência feminina, mas uma aparente machofobia ainda que retórica.

O que a intelectualidade não percebeu é que isso tudo é apenas um jogo de cena, já que o "funk carioca" é, acima de tudo, uma música comercial, apesar de todo o coro da intelligentzia de empurrá-lo forçadamente para a vanguarda cultural ou fenomenológica.

Imagine se disséssemos que Miriam Leitão só faz "urubologia" porque foi "vítima da ditadura" e agora "se liberta" dessa condição sendo defensora da "liberdade de expressão"? A "liberdade de corpo" das funqueiras tem esse mesmo sentido de "liberdade de pensamento" defendida até mesmo nos salões do Instituto Millenium.

O ELITISMO ESTÁ NO APOIO AO "FUNK CARIOCA"

Neste sentido, Valesca Popozuda é tão "feminista" quanto Reinaldo Azevedo é "seguidor" de Hugo Chavez. E se a APAFUNK é "patrocinada" até pelo Instituto Millenium, não há como seguir outro caminho. Além disso, o elitismo não está em quem critica o "funk carioca", mas em elogiá-lo, porque é uma forma das elites, com sua visão paternalista, "expurgar" suas neuroses com uma visão condescendente ao povo pobre.

É uma visão estranha, que diz que "o povo pobre, sofrendo, busca sua felicidade". Mas essa visão existe até em documentários e monografias, patrocinados "por fora" pela grande mídia e pelas multinacionais. Por trás dessa "imagem positiva" das periferias, a intelectualidade que se diz "socialmente consciente" adota uma postura de paternalismo que expressa uma mal disfarçada apologia à pobreza.

Credita-se a degradação social como se fossem "valores modernos" e valores na verdade associados ao machismo, à imoralidade e à decadência moral, no entanto, são atribuídos a uma "nova moral popular" que somos desaconselhados a contestar, pois, embora "não sejamos obrigados" a gostar, somos "convidados" a "reconhecer seu valor".

Ou seja, pensar em melhorias culturais e superar a imbecilização cultural que as classes populares sofrem por influência do rádio e da TV oligárquicos é ser "preconceituoso", "elitista" e "moralista"? Muito do que é o "funk carioca" segue valores difundidos pela grande mídia oligárquica, a mesma que tem Merval Pereira, Reinaldo Azevedo e Miriam Leitão como seus porta-vozes.

Só o fato de existir o "funk carioca" não é a libertação da degradação social. Se for assim, esgoto a céu aberto teria o mesmo valor de um jardim de flores perfumadas. A conversa de que se trata da "visão do outro" é um tanto preguiçosa, para uma intelectualidade que esconde seus preconceitos desejando que a miséria e a ignorância popular prevaleçam porque "é lindo, da 'maneira deles' (sic)".

A "REVOLUÇÃO" DAS "GATINHAS"

...A EXEMPLO DAS TAMBÉM ATRIZES CHLOE MORETZ E HAILEE STEINFELD.

Se o "funk carioca" tem as chamadas "cachorras", que são as musas vulgares que tentam forjar o falso feminismo superestimado e bondosamente apoiado pela intelectualidade, no exterior começam a se ascender uma geração de jovens atrizes que dão uma nova visão da feminilidade. São as "gatinhas" que começam a se projetar e serem admiradas até no Brasil dominado pelas "cachorras".

A partir da atriz franco-inglesa Emma Watson, outrora estrela da saga Harry Potter e hoje considerada uma das maiores musas da atualidade, várias jovens atrizes passaram a expressar inteligência, talento e até mesmo sensualidade de uma forma discreta e invulgar que faz com que as pretensas "feministas" que "sensualizam demais" no Brasil tenham vergonha de si mesmas.

São atrizes que têm muito o que dizer e que mostram que possuem beleza e forma física sem apelar para a vulgaridade. E não é pelo fato de várias serem ainda adolescentes, mas também porque sabem que os EUA mergulharam na imbecilização cultural dos anos 80, que em muitos aspectos serviu como referência para a "maravilhosa cultura das periferias" do Brasil dos anos 90 para cá.

Atrizes como Dakota Fanning e sua irmã Elle Fanning, assim como Chloe Moretz e Hailee Steinfeld, além de Annasophia Robb, Saoirse Ronan e outras, são jovens beldades que realmente dão como superado o machismo que as funqueiras, a título de "combaterem", o legitimam no contraditório jogo discursivo.

Pois não existe a vulgaridade travestida de "novos valores" porque não é uma "vulgaridade que se liberta" mas uma negação natural da vulgaridade. As jovens "gatinhas" revelam muito talento, e sensualizam discretamente, não por causa da pouca idade, mas também porque não querem ser mulheres-objetos.

A formação familiar delas já estimulava-as a ter opinião própria, a ter o mínimo de decência no comportamento, a ver a realidade de forma autocrítica. Mulheres como as irmãs Dakota e Elle, portanto, já nasceram num contexto anti-machista, e podemos garantir que o novo feminismo deste século não tem a ver com "musas" nascidas do machismo, mas de famosas que seguem a verdadeira emancipação feminina.

A emancipação feminina não deve se tornar uma escravidão do corpo. A "liberdade de corpo", na medida em que se torna uma obsessão, deixa de ser liberdade para ser uma escravidão. E se a alma feminina está submetida a essa "liberdade do corpo", "sensualizando" a toda hora e a qualquer preço, é porque essa liberdade não existe, tornou-se escravidão, o "erotismo" visto como mercadoria e opressão da alma.

Ora, se um Gerald Thomas aparece agarrando uma paniquete, imagine então quantos brutamontes já fizeram o mesmo com as fãs do "funk carioca" que "sensualizam demais"? As funqueiras nunca seriam feministas porque elas nunca rompem de fato com o machismo, até porque são justamente os machistas, muitos "da pesada", que mais ouvem "funk carioca" nos subúrbios brasileiros.

Já as "gatinhas" dão um grande banho nas "cachorras", porque não fazem falso feminismo com a escravidão do corpo, e mostram uma inteligência e uma simplicidade que as arrogantes funqueiras não têm. Portanto, não valeu essa mentira de que o "funk carioca" é "feminista".

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A FARRA DE ACADÊMICOS E JURISTAS COM O POVO BRASILEIRO

INTELECTUALIDADE CULTURAL E JUDICIÁRIO - Em vez de lutar pela melhoria do Brasil, lutam pela permanência do "estabelecido" com o aval da grande mídia.

 Por Alexandre Figueiredo

Vivemos uma crise de representatividade no Brasil. As notícias acerca do Judiciário e da intelectualidade cultural brasileiras causam vergonha àqueles que se sentem agora desprotegidos, na medida em que aqueles que deveriam lutar pelas melhorias sociais são justamente os que pouco se interessam em fazê-la.

No Judiciário, a coisa fica mais clara. Os juristas agora sofrem de ataque de estrelismo, depois dos fracassados inquéritos da CPI do "mensalão" e do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira, onde apenas se condenaram alguns poucos acusados, como José Dirceu e José Genoíno, de um lado, e Demóstenes Torres, de outro, sem qualquer investigação aprofundada.

De repente, o trabalho, mal feito e com resultados um tanto duvidosos - sobretudo no caso dos dois petistas, outrora figuras históricas do esquerdismo dos anos 60-70, condenados praticamente às pressas pela pressão oposicionista - , além de poupar, no caso da CPI do Cachoeira, o depoimento de envolvidos prováveis, como Policarpo Júnior e Sérgio Cabral Filho, fez a fama de uma elite de juristas.

Até mesmo Joaquim Barbosa, deslumbrado com a fama, decidiu viajar para os Estados Unidos, utilizando dinheiro público, para receber um prêmio de valor duvidoso, concedido pela reacionária revista Time, cujo grupo editorial tornou-se famoso, aqui, pelas transações ilegais feitas com o empresário Roberto Marinho para o financiamento da TV Globo do Rio de Janeiro, embrião e sede da atual Rede Globo.

Hoje o Judiciário vive um conflito com o Legislativo, por causa de uma proposta de emenda constitucional (PEC) que permite ao Legislativo recorrer a uma decisão do Judiciário. Seria uma forma de minimizar o poder absoluto atribuído ao Judiciário, cujos ministros, além de se acharem com "superpoderes", estão entre os que recebem os salários mais altos do Brasil.

De repente, Joaquim, Gilmar Mendes, Carlos Ayres Britto, Luiz Fux e Roberto Gurgel tornaram-se astros do Judiciário, nem sempre adotando posturas coerentes e se vangloriando por um trabalho duvidoso, muitas vezes discutível, em outras insuficiente.

Não bastasse as posturas de Gilmar, o mais reacionário deles e que chamou a classe jornalística de "cozinheiros", ou as semelhanças de Gurgel com o humorista Jô Soares, ou o namoro de Joaquim com a Time, e as "gracinhas" guitarrísticas de Luiz Fux, essa "turma" anda também em verdadeira lua-de-mel com a grande mídia.

É o que se nota em Carlos Ayres Britto enviando, feliz da vida, um prefácio de presente a uma "coletânea" do "imortal" Merval Pereira sobre o "mensalão", dotada dos preconceitos que o "calunista" de O Globo tem da classe petista, confundindo o direito de criticar o PT com o abusivo hábito de esculhambá-lo gratuitamente.

E A INTELECTUALIDADE?

Com a intelectualidade cultural, a coisa não é diferente, embora o contexto seja diferente e seus "pensadores" tenham que fazer proselitismo às esquerdas, às vezes trabalhando até nos veículos deste plano ideológico.

Tornou-se bastante conhecidos, através deste blogue, os posicionamentos ideológicos de Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna e Ronaldo Lemos, entre outros, em relação à cultura brasileira.

Graças a esses intelectuais - de certo modo "patrocinados" por George Soros ou pela Fundação Ford - , virou norma na classe acadêmica evitar a contestação da imbecilização cultural brasileira, através de um "relativismo" fenomenológico em que o "popular" vira pretexto para qualquer baixaria, a degradação sócio-cultrual é apenas um "modo de felicidade popular" que a sociedade mais esclarecida "não" entende.

Ultimamente, o "funk carioca" passou a ser cortejado pela grande mídia de forma mais intensa, lembrando a campanha "socializante" de 2003. No entanto, atualmente, com a grande mídia sem o poderio absoluto de outrora, o "funk carioca", apesar da poderosa blindagem que envolve o gênero, os questionamentos também começam a florescer.

Afinal, não se trata mais da sociedade aceitar a "choradeira" intelectual, dissolvida até em "modestas" monografias e "singelos" documentários que pediam a aceitação do "funk carioca", superestimando a suposta importância de um ritmo dançante comercial como um "movimento social de caráter popular". Trata-se de questionar a campanha, que teve muitos momentos incoerentes.

A campanha chegou ao ponto de interpretar mal boatos ou fatos imprecisos, como a classificação do "funk" como um "patrimônio cultural", fato que nunca aconteceu, até porque o título de "movimento cultural de caráter popular" (e não de "patrimônio cultural", como foi noticiado pela imprensa popularesca) foi dado pelo Legislativo carioca e não pelos técnicos do IPHAN.

Houve também o mal-entendido em que Paul McCartney pesquisava o som de uma banda de rock influenciada pelo "funk carioca" e um produtor disse que Paul estava à procura daquela energia, que era da banda curitibana Bonde do Rolê, e não dos "bailes funk", como foi erroneamente noticiado.

Para uma intelectualidade cultural que graceja quando alguém fala que o "funk carioca" é apoiado pela CIA e pelo Departamento de Estado dos EUA, fato comprovado pela intermediação de empresas multinacionais, instituições "filantrópicas" e veículos de mídia brasileiros que apoiam "Tio Sam", enxergar verdade em fatos mal interpretados é uma grande incoerência.

E quem acha essa intelectualidade cultural não tem a ver com o Judiciário, deve-se observar a mesma Regina Casé cúmplice de Hermano Vianna saudando o Joaquim Barbosa cortejado pela grande mídia. E, se o STF anda querendo derrubar José Dirceu e José Genoíno, a intelectualidade cultural quer derrubar Chico Buarque, com o mesmo valor histórico dos anos 60 na contestação ao regime militar.

A partir desses dois casos, a representatividade brasileira, já arranhada pelos abusos da classe política e pelo reacionarismo grotesco dos meios de comunicação, está vivendo uma séria crise. Dessa maneira, é difícil acreditar que o Brasil será uma potência mundial. A não ser que possamos mexer.

Defender a regulação midiática é uma boa tentativa. Ela é uma das esperanças que a sociedade têm para diminuir o poder de "semideuses" intelectuais e "super-heróis" do Judiciário que se acham acima da sociedade e querem julgar contra e acima do interesse público.

O "PÓS-MODERNISMO" DE RESULTADOS


Por Alexandre Figueiredo

Vivemos uma crise cultural no Brasil. Essa é a verdade. Mas uma crise motivada pela banalização extrema dos processos comportamentais do pós-moderno, principalmente no que diz na produção de "polêmicas" e "provocações" que, de tão banais, são inócuos e nada polêmicos nem provocativos.

O que se vê é a propagação de um "pós-modernismo de resultados", de um "tropicalismo de resultados" em que o ato de provocar é muito mais importante do que a causa que se quer defender, muitas vezes de gosto realmente duvidoso e importância desprezível. A polêmica, em vez de se tornar um processo de promoção de uma causa, passa a ser o fim em si mesmo.

É o que se vê em muitos episódios relacionados a polêmicas forjadas, supostos escândalos que já não escandalizam demais, e que apenas temperam a habitual tragicomédia de um país ainda conservador e provinciano como o Brasil, sem deixar algum rastro de reflexão definitiva no grande público e mesmo na chamada "opinião pública" mais influente.

Banalizam-se erros, maldades, crimes. E, por conseguinte, banaliza-se também o ato de provocar. Fazemos Contracultura num copo d'água, em factoides tolos tidos como "subversivos" pela intelectualidade dominante cheia de tanto discurso, vazia de realismo. Nada de transformador ou transgressor acontece, apesar das promessas de uma delirante intelligentzia de superestimar certos incidentes momentâneos.

A "CULTURA DA VAIA" E A MERCANTILIZAÇÃO DA POLÊMICA

De repente, ser vaiado ficou "genial". Ser "polêmico" tornou-se mais vantajoso do que ganhar o Oscar, o Grammy ou o Nobel da Paz. Isso produz uma "cultura da vaia" em que escandalizar por nada virou o princípio maior, na verdade não gerando escândalo algum, mas apenas falsas polêmicas em que o grotesco se aproveita disso para vender uma imagem de algo "transgressor" ou "revolucionário".

Muitos querem ser Oswald de Andrade, agindo como Lady Gaga. Ou então querem ser Noam Chomsky, agindo como Gerald Thomas. A polêmica como um fim em si mesmo cresce de forma avassaladora que ameaça até mesmo o potencial crítico do tropicalista Tom Zé, um dos remanescentes do pensamento crítico na música brasileira.

Tom Zé lança seu novo disco cercado de jovens artistas "performáticos", de uma "EMoPB" dita "fora do eixo" que está dentro do eixo da indústria cultural e da mídia. A veia crítica de Tom Zé, acusado de "vendido" por participar de um comercial da Coca-Cola, começa a se esvaziar quando assimila influências de "funk carioca" e dá um tom crítico mais ameno, por influência de gente como Emicida e companhia.

O problema é ver as "problemáticas" deixando de serem problemas, até virando "soluções" ou "salvações da lavoura". Num contexto de glamourização da pobreza através da "cultura de massa" brega-popularesca, o que se vê é que muita gente resolveu "escandalizar por escandalizar", sem saber que isso não transforma a sociedade e apenas banaliza o processo de provocação e transforma a polêmica em mercadoria.

Todo o discurso do brega-popularesco se baseia nessa glamourização da pobreza, da ignorância e da mediocridade sócio-cultural das classes populares, em que "ser vaiado" e "levar pau da crítica" tornam-se pretensos atestados de genialidade. De Waldick Soriano a Tati Quebra-Barraco, passando por Amado Batista, Zezé di Camargo & Luciano e Mr. Catra, todo mundo explorou essa imagem de "coitadinho".

INTELECTUALIDADE DOMINANTE NÃO QUER MELHORIAS CULTURAIS

De repente, o povo passou a ser visto como "melhor do que tem de ruim". A intelectualidade dominante passou a combater todo tipo de proposta de melhoria cultural através do questionamento da breguice hegemônica na mídia.

Criou-se uma linha de pensamento em que a Bossa Nova, os Centros Populares de Cultura e mesmo o Movimento de Cultura Popular de Paulo Freire são vistos pejorativamente por uma elite de pensadores dotados de visibilidade e prestígio, mas herdados de uma perspectiva lançada por acadêmicos como Fernando Henrique Cardoso e Roberto Campos aplicada à cultura popular.

Segundo essa linha de pensamento, qualquer defesa de melhoria cultural é vista como "preconceituosa", "purista" e "elitista", que supostamente iria eliminar a "pureza inocente" das classes pobres. A intelectualidade associada a esse padrão de pensamento acredita que as baixarias e breguices "fazem parte" da "inocente criatividade" das populações pobres, expressão de uma "felicidade popular" de uma concepção idealizada das periferias.

Por isso há essa inquietude de intelectuais acusarem de "preconceituosas" as abordagens contrárias à breguice dominante. Os intelectuais só admitem "melhorias" quando elas não rompem com o status quo popularesco, de preferência dando evidência do apoio das elites intelectuais ao "coitado" brega-popularesco, "ensinando-o" a tornar sua "cultura" mais "sofisticada" e "relevante".

Através dessa ótica, a intelectualidade defende e "relativiza" a degradação social e moral das populações pobres, através dessa visão de "inocência" e "pureza" das tais periferias. Com isso, valores associados naturalmente ao machismo são associados supostamente ao "feminismo" através de mil artifícios, da mesma forma que as baixarias são vistas como "transgressoras", por elas serem vistas como "sem culpa".

O poder midiático é absolvido, apesar de claramente influenciador do processo. Ele "não existe" na dita "cultura" popularesca. Com isso, se cria um discurso em que se evocam pretextos modernistas e tropicalistas para justificar a breguice dominante. Daí o "pós-modernismo" de resultados ou o "tropicalismo" de resultados.

CONCLUSÃO

Isso nada contribui para transformar a cultura brasileira. Apenas cria um verniz "transgressor" para a mesmice midiática. O ato de provocação torna-se mercadoria, produto de consumo, esvaziando seu sentido social, até porque as "causas" em questão são puramente inócuas e nada transgressoras.

O que é a vulgaridade machista de Nicole Bahls e o pretensiosismo machista de Gerald Thomas senão dois lados de uma mesma mercadoria, a "polêmica" feita produto de consumo? Se Gerald foi bastante machista, Nicole veio com o traje especializado, ela que há muito cultua essa imagem de mulher-objeto que deprecia tanto a mulher brasileira quanto as taras do diretor teatral.

Portanto, tudo isso acaba sendo apenas mero espetáculo consumista. Algo que os pensadores mais conceituados do exterior já questionam, dentro de seus contextos na Europa e nos EUA. Mas aqui tudo é glorificado e exaltado, porque é "popular e polêmico", quando tudo se torna apenas um desfile de factoides inúteis que causam até mesmo desperdício de teses acadêmicas, movidas por delírios retóricos-metodológicos.

No fim, tudo isso só alimenta a grande mídia, feliz com essa falsa "diversidade cultural" e seu circo de falsos escândalos, falsas polêmicas, falsos debates e falsas provocações. Tudo fica na mesma, e as elites dominantes se enriquecem ainda mais com esse espetáculo todo que envergonharia Guy Debord se ele fosse brasileiro e vivesse nos dias de hoje.

domingo, 28 de abril de 2013

"FUNK CARIOCA" NÃO QUER MESMO REGULAÇÃO DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Embora não assuma publicamente no discurso, os defensores do "funk carioca" reprovam completamente a regulação da mídia. A proposta de um marco regulatório da mídia brasileira vai contra muitos dos interesses dos líderes funqueiros, além de expressar um modelo de cidadania que elimina muitas das caraterísticas do "movimento" carioca.

Isso se torna tão certo que os dirigentes e ativistas funqueiros preferem manter o silêncio do que adotar uma postura determinada a respeito. Afinal, os funqueiros fazem proselitismo frente aos intelectuais das esquerdas médias e à classe acadêmica, simpatizantes tímidos das causas progressistas, mas no entanto precisam da grande mídia para obterem maior visibilidade.

Observando de forma cautelosa os fatos, nota-se que o pretenso "ativismo" do "funk carioca" entra em choque com os movimentos sociais quando exagera na sua "liberdade" moral. Foi o caso de Bia Abramo, filha de Perseu Abramo "contaminada" pelo vírus da Folha de São Paulo, que ao escrever sobre "funk carioca" preferiu defender as mulheres-frutas em detrimento de enfermeiras ridicularizadas pelo "erotismo" funqueiro.

Mas um caso bastante ilustrativo ocorreu em 2005, quando se intensificaram as atividades do movimento Ética na TV, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, atualmente "manchada" pela atuação medieval do pastor Marcos Feliciano.

O movimento Ética na TV surgiu em 2002 para combater a baixaria dominante nas emissoras de televisão, sobretudo TV aberta, nos últimos anos. A iniciativa tornou-se um termômetro para observar a crise que sofre a televisão brasileira, e havia desmoralizado programas policialescos, talk shows, reality shows, humorísticos e programas de variedades que expressassem algum tipo de grosseria e afronta à ética.

O principal alvo é o sexo e a violência, que nos anos 90 eram abertamente exibidos na televisão aberta, até mesmo em horários verpertinos (à tarde), em que as crianças mais assistem à programação televisiva. Eram tempos em que as poéticas comédias de Charles Chaplin eram exibidas de madrugada, enquanto filmes de pancadaria e violência gratuita passavam de tarde.

Quando a campanha já começava a ter uma força maior, eis que surge um "fenômeno de massa" chamado Tati Quebra-Barraco, funqueira conhecida pelos palavrões e pelo conteúdo pornográfico de suas letras. Estrela do documentário "independente" Sou Feia Mas Tô Na Moda, de Denise Garcia - apoiado "informalmente" pelas Organizações Globo - , Tati tornou-se a "celebridade da moda" em 2005.

A funqueira, cujo maior sucesso tem justamente o título do filme de Denise Garcia, tornou-se a "queridinha" da intelectualidade e da imprensa. Até mesmo Artur Dapieve, que "baixou a lenha" contra o grupo de sambrega Os Morenos (que lançou Waguinho, ex-marido de Solange Gomes), se rendeu à grotesca funqueira, dando o mesmo peso a ela e ao sambista Pixinguinha.

A essas alturas, Artur Dapieve já estava bem entrosado com "seu" casseta Marcelo Madureira, o "bobo da corte" do Instituto Millenium, num programa do canal pago GNT. E Pedro Alexandre Sanches ainda estava na Folha de São Paulo, quando entrevistou Tati Quebra-Barraco, cumprindo a missão Globo-Folha de vencder o asqueroso ritmo carioca como se fosse o "novo ativismo folclórico brasileiro".

De repente, todas aquelas lutas de promover uma televisão mais cidadã foram por água abaixo. Justamente quando o Poder Legislativo faz alguma coisa de relevante e progressista, a medida é ofuscada não somente pela manipulação da grande mídia, mas pela intelectualidade associada.

De repente, o povo brasileiro foi tratado como palhaço. Lutava-se para combater a degradação de valores sócio-culturais e morais que Tati Quebra-Barraco recuperava com intensidade ainda maior, e a intelectualidade, em vez de contestar o que a mídia estava fazendo, não só assinava embaixo como criava uma delirante defesa à funqueira e ao "funk carioca" como um todo.

Afinal, foi nessa época que explodiu a campanha retórica intelectualoide em defesa do "funk", com as mais delirantes e inverídicas comparações com outros fenômenos sócio-culturais como a Semana de Arte Moderna, a revolta de Canudos e o punk rock, com teses absurdas camufladas em documentários, monografias, reportagens, fora a inserção em diversos programas de entretenimento da TV aberta e paga.

Para piorar, as baixarias de Tati Quebra-Barraco eram defendidas pela intelectualidade sob o pretexto de que ela expressava "novos valores morais que não (sic) conseguimos entender". E qualquer problema a nossa intelligentzia botava na conta do falecido poeta Gregório de Matos, tal qual Mônica Neves Leme havia feito no seu livro sobre É O Tchan, Que Tchan é Esse?.

Hoje, quando a sociedade progressista se empenha em reivindicar uma mídia mais cidadã, responsável e respeitosa aos cidadãos em geral, o "funk carioca" intensifica seu lobby, aliciando mais uma vez celebridades, artistas, intelectuais e acadêmicos.

O Brasil está à deriva, entregue à retórica dominante dos defensores do "funk". O que pode representar um risco para a regulação da mídia que os funqueiros no seu silêncio fingem serem favoráveis, mas que combatem ferozmente, porque sabem que a Lei de Meios, se plenamente concretizada, irá derrubar todas as baixarias que se vê no espetáculo midiático dos funqueiros.

sábado, 27 de abril de 2013

AMAURY JÁ É CANDIDATO À ABL


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O jornalista Amaury Ribeiro Jr. já registrou sua candidatura à Academia Brasileira de Letras, em um ato formal de inscrição antecedido de muita festa e seguido de muita comemoração, no centro do Rio de Janeiro. Ele é o candidato à cadeira 36 da ABL, enfrentando o ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que tem planos de privatizar a cadeira e transformá-la numa P-36 acadêmica.


Enquanto isso, Amaury não descansará em serviço, porque está preparando o Privataria Tucana II, já que ele não esgotou as informações colhidas para o primeiro livro, um grande sucesso editorial, por mostrar revelações escandalosas sobre o que FHC e seus aliados fizeram com o dinheiro da privatização de estatais.

Amaury já é candidato à ABL

Por Paulo Henrique Amorim - Blogue Conversa Afiada

Quem é ele, quem é ele, diz aí você.
É o maldito FHC.

Chega de Privataria,
de demagogia intelectual.

Na nossa literatura, FHC é do mal.

Na nossa academia, a voz do povo é imortal.

Ele é tucano do bico de pau.

Foi chicote da ditadura e filho de general.

Viajou o mundo para chamar aposentado de vagabundo!

Com essa letra do samba de Enilson do Nascimento e uma trepidante banda, uma delegação especial do Barão de Itararé protocolou, nesta sexta-feira, no centro do Rio, na diretoria administrativa da Academia Brasileira de Letras, a candidatura de Amaury Ribeiro Junior à cadeira numero 36, a que também concorre Fernando Henrique Cardoso.

(No caso de FHC, trata-se da Plataforma-36, ou a P-36.)

Clique aqui para ler “Barão lança candidatura de Amaury”.

Do Sindicato dos Jornalistas, a barulhenta e divertida comitiva foi à ABL, de lá segue para a Cinelândia, presta homenagem a Getúlio Vargas, em frente a seu busto, e ali mesmo deixa as águas rolarem, no inesquecível Bar Amarelinho !

A Privataria é Imortal !!!

Paulo Henrique Amorim, com informações (precárias) de Miro Borges, presidente do Barão, no meio da confusão.

NASCE O NÚCLEO DO BARÃO DE ITARARÉ / RJ


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Eu estive presente no seminário realizado no Sindicato dos Jornalistas, só não pude ficar até o final por restrições cronológicas (moro em Niterói), mas pelo menos assisti às palestras sobre regulação da mídia pela democratização das comunicações, uma das propostas fundamentais das forças progressistas. Vi pessoalmente gente como Altamiro Borges, Hildegard Angel, Miguel do Rosário e Jandira Feghali, dentro de um evento simples mas bastante participativo que inaugurou o núcleo fluminense do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, presidido por Altamiro. Valeu a pena e desejamos boa sorte para a filial fluminense, que Altamiro afirma ser bastante criativa e dinâmica.

Nasce o núcleo do Barão de Itararé/RJ

Do Portal Vermelho

Nesta quinta-feira, 25 de abril, foi lançado no Rio de Janeiro o Núcleo Estadual do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. O lançamento aconteceu no Sindicato dos Jornalistas do Rio, na Cinelândia, e contou com um auditório cheio. O Barão de Itararé nacional foi lançado em 2010 e, desde então, tem desempenhado um papel protagonista no debate sobre a democratização dos meios de comunicação no Brasil, construindo e fomentando espaços alternativos de comunicação e atuando fortemente na construção de um novo modelo de comunicação, não monopolizada e plural.

Prestigiaram o evento a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ); o secretário nacional das questões da mídia do PCdoB e presidente do Barão de Itararé nacional, Altamiro Borges; o secretário estadual de comunicação do PCdoB-RJ, Waldemar de Souza; o presidente estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio de Janeiro (CTB-RJ), Maurício Ramos; o representante da Fundação Maurício Grabois, Caíque Tibiriçá; o coordenador do Cebrapaz-RJ, Wevergton Brito; a jornalista Hildegard Angel; Orlando Guilhon, da direção do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC); entre outros.

O núcleo central do Barão de Itararé no Rio de Janeiro é composto pelos professores Emir Sader (UERJ) e Marcos Dantas (UFRJ); o cientista político Theófilo Rodrigues; pelos jornalistas Marcos Pereira, José Roberto Medeiros, Gilberto de Souza, do jornal Correios do Brasil, e Bruno Ferrari; além do blogueiro Miguel do Rosário.



O lançamento do núcleo também apresentou uma importante mesa de debate sobre o Projeto de Lei de Iniciativa Popular para Democratizar a Comunicação. Esse projeto foi construído por diversos especialistas e pensadores do assunto, através do FNDC. O projeto chegará às ruas na próxima segunda-feira (dia 29). A grande batalha pelo recolhimento de assinaturas e pela introdução e fortalecimento do debate na sociedade civil será iniciada nas atividades do 1º de maio por todo o país.

A mesa de debate contou com a presença de Altamiro Borges, Hildegard Angel, Marcos Dantas e Orlando Guilhon; e foi mediada por Marcos Pereira.


Guilhon falou das iniciativas pela democratização das comunicações que já aconteceram ao longo da história do Brasil. Falou do lançamento da Campanha “Para Expressar a Liberdade, uma nova lei para um novo tempo” e da importância das mobilizações de recolhimentos das assinaturas e da intensificação do debate com a sociedade civil: “Teremos um projeto de Lei popular por todo país. Estamos saindo de um processo de mobilização e partindo para uma proposta concreta”, afirmou Guilhon.

O professor Marcos Dantas explicou brevemente alguns pontos do projeto e salientou a importância desse novo momento em que vivemos nesse debate: “Penso que estamos vivendo uma nova fase desse processo político de muitas décadas de história. Penso que ir para as ruas e provocar uma discussão sobre um marco democrático das comunicações do Brasil é fundamental. É o movimento popular tomando a iniciativa de lutar por um Marco Regulatório das Comunicações. Esse processo vai culminar em uma conscientização da sociedade. Vamos ter amplos segmentos da sociedade discutindo a questão das comunicações”, frisou o professor da UFRJ.

Hildegard Angel falou da importância da luta pela democratização das comunicações no Brasil, como instrumento democrático nacional: “Temos urgência desse Marco Regulatório, não apenas pela necessidade de democratizar as comunicações, de democratizar a mídia, sua estrutura, seu conteúdo; mas também para democratizar o direito do cidadão brasileiro de pensar, de ter acesso a informação de qualidade. Um país que vive sob opinião única, vive sob regime de ditadura”, salientou a jornalista.

Altamiro Borges saudou a criação do Barão no Rio de Janeiro, afirmou que o núcleo do Rio é criativo e tem todas as condições de agregar muitos aliados e de contribuir imensamente para o fortalecimento do debate sobre a democratização das comunicações no segundo estado mais importante da Federação. “Agora é o momento de irmos às ruas, e o Barão do Rio pode dar uma belíssima contribuição nessa batalha”.

Altamiro ainda falou da importância do Barão agregar aliados e fomentar a pluralidade: “O Barão é plural, temos que fortalecer todos que desejam lutar pela democratização das comunicações, de fazer uma comunicação livre e diferente”.

A Deputada Jandira Feghali salientou a sua luta de 22 anos no parlamento por iniciativas de democracia na mídia, como a luta pela regionalização. Falou das ações da Comissão de Cultura da Câmara, na qual está presidindo; como a aprovação de seminários regionais sobre a regionalização das comunicações, que se desdobrarão em um debate mais amplo sobre a questão da democratização da mídia. Falou também de uma audiência que será promovida com o BNDES para buscar a criação de uma política de financiamento da mídia livre. Jandira ainda falou das enormes dificuldades enfrentadas no Congresso Federal no que tange o importante debate das comunicações:

“O Congresso anda a passos de tartaruga quando se trata dos assuntos da comunicação. A sociedade está muito mais perto dessa luta, desse movimento. A percepção das pessoas hoje já está mais aguda sobre a importância da democratização das comunicações para o Brasil”, finalizou a deputada comunista.

O dirigente sindical, Maurício Ramos, falou em nome da CTB e prometeu todo apoio e mobilização da Central na luta pela aprovação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular:

“Esse projeto nos permite fazer o que sabemos fazer: ir às fábricas, locais de trabalho, para levar a luta e fazer com que os trabalhadores abracem essa iniciativa. Temos agora a ferramenta que precisávamos para ganhar a classe trabalhadora para essa luta. A CTB-RJ assume aqui o compromisso de integrar ativamente essa luta, levar esse projeto aos trabalhadores e recolher muitas assinaturas. Vamos à luta, contem com a gente”, finalizou Maurício Ramos.

Para Marcos Pereira, um dos coordenadores do Barão no Rio de Janeiro, o núcleo já nasce em um importante momento para a democratização das comunicações: o lançamento do projeto popular. Vamos atuar fortemente para recolhermos o máximo de assinaturas. Nosso núcleo também está aberto para receber novos lutadores em defesa de uma comunicação democrática e plural para o país.

O MODELO "INTELECTUALOIDE" DE REGULAÇÃO DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Aparentemente, toda a sociedade que se diz democrática está à favor da regulação da mídia, fora uns reacionários histéricos que acham que isso é censurar a "liberdade de informação". Mas diante de uma adesão superficial de segmentos nem tão progressistas assim, a desconfiança é inevitável. Afinal, a aparente adesão muitas vezes esconde cobranças e imposições condicionadas pelo suposto apoio a uma causa.

O que as esquerdas médias, condescendentes à "cultura de massa" por influência de uns pseudo-esquerdistas originários do tucanato acadêmico e midiático, entendem por regulação da mídia? Como elas têm que se manter na pauta progressista, elas não iriam se dizer contra a causa, nem abrir o jogo sobre que condições exigem para defender a causa, elas normalmente silenciam sobre o que realmente querem.

Mas, vendo as agendas discursivas da intelectualidade dominante que guia as esquerdas médias quase como um vaqueiro conduzindo um gado de ovelhas, já dá para inferir como será a regulação da mídia que essa intelectualidade e os esquerdistas médios tanto sonham. Tomemos como modelo de mídia a televisão, que é o principal meio de comunicação e um dos mais influentes no mercado e na sociedade:

1) Sua programação terá que exaltar a pobreza não como um problema, mas como um estado de espírito. As favelas não são vistas como construções problemáticas, mas como arquitetura pós-moderna. Deve-se exaltar a pobreza e acreditar na facilidade no assistencialismo paliativo como "solução definitiva" para os problemas sociais.

2) Os noticiários deveriam ser um cruzamento entre o Cidade Alerta da TV Record (foto) e os noticiários da TV Brasil. Entre uma notícia sensacionalista - tipo "seu Zé colocou seu 'pinto' no seguro" - e outra criminal, veicula-se notícias sobre sucessos na Economia, projetos educacionais para as escolas públicas e matérias com pessoas trabalhadoras sorridentes de uma periferia "feliz".

3) Os comentaristas políticos e econômicos dos jornalistas deveriam, além de informar objetivamente dados do governo petista, fazer uma abordagem quase sempre elogiosa, apenas permitindo críticas menores se houver alguma descompostura, como por exemplo o apoio a pessoas moralmente preconceituosas como Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano.

4) As atrações musicais devem enfatizar os estilos popularescos, desses que aparecem facilmente nas rádios FM. A MPB autêntica ou mesmo o antigo folclore popular devem ser exibidos apenas de noite, a partir de 21 horas, para não assustar ou confundir o "povão", que não consegue mais entender os próprios legados culturais de seus antepassados. Portanto, deve-se mostrar o "funk carioca", o "pagode romântico", o "sertanejo", o "forró eletrônico" e os "clássicos do brega" porque o povo pobre não entende sua própria cultura, só entende o pop e os sucessos radiofônicos. A música brasileira de qualidade, mesmo os sambas de roda, os baiões etc, só mesmo no fim de noite, para quem "se interessar".

5) Não meça problemas para exibir glúteos de mulheres "turbinadas" na televisão. Sendo isso um fenômeno "popular", exibe-se à vontade, sem moderação. Se a criançada se assustar, os adultos devem lhes dizer que aquelas mulheres-objetos são "feministas" porque não dependem de homem para fazer sucesso e que elas mostram seus "dotes" para sustentar a mãe doente, os irmãos e os afilhados, e que várias daquelas "boazudas" haviam trabalhado como babás, frentistas, domésticas, diaristas etc.

6) A programação esportiva pode ser dotada de muito ufanismo, muito bairrismo e muito fanatismo esportivo, com direito a transformar jogadores de futebol em "apolos" modernos. No entanto, tudo deve ser temperado por algum tipo de romantismo comparativo aos anos dourados da Copa de 1958 e, antes de mais nada, algum assistencialismo que exalte o esporte como salvação na vida de crianças carentes. Quanto aos esportes olímpicos, deve se enfatizar o bom mocismo de atletas com aquele jeito asséptico de heróis da produtora de desenhos animados Filmation falando para seus espectadores: "Você já escovou os dentes hoje?".

7) Os programas de entrevistas deveriam mostrar líderes comunitários ou ativistas dentro de uma perspectiva de elogiar a pobreza e desenvolver uma imagem por demais positiva da miséria. Nada de discutir problemas sérios, apenas enunciá-los o tempo suficiente para que o apresentador  possa apontar alguma solução paliativa do Estado.

8) Reality shows estão liberados assim como insinuações "eróticas" nos humorísticos. Só existe a proibição de fazer piadas homofóbicas ou de qualquer discriminação social, mas mostrar glúteos femininos e fazer piadas "sensuais" de duplo sentido está bastante permitido. Também é permitido mostrar atrações popularescas como convidados, geralmente de forma elogiosa ou divertida e dando espaço para números musicais.

Com isso, a "regulação da mídia" sonhada pelas esquerdas médias e pela intelectualidade dominante só representará mudanças pontuais para a grande mídia. Mas ela não é muito diferente da condescendência que Dilma Rousseff e seu ministro das Comunicações Paulo Bernardo já fazem pela grande mídia, embora se posicionem contrários à Lei dos Meios.

A grande diferença está na falsa adesão à causa do marco regulatório, desde que seja apenas para aparar algumas sujeiras dos meios de comunicação, criando apenas uma pálida alternância entre um ativismo social pasteurizado e a manutenção das baixarias de sempre.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

REDE GLOBO INVESTE TUDO NO "FUNK CARIOCA"

OS LELEKES QUE TOCAM NO RÁDIO E OS LELEKES QUE ESTÃO POR TRÁS DO NEGÓCIO, OS IRMÃOS MARINHOS, AQUI EM FOTO COM O FALECIDO PAI.

Por Alexandre Figueiredo

Há dez anos, a já famigerada parceria entre as Organizações Globo e o "funk carioca', iniciada em 1990, se intensificou completamente, através da necessidade de trabalhar um discurso "positivo" para o estilo, para torná-lo mais "digestível" para o público de maior poder aquisitivo.

O discurso que foi elaborado por psicólogos, jornalistas, publicitários e acadêmicos a serviço da empresa dos irmãos Marinho ganhou um tom "socializante" e "ativista", num ano em que Roberto Marinho vivia seus últimos meses de vida, um discurso quase todo elaborado sob a chancela da Globo, já que, em parte, os ideólogos do Grupo Folha deram um tempero "mais intelectual" a essa retórica.

Nem todo mundo aceita que se noticie a parceria do "funk carioca" com as Organizações Globo. Oficialmente, o "funk" continua "fora da mídia". As pessoas que acreditam nesta lorota oficialesca não suportam ouvir a associação do gênero à Globo, e tentam argumentar que os que denunciam tal parceria estão "batendo na mesma tecla", "mercendo trocar o disco arranhado".

Mas temos que "bater na mesma tecla", mesmo. A verdade dos fatos machuca aqueles que querem mascará-lo, e eles apavoram diante da revelação de que o crescimento do "funk carioca" só se deu com o "pequeno empurrão" dos Marinho com alguma "ajudinha" dos Frias.

REDUZIR O POVO POBRE À SUA PRÓPRIA CARICATURA

Numa época em que se discute a regulação dos meios de Comunicação, as Organizações Globo correm contra o tempo para transformar o povo pobre em caricatura, antes que as classes populares intensifiquem sua mobilização por uma mídia mais transparente e mais cidadã. Daí o discurso, um tanto hipócrita, de associação do "funk" a um modelo de "cidadania" proposto pelos barões da grande mídia.

O "funk carioca", com todo o pseudo-ativismo que tenta convencer até mesmo setores menos contestadores nas esquerdas médias, encaixa bem no projeto dos detentores de poder de manipular o inconsciente das classes populares.

É só observar seus aspectos: música (?!) de péssima qualidade, que trabalha uma imagem patética e debiloide do povo das periferias, num claro processo de imbecilização cultural que é camuflado da forma mais habilidosa possível por um discurso trabalhado por intelectuais influentes.

O discurso, sabemos, é recheado das mais delirantes e, às vezes, contraditórias teses de caráter pretensamente sociológico, ativista e etnográfico, que tentam fazer as mais insólitas e falsificadas associações do "funk carioca" a contextos diversos a partir de alegações e alusões bastante falsas.

O "funk carioca", através dessa retórica, é capaz de inverter a imagem de degradação sócio-cultural através de uma deturpada abordagem do "outro", em que valores que na verdade são associados ao machismo, à violência, ao racismo contra negros, à mediocrização cultural e à precarização do mercado de trabalho sejam travestidos de "feminismo", "negritude", "valores morais modernos", "mercado independente" etc.

Qualquer crítica é rebatida de forma cínica, e os intelectuais não medem escrúpulos de recorrer à mais perfida necrofilia, usando nomes como Oswald de Andrade, Malcolm McLaren, Gregório de Mattos e até Carlos Lamarca para "defenderem" o "funk carioca", através da interpretação distorcida e falseada dessas figuras falecidas.

"FUNK CARIOCA" É O NOVO CARRO-CHEFE DA GLOBO

Como em 2003, a Globo está jogando "funk carioca" adoidado em seus veículos e nos programas da famigerada Rede Globo, que completa 48 anos de existência hoje. O dinheiro que se usa para jogar funqueiros para "viradas" ou eventos "culturais" como a Estação Rio (que conta com DJ Marlboro como uma das atrações principais) é tanto que põe em xeque a imagem do "funk" como "cultura de pobre".

Não bastasse a fortuna "global" - beneficiada pelos "bonus por volume" das verbas do Governo Federal - investir pesado na promoção de funqueiros mais comportados, como MC Anitta e MC Naldo (embalados para conquistar a juventude mauriçola da Zona Sul carioca e similares), a inseração do "funk" encontra outros contextos para mais uma vez forjar o "consenso geral" em favor do estilo.

O Globo Esporte, programa esportivo da Rede Globo famoso por traduzir a histeria futebolística simbolizada por Galvão Bueno, embora ele não seja o apresentador do programa, já escolheu o "Passinho do Volante", de MC Federado e os Lelekes, como um "segundo tema" do programa. O Esporte Espetacular, dominical, segue a mesma receita.

A novela Sangue Bom, que entrará no lugar de Guerra dos Sexos nas 19 horas, também privilegiará o "funk carioca", a partir do próprio título, tirado de uma gíria funqueira. E a apelação do "funk carioca" tenta conquistar até o público de meia-idade, quando, no episódio de ontem de A Grande Família, Irene Silva (Marieta Severo) fez uma dança sensual para o marido Lineu (Marco Nanini) ao som de MC Anitta.

O Bom Dia Brasil de hoje ainda mostrou o "campeonato" da "Dança do Passinho", um modismo lançado "pela Internet", mas, sabemos, com uma ajudinha da Globo. E o noticiário que tem Miriam Leitão como principal comentarista anunciou feliz da vida a "alegria" de pobres domesticados em dançar o tal sucesso dos "Lelekes", dentro da perspectiva do "orgulho de ser pobre".

Enquanto isso, a intelectualidade etnocêntrica se mexe para tentar salvar seus "semideuses". MC Leonardo e Hermano Vianna, propagandistas do "funk carioca", a exemplo de Paulo César Araújo - que não milita necessariamente pelo "funk", mas defendeu os ancestrais dos funqueiros, os ídolos cafonas - , andam sendo criticados pela opinião pública, já sofrendo crise de reputação.

Isso porque, sem seus propagandistas maiores, o brega-popularesco não poderá se sustentar sem a retórica engenhosa da qual eles são capazes de iniciar. Um discurso de pretensas vítimas para ídolos de sucesso comercial, uma retórica que simule falso teor ativista em meros modismos popularescos, tudo isso tem nesses militantes uma habilidade de tentar convencer as pessoas.

E todos eles de mãos dadas com as Organizações Globo, por mais que eles jurem estarem "à margem da mídia". E a Rede Globo, com o "funk carioca", o brega, o "sertanejo" etc, tenta criar um paradigma tendencioso e falso de "cultura popular", para amestrar as classes populares antes que elas despertem para pressões ainda maiores pela regulação midiática e pela luta contra as grandes corporações da mídia.

Daí o investimento total da Globo com o "funk", ritmo que nada seria sem o "batidão" do plim-plim.

A PRIVATARIA É IMORTAL: CAMPANHA GANHA CORPO E AVANÇA CONTRA FHC


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé lançou seu núcleo fluminense no Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, na Rua Evaristo da Veiga, 16, 17° andar, próximo à Cinelândia, na Cidade Maravilhosa. E, já em funcionamento, o novo núcleo promove hoje à tarde a campanha para registrar a candidatura do jornalista Amaury Ribeiro Jr. à Academia Brasileira de Letras, disputando com o próprio Fernando Henrique Cardoso, um dos "personagens" do livro A Privataria Tucana, sucesso editorial de 2011 e 2012.

A Privataria é Imortal: campanha ganha corpo e avança contra FHC

Por Leonardo Wexell Severo - Portal da CUT, reproduzido também no portal Barão de Itararé, blogue Conversa Afiada e no Blog do Miro

A campanha “Amaury Ribeiro Júnior na Academia Brasileira de Letras” ganhou novo impulso após a entrevista coletiva realizada com nomes pesados da blogosfera e da mídia alternativa – transmitida ao vivo pela TVT –, na noite desta terça-feira (23), no Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, em São Paulo. Durante uma hora e meia, o autor de “A privataria tucana” demonstrou as razões pelas quais sua candidatura à “imortalidade” vem mobilizando tanta gente, em contraposição à indicação de Fernando Henrique Cardoso.

Esbanjando bom humor, Altamiro Borges (Blog do Miro) e Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada)  fizeram o preâmbulo, ridicularizando o mau gosto da indicação do tucano, citado para a cadeira 36 da ABL pela pena de Celso Lafer, o submisso ex-ministro de FHC. Sem o mínimo de dignidade e respeito à representação do povo brasileiro, de forma vexatória, recordaram, Lafer retirou os sapatos para entrar nos Estados Unidos.

Amaury Ribeiro responde blogueirosAmaury Ribeiro responde blogueiros

Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania) lembrou que o silêncio dos grandes conglomerados de comunicação sobre a obra “imortal” de Amaury fala por si, e da repulsa popular à grande “obra” de Fernando Henrique, a dilapidação do patrimônio público nacional. “Na caminhada até a sede da ABL para protocolar a candidatura do Amaury vamos lançar a campanha ‘A cadeira 36 é nossa’, para que FHC não a privatize”, ironizou Sérgio Cruz, representando o jornal Hora do Povo.  

Rodrigo Viana (O Escrevinhador) condenou a tentativa de “assassinato da reputação” de Amaury, jornalista que trabalhou em O Globo, Correio Braziliense, IstoÉ, Estado de Minas, e hoje é produtor especial de reportagens na TV Record, e que já ganhou três vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. “Esses jornais que Amaury trabalhou, inclusive para a família Marinho, começaram a tratá-lo como um cidadão de segunda classe, quase como um bandido”, frisou Rodrigo, denunciando o “cerco pessoal” a que o jornalista foi submetido.

Para Joaquim Palhares, coordenador da Carta Maior, como a figura de Fernando Henrique está colada com as privatizações, “com um governo que quebrou o país três vezes”, a candidatura de Amaury representa o necessário contraponto das forças progressistas e da nação brasileira.

CONTRA DILMA, MÍDIA TIROU A MÁSCARA

Amaury avalia que os conglomerados privados de mídia tiveram um papel militante, de oposição à candidatura de Dilma Rousseff, perfilados com o tucano José Serra. “Na eleição passada a imprensa tirou a máscara mesmo, nem tentou disfarçar, e partiu para a canalhice de vez. Disseram: nós temos candidato e vamos fazer qualquer jogo sujo. Perderam a vergonha mesmo. Só não foi uma tragédia graças a vocês, que eles chamam de ‘blogueiros sujos’, que fizeram a diferença e evitaram um massacre. Se não fossem vocês, eu também estaria morto”, declarou.

Essa campanha de desinformação e calúnias da mídia tinha um propósito. “Todos os dias eles me colocavam no jornal Nacional como um bandido”, lembrou o autor, alertando que para levar Serra ao segundo turno era necessário blindá-lo e acusar os denunciantes sobre os crimes da privatização. Essa “verdadeira roubalheira” tem sido escondida, "porque não há um promotor de justiça, delegado da Polícia Federal ou juiz que não tenha o livro, só não tem apuração".

“CONCESSÃO É PRIVATIZAÇÃO”

Ao condenar a "maquiagem de privatização" atualmente em curso no país, Amaury destacou que  “concessão como a dos aeroportos,  de certa forma é privatização”. “Isso foi a maior bobagem que esse governo fez, pois conseguiu levantar uma coisa que estava praticamente morta”. [O processo de “privatizações através de concessões” foi assumido pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que tem outra avaliação sobre a “bobagem”]. Infelizmente, disse Amaury, “agora temos que ouvir a Elena Landau dizer que a Dilma é a mãe das privatizações”, o que além de ser ruim para o país, desarma a militância do ponto de vista político e ideológico e confunde a população. Essa inflexão do governo, informou, repercutiu negativamente nas vendas do seu livro, que tiveram vertiginosa queda após o anúncio dessas "concessões", jogando um balde de água fria na contundência da denúncia.

Anunciando que vem aí a Privataria II, o autor recordou que o tema das privatizações é uma marca de um momento histórico cuja “tragédia” não deveria ser jamais esquecida, pelo que representou enquanto dilapidação e entrega do patrimônio público, mas também enquanto dramas pessoais, pois “teve gente que se matou”.
Sobre a campanha popular em defesa da vaga na ABL, o autor foi enfático: “O candidato é o livro, a privataria é imortal”.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

"FHC VAI PRIVATIZAR A ABL"

 
NÃO É ESSE AMAURY JR. QUE IRÁ ENCARAR FERNANDO HENRIQUE CARDOSO NA CORRIDA PARA A ABL.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE:  Amaury Ribeiro Jr. está disposto a enfrentar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para mais uma batalha: ocupar a cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras. Amaury é um prestigiado jornalista investigativo que juntou dados e documentos para escrever seu livro A Privataria Tucana, um dos sucessos editoriais de 2011, e ainda possui munição para fazer novas revelações na continuação da prestigiada obra, um livro de verdade para uma academia que recentemente elegeu como "imortal" um reles publicador de coletâneas, Merval Pereira.

"FHC vai privatizar a ABL"

Por Vanessa Silva - Portal Vermelho


“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, se eleito, vai privatizar a Academia Brasileira de Letras. Para evitar que isso ocorra, defendemos a candidatura de Amaury Ribeiro Júnior para imortal”. Com bom-humor, os jornalistas e blogueiros presentes na coletiva de imprensa oferecida nesta terça-feira (23) na sede do Barão de Itararé pelo autor de A Privataria Tucana sintetizaram o teor da campanha lançada no último dia 8 de abril: “Amaury para a Academia porque A Privataria é Imortal”.


Nesta sexta-feira (27), a candidatura do jornalista será oficializada na ABL no Rio de Janeiro. Cerca de 100 pessoas são esperadas para o ato que contará com irreverência e bom-humor. O ato terá início no Sindicato dos Jornalistas e será acompanhado por um bloco de carnaval até a sede da ABL. Após a formalização, o encerramento será realizado no bar Amarelinho, na Cinelândia.

A disputa com FHC


Quando questionado sobre qual a sensação de concorrer à vaga com o ex-presidente FHC, Amaury se mostrou entusiasmado: “é uma honra muito grande. Na verdade, quem está concorrendo é “A Privataria Tucana” porque o livro é que é imortal. É a marca que vai ficar para sempre do governo deles. Muita gente sofreu, se matou por causa da privatização. Eu fico muito admirado porque hoje não tem um promotor, juiz, delegado que não tenha um livro”.

Bem-humorado, Amaury contou que está preparando o livro A Privataria Tucana 2 e que compôs uma salsa cubana em homenagem ao jornalista Merval Pereira, autor do livro “Mensalão”. E relatou que a nova versão de seu best seller terá personagens novos, mas também contará com a participação dos antigos atores de A Privataria. O escritor não quis adiantar os assuntos presentes no livro, mas deixou escapar que o primeiro capítulo aborda a lista de Furnas “uma verdadeira bomba atômica” e que um dos personagens da obra será o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Mídia contra o povo


Pesquisas de opinião em toda a América Latina revelaram que a população é contra as privatizações levadas a cabo por governos neoliberais. “A privatização que a mídia mostra é uma maravilha, mas na prática as pessoas sofreram. Foram verdadeiras catástrofes. A Companhia Pará de Energia, por exemplo, não indenizou as pessoas até hoje. A empresa quebrou e agora a estão devolvendo para o Estado”.

“O que nós revelamos com o livro é pouco. Pegamos só uma parte, mas tem muito mais dinheiro que sei onde está, mas não tenho provas. É muito simples: dinheiro tem que ter origem. Se alguém compra uma coisa de 100 milhões, tem que provar de onde veio o dinheiro”, exclamou ao se referir ao ex-candidato à presidência, José Serra e seus familiares. “Eu não investigo político porque eles lavam dinheiro com a mãe, sobrinho, filhos...”.

Assassinato de reputação


Amaury Ribeiro Júnior já trabalhou em O Globo, Correio Braziliense, IstoÉ, Estado de Minas, e hoje é produtor especial de reportagens na TV Record. Com mais de 50 prêmios na bagagem, ganhou três vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, mas ao ingressar neste tema, passou a receber um tratamento diferenciado por parte dos mesmos veículos para os quais trabalhou.

“Acontece que a imprensa nunca antes tinha tirado a máscara, tentava disfarçar suas posições políticas, mas na última eleição perdeu a vergonha. Até uma ficha falsa para a Dilma fizeram, partiram para a baixaria … Só não foi uma tragédia eleitoral graças aos blogs sujos e à mídia alternativa. Não fossem vocês, seria um massacre, eu mesmo estaria morto, seria aniquilado. Me colocaram como bandido no Jornal Nacional, a polícia me indiciou porque disse que eu quebrei sigilo, coisa que nunca fiz”, desabafou o jornalista.

Amaury é candidato à cadeira 36 da ABL, a mesma que será pleiteada por Fernando Henrique. “Esta cadeira 36 lembra a tragédia da Plataforma 36 da Petrobras, que afundou no governo FHC”, brinca o jornalista postulante à imortalidade.

ROBERTO CARLOS EM RITMO DE CENSURA


Por Alexandre Figueiredo

Roberto Carlos sempre foi uma figura conservadora. Mas, até 1976, ele poderia estar associado a uma modernidade cultural relativa, através de uma sonoridade pop que havia se tornado quase inédita no nosso Brasil. Quase inédita, vale lembrar.

Afinal, antes de Roberto se tornar o ídolo da juventude, outro cantor havia feito esse papel, Sérgio Murilo, conhecido por músicas como "Marcianita" e "Broto Legal". Na pré-Jovem Guarda, Roberto ainda era membro de uma banda, os Sputniks, cantava também Bossa Nova e sua gangue juvenil, além do parceiro Erasmo Carlos, tinha também como membros Jorge Ben Jor e Tim Maia.

Roberto tem seus mistérios. Até hoje ele não deu uma explicação definitiva de por que seu primeiro LP, Louco Por Você, lançado no movimentado e subestimado ano de 1961 - época de Yuri Gagarin, Jânio Quadros, João Goulart, John Kennedy, Che Guevara, Audrey Hepburn, Natalie Wood etc - , e que foi digitalizado de forma caseira e difundido clandestinamente pela Internet.

Um motivo provável é que Louco Por Você não é um disco autoral de Roberto, já que todas as canções do disco são de autoria alheia - embora subentende-se que talvez Roberto já tenha composições próprias guardadas - e o disco praticamente foi gravado sob orientação de Carlos Imperial, radialista e produtor que havia empresariado o cantor capixaba.

Mas o disco chega ser bem melhor que vários trabalhos que Roberto gravou nos anos 80, época de sua crise criativa, e mesmo os boleros e rocks (naquela linha ingênua pós-Paul Anka) são bastante simpáticos e divertidos, e a faixa-título, "Louco Por Você", poderia ser um clássico da pré-Jovem Guarda, prenunciando o estilo do cantor. E o vinil, raríssimo, costuma custar uma fortuna nos sebos reais e virtuais.

É certo que o rock introduzido por Roberto Carlos já como ídolo da Jovem Guarda - após deixar para trás um Sérgio Murilo que, fazendo turnê na Argentina, acabou sendo esquecido pelo mercado brasileiro - , em 1964, era muito comportado se comparado com o que se fazia, por exemplo, no Reino Unido.

Só para se ter uma idéia, naquela Inglaterra em começo de Beatlemania, o The Who, "provisoriamente" rebatizado como High Numbers, apavorava as famílias com as baterias ágeis de Keith Moon, o baixo vigoroso de John Eintwistle, as guitarras barulhentas de Pete Townshend e o vocal ora suave, ora gritado de Roger Daltrey.

No Brasil que ignorava o rock psicodélico já dando o ar de sua graça nos EUA e Reino Unido de 1964, preferia desenvolver seu rock nativo com influências duvidosas de Pat Boone e até do doo-wop dos Platters, enquanto um Rolling Stones se servia de Muddy Waters e Howlin' Wolf e de uma leitura mais crua do skiffle, um quase equivalente britânico do rock estadunidense dos anos 50.

Mas, em todo caso, era válida a relativa modernidade da JG que apenas de forma muito leve assimilava influências psicodélicas, como "Hang On Sloopy", dos McCoys, cuja versão brasileira foi "Pobre Menina", com Leno e Lillian, e "Pushin' Too Hard", dos Seeds, que virou "Vou Lhe Contar", com Wanderleia. Houve também a breve e curiosa fase psicodélica de Ronnie Von, um fracasso comercial que depois virou cult.

Isso sem falar dos Mutantes que havia introduzido por definitivo a psicodelia brasileira, dentro de uma criatividade rara que conquistou, mais recentemente, os estrangeiros, e que só a indigência da indústria fonográfica fez o grupo gravar seu primeiro disco em 1968, pois ele deveria ter sido lançado um ano antes. Mas isso é outra história.

Dentro desse contexto Roberto Carlos migrou da fase Jovem Guarda - em que ele assimilava de forma parcial influências de Beatles e Elvis Presley - , cortejada pelo Tropicalismo, para a fase soul, considerada a mais criativa do cantor. Até mesmo a canção religiosa "Jesus Cristo", gravada em 1969, é na verdade um tremendo soul arrasa quarteirões, tamanho o arranjo feito à música, junto ao coro poderoso.

Mas, em suas entrevistas, Roberto Carlos já deixava transparecer que era um homem de direita, logo no auge da ditadura militar, e em 1976 ele trocou a fase soul pelo romantismo piegas que fez a alegria de imitadores como Paulo Sérgio e lançava outros como José Augusto e Fábio Jr.. Era época em que as rádios controladas por oligarquias despejavam sucessos da música brega para o "povão" se esquecer da MPB.

Além disso, foi a partir dessa fase de 1976, quando a Rede Globo se comportava como se fosse o "coronel Tom Parker" do "Elvis brasileiro", que o cantor capixaba passou a mostrar suas manias e excentricidades. E o cantor passou a ter um zelo excessivo à sua imagem, mesmo sendo uma figura pública de grande projeção em todo o Brasil.

A CENSURA

Não bastasse a censura que o cantor fez à publicação do livro Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César Araújo, o "Rei" havia mandado retirar de circulação o livro Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude, originária de uma tese de mestrado da professora da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), por apresentar aspectos da vida particular dele.

Roberto não abre o jogo sequer para suas superstições, como a predileção pela cor azul, ou mesmo seus cuidados com a perna mecânica. Ele sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), mas não quer que a imprensa faça qualquer menção ao assunto.

São aspectos que nada têm de escandalosos, diante da figura sempre comportada do cantor capixaba. Perto do que são vários astros de Hollywood, são aspectos tolos de serem censurados. Perde até mesmo para a "escandalosa" vida de senhoras bem-casadas que várias "musas" do "funk carioca" ditas "solteiríssimas" vivem, com seus maridos morando em lugares ignorados pela imprensa.

O CASO DE PAULO CÉSAR ARAÚJO

Talvez Paulo César Araújo tenha sido mais feliz no seu livro sobre Roberto Carlos do que no livro sobre os ídolos bregas, Eu Não Sou Cachorro, Não. Não li o livro dele sobre Roberto, mas no livro sobre os ídolos cafonas ele perdeu muito tempo com um factoide de estudantes da PUC de Belo Horizonte e comparações tendenciosas da música brega com a canção de protesto, em teses bastante discutíveis e sem objetividade.

No entanto, é um exagero que PC Araújo seja visto como um "semideus" por uma intelectualidade mediana que, dentro de um contexto ainda conservador e provinciano da sociedade brasileira, está sedento de algum maniqueísmo.

Mesmo dentro de uma situação desconfortável de se posicionar contra o "Rei", a intelectualidade cultural dominante assumiu tal postura. Afinal, para ela Roberto Carlos era uma espécie de paradigma do que ela entendia como a "modernização da música brasileira", com uma defesa inspirada pelo carisma do cantor intermediado pelo movimento tropicalista.

Só que Paulo César Araújo tornou-se seu "guru" por ter sido o pioneiro da choradeira que se faz hoje das tendências derivadas da "cultura" brega, sejam os primeiros ídolos cafonas, seja o "funk carioca", como se a mediocrização cultural travestisse ídolos bem-sucedidos em "coitadinhos injustiçados".

É evidente que, no entanto, o livro sobre Roberto não deveria ter sido censurado. Paulo César, com todos os senões, tem total direito de lançar o seu livro. Nota-se que a censura de Roberto Carlos acaba, pelo seu moralismo rigoroso, fazendo propaganda de Paulo César Araújo e, em contrapartida, transformando este último em "herói", fortalecendo ainda mais sua aura mitológica frente à intelectualidade dominante.

É como as leis da "Bancada da Bala" (formada por políticos oriundos da polícia) proibindo os "bailes funk". Às vezes reacionarismo demais favorece o oportunismo daqueles que fizeram trabalhos de gosto ou crédito discutíveis, mas que se tornam "semideuses" por atenderem a necessidades imediatas de uma elite de admiradores e seguidores.

Entre o "Rei" e o "semideus", existe a mesma devoção, dentro de um Brasil tomado ainda de um forte conservadorismo provinciano, que se expressa até para assimilar novidades de fora, de uma forma bastante distorcida e "moderada".

REPÓRTER: PIOR PROFISSÃO (PARA OS TUCANOS)

O BLOGUEIRO RODRIGO VIANNA DÁ A DICA DE QUEM MERECE OCUPAR A CADEIRA 36 DA ABL.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ser jornalista é, de fato, uma profissão de risco, ainda mais sendo ele apenas um blogueiro. Afinal, a blogosfera anda causando violentas rupturas com o estabelecido pela grande mídia e os detentores do poder não se sentem felizes com isso, é óbvio. Mas, mesmo assim, dizer que ser repórter é a pior profissão do mundo é um grande exagero, até porque, dependendo do caso, o trabalho de repórter traz inúmeras compensações e benefícios.

Repórter: pior profissão (para os tucanos)

Por Rodrigo Vianna - Blogue Escrevinhador

Leio no Portal Terra que, num levantamento realizado por consultoria dos Estados Unidos, a categoria “repórter (jornal)” aparece no topo da lista das “piores profissões”. Ser repórter é “pior” do que ser “soldado” ou “lenhador”. Não entrei nos detalhes: pior, por que? pelos riscos? pelo estresse? pela cobrança desmedida e o salário em baixa? ou pelo fato de ser obrigado a brigar com os fatos e expor as notícias da maneira que o patrão decide?

Tudo isso pode pesar…

Por coincidência, jantei ontem com um dos maiores repórteres da imprensa escrita brasileira: Amaury Ribeiro Jr. Jantei, em termos. O que fizemos foi secar duas garrafas de bom vinho, enquanto relembrávamos boas histórias do jornalismo e da política brasileira.

Amaury sabe bem dos riscos da profissão: já levou um tiro (literalmente), quando apurava reportagem sobre violência no chamado “entorno” de Brasília; e levou muitos outros tiros quando tentaram transformá-lo no inimigo número 1 do tucanato, durante as eleições de 2010.

Tentaram assassinar a reputação do jornalista. Ex-colegas (de “O Globo”), que o festejavam como repórter “incansável”, passaram a atacá-lo em colunas, manchetes, fotos de primeira página. O jornal em que Amaury fez parte de sua carreira (jornal da família Marinho) tentou transformá-lo num “bandido”. Tudo porque ele apurou os caminhos e descaminhos do dinheiro tucano nas privatizações. E disse que transformaria tudo em livro.

Conheci o Amaury em 1997, apresentado por uma amiga comum no Rio de Janeiro  - a ótima repórter (que segue na Globo) Lilia Teles. Amaury acabara de cobrir a busca pelos corpos no Araguaia. Reportagem premiada. Logo depois, ele conseguiria um furo histórico: provou que havia ordens superiores, durante a ditadura, para que não houvesse sobreviventes no Araguaia e na guerrilha em geral. A descoberta do Amaury acabou com a tese de certa gente, que via a violência da ditadura como um “descontrole” ocasional da “tigrada”. Geisel et caterva seriam estadistas nobres, afastados de qualquer crueldade no combate diário. Amaury provou que não.

Depois, eu o reencontrei na TV Record, em 2010, para onde ele se transferiu no momento em que Globo”, “Folha”, “Veja” e “Estadão” tentavam acabar com a carreira do jornalista premiado. Amaury já não é “repórter (jornal)”. Mudou para “produtor especial (TV)”. Mas ele, em suma, é repórter. Dos bons.

Sei o que é a tentativa de assassinar reputação.Tentaram fazer o mesmo comigo, quando saí da Globo em 2006, depois de criticar a cobertura eleitoral na emissora em que trabalhava. A direção da TV colocou os amigos na velha mídia para plantar “notinhas” que me apresentavam como um “descontrolado”. Passavam um recado: “vai enfrentar os patrões? Então se prepare: não haverá lugar pra você no mercado; vai ter que trabalhar na Bulgária”. Não foi necessário.

Amaury, eu dizia, é repórter dos bons. Tão bom, que teve o nome lançado para concorer a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Trata-se de anticandidatura, claro. Um desafio ao príncipe da privataria.

Na imprensa brasileira, o bang-bang é geral. Salários caem, patrões pressionam, adversários tentam matar. E há os assassinatos de reputação.*

Mas há histórias como a de Amaury. O caso dele mostra, sim, que repórter pode ser a pior profissão do mundo: pior, para os tucanos, e para quem achou que podia mandar milhões para o exterior impunemente – contando com a conivência da mídia amiga.

Ainda há juizes em Berlim. E há repórteres no Brasil.

Abaixo, a matéria do portal Terra…

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Do Portal Terra

A consultoria americana Carreira.com listou as piores e melhores profissões nos Estados Unidos este ano e constatou que ser repórter de jornal é a carreira mais ingrata da atualidade. Dentre outras profissões consideradas ruins destacam-se: lenhador, soldado, ator, trabalhador de refinaria de petróleo, leiteiro, leitor de água e luz, carteiro e carpinteiro.

No ranking das 200 profissões analisadas, os melhores trabalhos são de atuário, engenheiro biomédico, engenheiro de software e fonoaudiólogo. O levantamento teve como critérios o ambiente de trabalho, a renda, o nível de estresse, dentre outros. Confira as melhores e piores profissões:

50 piores profissões:
1- Repórter (Jornal)
2- Lenhador
3- Soldado
4- Ator
5- Trabalhador de refinaria de petróleo
6- Leiteiro
7- Leitor de água e luz
8- Carteiro
9- Carpinteiro
10- Comissário de vôo
11- Agricultor
12- Agente penitenciário
13- Fotojornalista
14- Lavador de pratos
15- Preparador de imposto
16- Garçom/Garçonete
17- Radialista
18- Açougueiro
19- Designer de Moda
20- Doméstica
21- Militar
22- DJ
23- Estoquista
24- Comprador
25- Trabalhador de precisão
26- Trabalhador da indústria automotiva
27- Pintor
28- Costureira/Alfaiate
29- Fotógrafo
30- Operário da construção civil
31- Controlador de tráfego aéreo
32- Caixa
33- Editor de jornais e revistas
34- Bombeiro
35- Policial
36- Recebedor de mercadorias
37- Instalador de carpetes
38- Marinheiro
39- Caixa de banco
40- Engenheiro de operações
41- Lixeiro
42- Gerente de hotel
43- Serralheiro
44- Motorista de ônibus
45- Escritor
46- Executivo sênior
47- Técnico de Engenharia
48- Faxineiro
49- Agente imobiliário
50- Reparador de equipamentos elétricos

50 melhores profissões:
1- Atuário
2- Engenheiro biomédico
3- Engenheiro de software
4- Fonoaudiólogo
5- Consultor financeiro
6- Higienista dental
7- Terapeuta ocupacional
8- Optometrista
9- Fisioterapeuta
10- Analistas de sistemas da computação
11- Quiroprático
12- Fonoaudiólogo
13- Fisiologista
14- Professor universitário
15- Médico veterinário
16- Nutricionista
17- Farmacêutico
18- Matemático
19- Sociólogo
20- Estatístico
21- Físico
22- Oculista
23- Podólogo
24- Desenvolvedor de web
25- Historiador
26- Engenheiro ambiental
27- Oficial de liberdade condicional
28- Engenheiro de petróleo
29- Meteorologista
30- Geólogo
31- Gerente de recursos humanos
32 Engenheiro civil
33- Ortodontista
34- Terapeuta respiratório
35- Técnico de registros médicos
36- Astrônomo
37- Psiquiatra
38- Programador de computador
39- Gerente de mídias sociais
40- Analista de pesquisa de mercado
41- Assistente Paralegal
42- Dentista
43- Dermatologista
44- Reparador de máquina industrial
45- Médico (Clínico geral)
46- Logístico
47- Contador
48- Consultor de gestão
49- Assistente social
50- Médico assistente

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* No Brasil, há muitos exemplos de que “repórter (jornal)” está entre as piores profissões do mundo. Andre Caramante, da Folha, foi ameaçado pelo coronel Telhada (hoje vereador do PSDB em São Paulo), e vive meio escondido em São Paulo. Em Minas, repórteres são assassinados no Vale do Aço. No Maranhão, colunista (e blogueiro) de política levou um tiro e morreu quando tomava um lanche em quiosque à beira-mar (e olhe que trabalhava pra família Sarney).

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A "BOA SOCIEDADE", A POLÍCIA E OS "BAILES FUNK"


Por Alexandre Figueiredo

A "boa sociedade" adora o "funk carioca". Ou, se não gosta, acaba favorecendo sua hegemonia de qualquer forma. Até porque as questões de "gosto" ou "mau gosto" tornam-se bastante inúteis, se percebermos que, na "cultura" midiática de hoje, gostar ou não gostar não tem importância, porque "se gosta" ou "não se gosta" por influência da persuasão midiática.

Daí os protestos da "boa sociedade" em relação ao projeto de lei nº 01-00002/2013, de autoria do vereador Conte Lopes (PTB) em parceria com o coronel da PM Álvaro Camilo (PSD). Irônica essa parceria PTB-PSD, mas nada dos tempos de JK e Jango, os contextos são outros e os dois são ligados à polícia (Conte é oriundo da Rota) e ambos fazem parte da "Bancada da Bala" na Câmara de Vereadores paulistana.

A questão é muito delicada. A proposta proíbe a realização de "bailes funk" nas ruas e em lugares públicos da cidade de São Paulo, ou de qualquer outra atividade não-musical, permitindo que providências legais fossem feitas no caso de descumprimento de tais proibições. Estima-se que cerca de 300 "bailes funk" ocorrem na capital paulista e cerca de 9 mil PMs estão previstos para entrar em ação, se aprovada a lei.

A lei precisa ainda de aprovação numa segunda votação na Câmara. A princípio, a maioria dos vereadores aprovou a medida, mas há quem reclame da medida, por causa do "preconceito" contra as populações pobres. No entanto, Conte nem reprova o estilo "funk", mas outras questões que estão por trás.

Daí o aspecto delicado. Afinal, os "bailes funk" são redutos de consumo de álcool e drogas, além de produzirem poluição sonora nas altas horas da noite e da madrugada. O projeto de lei foi elaborado mediante reclamações da vizinhança da barulheira dos "bailes funk", e pelo fato de que qualquer queixa era respondida com ameaças dos envolvidos em tais eventos.

CHORADEIRA

É verdade que, da parte dos autores do projeto, há um certo ranço moralista pelo fato deles terem sido policiais, havendo a perspectiva de repressão da população pobre a pretexto de combater os "bailes funk". Mas, por outro lado, os defensores do "funk carioca", a pretexto de ampliarem seus mercados, se fazem de vítimas e exageram no tom da repressão policial que ocorre nas periferias.

“Eu me revolto porque estão querendo tirar [o funk] de todos os locais, nós também temos direitos e pagamos impostos”, disse uma mensagem enviada pela Internet à Câmara dos Vereadores, com a clara manifestação do desespero dos funqueiros que precisam ampliar suas reservas de mercado.

Evidentemente, a proibição de "bailes funk" poderia ser compensada se tais eventos fossem realizados em casas noturnas com algum esquema acústico que reduzisse a poluição sonora. O projeto de lei é bem vindo, desde que não estimule o abuso da autoridade policial e a repressão caia contra quem não tem a ver com tais "diversões".

MORALISMO EXTREMO FAVORECE O "FUNK CARIOCA"

O "funk carioca" nunca passou de um pop comercial dançante sem qualquer importância. Sua retórica "ativista" e seu pseudo-vanguardismo não foram resultantes de qualquer manifestação de ONGs ou de outros movimentos sociais. Elas vieram com uma "ajudinha" do moralismo da sociedade conservadora.

É bom deixar claro que a sociedade conservadora se divide em duas posições a respeito do "funk". Os conservadores mais ortodoxos rejeitam o gênero, por associarem a ele às classes populares induzidas a consumir o gênero.

Já os conservadores mais heterodoxos, dos quais faz parte a intelectualidade cultural dominante no Brasil, veem no "funk carioca" uma forma de controle social para domesticar as classes populares potencialmente revoltosas. Evidentemente, tentam disfarçar essa intenção com discursos confusamente sofisticados, camuflados de alegações etnográfico-ativistas, mas tal intenção elitista transparece de algum modo.

Com tantas matérias policiais na imprensa, nos anos 90, os empresários do "funk carioca" recorreram a essa campanha apologética dentro de setores conservadores heterodoxos (ou moderados) para promover um discurso "socializante" dotado de um engenhoso suporte midiático e acadêmico que pudesse dar uma imagem "positiva" ao gênero, aliciando os vários segmentos da sociedade.

Portanto, a proibição de "bailes funk" pode ser uma atitude útil à sociedade, mas sempre há o risco do moralismo excessivo alimentar o marketing do "funk carioca", que sempre trabalha sua falsa imagem de vítima para tentar comover a opinião pública. Essa choradeira toda só serve para o "funk carioca", que aposta na apologia à miséria e à ignorância, ampliar seus mercados.

Com os "bailes funk", as elites ortodoxas continuarão dormindo tranquilas. Até porque elas vivem isoladas em suas mansões e seus apartamentos fechados a prova de som. A "boa sociedade" mais flexível também fica feliz com o "funk carioca" por ver o povo pobre aderindo ao seu modelo paternalista de "felicidade popular".

Já a sociedade em geral, o povo no sentido progressista do termo, continuará incomodada com o "funk carioca" se não houver leis proibindo "bailes funk" a céu aberto. E até mesmo as periferias, com pessoas querendo dormir cedo para o trabalho do dia seguinte, também repudiam os "bailes funk", do contrário que os queridinhos da intelligentzia brasileira pensam e pregam.

O MERCADO QUER CASTRAR O PENSAMENTO ACADÊMICO


Por Alexandre Figueiredo

O capitalismo estrangeiro estaria investindo na castração do pensamento acadêmico, impedindo que surjam, no Brasil, abordagens críticas como as que se vê, no Primeiro Mundo, através de pensadores como Noam Chomsky e Umberto Eco.

Não bastasse a vaidade das elites acadêmicas em recusar-se a competir em inteligência com aspirantes a Mestrado e Doutorado, há a condição imposta pelas instituições estrangeiras "filantrópicas", como Fundação Ford e Soros Open Society, de que os projetos acadêmicos evitem ser os mais contestatórios na medida do possível.

Tais entidades estrangeiras estariam financiando toda uma blindagem intelectual que se compromete tão somente a fazer apologia da pobreza e da ignorância populares, dentro de teses já conhecidas nos meios acadêmicos através da Teoria da Dependência do sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segundo essa teoria, o Brasil só deve ser politicamente emancipado e economicamente dotado de uma relativa prosperidade, que não possa fazer frente às grandes potências, e ainda por cima sua cultura deva ser enfraquecida, submetida às regras de mercado e desprovida de qualquer produção efetiva de conhecimentos e valores sociais, além de romper com vínculos sociais comunitários.

Hoje, as "comunidades" são convidadas pela grande mídia e pelo mercado a romperem seus vínculos sociais e substituir os antigos processos pelo compartilhado consumo de "valores culturais" difundidos pela grande mídia "popular", seja ela de caráter nacional ou regional.

De bandeja, a intelectualidade precisa adotar um discurso falsamente progressista, dentro de clichês de um ativismo internacional neoliberal, em que até mesmo conceitos de "novas mídias digitais" difundidos em nada diferem essencialmente da propaganda das grandes multinacionais da telefonia atuantes no Brasil.

GLAMOURIZAÇÃO DA POBREZA

Os projetos acadêmicos precisam seguir um modelo de abordagem social que se limite a estudar, de caráter descritivo e quase nunca contestatório, os fenômenos diversos relacionados às classes populares em curso no Brasil.

Há as manifestações remanescentes de antigas expressões folclóricas, divulgadas para que investidores estrangeiros estudem um meio de "modernizá-las" sob o pretexto de "perpetuá-las". Mas há também as chamadas manifestações da "cultura de massa", como o "funk carioca", que se tornou a prioridade dessas entidades estrangeiras.

Afinal, ao lado de tradicionais elementos da cultura popular a serem tendenciosamente explorados e pasteurizados pela intelectualidade comprometida com o neoliberalismo, o "funk carioca" encaixa perfeitamente no modelo ideológico de George Soros, da Fundação Ford e outras entidades do tipo, pelo discurso dúbio e pelos simulacros de "ativismo", "rebeldia" e "modernidade" que o ritmo carioca trabalha.

O "funk carioca" em nada causa incômodo ao mercado nem ao poder midiático dominante. Em nada, vale lembrar. Ele apenas cria simulacros de elementos supostamente arrojados e polêmicos, mas que não causam ruptura alguma com o status quo e ainda por cima favorecem o próprio mercado.

O "funk carioca" representa, para a intelectualidade, uma forma politicamente correta de glamourização da pobreza, como um meio de evitar as tensões do conflito de classes, criando um pseudo-ativismo que se carateriza simplesmente pelo consumo de seus produtos "culturais", dentro de uma retórica sofisticada que, embora confusa e contraditória nos argumentos, é ricamente construída.

"PROBLEMÁTICA" SEM PROBLEMAS

Seja para evocar a religiosidade de áreas rurais, seja para evocar valores culturais autênticos, mas inofensivos ao "sistema", seja para exaltar fenômenos da "cultura de massa" dentro de narrativas "plagiadas" do New Journalism de Tom Wolfe e da mentallité de Marc Bloch, a intelectualidade brasileira é, em maioria, "aconselhada" a evitar qualquer abordagem contestatória nas produções acadêmicas.

A ideia é trabalhar "problemáticas" que não apresentem problemas, que permitam até mesmo um enunciado que prometa uma "reflexão crítica", um ponto de vista "provocador" ou um "estímulo ao debate e à reflexão", mas que não passam apenas de promessas vãs que na verdade ocultam a verdadeira intenção de exaltar o "estabelecido".

As instituições universitárias que produzem tais teses, diante dessa condição, acabam determinando o "embelezamento" pretensamente científico de suas teses, ocultando um conteúdo nada científico que apenas analise, em caráter descritivo, a fenomenologia sócio-cultural dos diversos agentes da sociedade brasileira.

AJUDINHA DA REDE GLOBO

Nesta "problemática sem problemas", as Organizações Globo, sobretudo através da Rede Globo de Televisão, contribuem com as elites acadêmicas na elaboração de um perfil de "cultura popular" que seja corroborado pela intelectualidade dominante, dentro de um projeto de glamourização da pobreza e na promoção de um "inconsciente coletivo" que possa disfarçar o poderio midiático dominante.

Afinal, a Globo tornou-se capaz de lançar hábitos, ideias, conceitos e estereótipos que o público assimila sem se dar conta de que foi a grande mídia "global" que o fez pensar assim. E, em se tratando de uma "cultura popular" estereotipada e pasteurizada, a atuação da Globo em promover esse "inconsciente" se torna bastante eficaz, já que até psicólogos são contratados para a Globo para fazer consultoria.

Através desse "inconsciente", a classe acadêmica sustentada pelo capitalismo estrangeiro - mas tentando fazer proselitismo nos setores medianos das esquerdas - cria um paradigma de "cultura popular" bastante inócuo que, mesmo não correspondendo à realidade concreta em primeira instância, torna-se um modelo de compreensão "verossímil" e "eficiente" no respaldo da sociedade.

Desse modo, o poder midiático que castra o pensamento crítico acadêmico, barrando da pós-graduação mentes "incômodas", tenta legitimar seu modelo de "cultura popular" através de uma construção da "realidade" que encontre sustentação na grande mídia de forma que a maioria da sociedade dificilmente possa perceber. Mesmo as esquerdas médias.
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