segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

TRENSALÃO PODERIA ATROPELAR PSDB. BARÕES DA MÍDIA NÃO DEIXAM


Por Alexandre Figueiredo

Um dos maiores escândalos políticos de São Paulo poderia render um desgaste de proporções homéricas e de efeitos irrecuperáveis para o PSDB. O escândalo do Trensalão, que envolveu planos de superfaturamento e favorecimentos políticos que incluíram até mesmo a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso, poderia representar o fim da era dos tucanos.

No entanto, a grande mídia tenta socorrê-los, minimizando o máximo - que coisa curiosa, "minimizar o máximo"! - das denúncias e da divulgação dos fatos investigados. A mesma grande mídia que fala em "liberdade de informação", em "bom jornalismo" e em "cobertura transparente", quase não age para trazer ao público as denúncias sobre o esquema de corrupção do PSDB.

É um escândalo que mais parece um spin-off da tragicomédia da Privataria, quando Fernando Henrique Cardoso comandou um esquema de venda de estatais que enriqueceu os cofres particulares dos políticos tucanos e seus aliados, sob a colaboração do banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity, exímio manipulador de dados econômicos e também beneficiário do esquema.

Portanto, em quinze anos, o PSDB se valeu do dinheiro privado para fortalecer seu esquema financeiro particular e o dinheiro de seus aliados empresariais para fortalecer privilégios e garantir o poderio político e econômico. Se não mais no âmbito federal, pelo menos em São Paulo, maior reduto político dos tucanos.

A imprensa paulista apenas noticia parcialmente o escândalo porque a coisa está evidente demais para ser escondida. Mas os dois principais jornais, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, mais a revista Veja, dão um tratamento estranho ao caso, num esforço de livrar o PSDB e seus caciques de responsabilidade pela corrupção.

O tratamento tenta dar a impressão de "mal-entendido". Quase sempre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aparece "cobrando" investigações sobre irregularidades na licitação de trens na capital paulista. Como se ele nada tivesse a ver com o assunto.

E tem. Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Alckmin, Aloysio Nunes e até mesmo o falecido Mário Covas, entre tantos outros, foram artífices e beneficiários da corrupção feita em leilões e licitações, manipulando índices econômicos, valores para superfaturamento e outras manobras em prol de seus privilégios pessoais.

Aécio Neves deve ter lá seu esquema, por ser ele mineiro, e talvez ele também "coma quieto" diante de tais denúncias. Mas o escândalo que envolve ele é outro, que é a acusação contra a família Perrella (o senador Zezé e seu filho, deputado federal Gustavo Perrella), de notáveis políticos locais, de envolvimento com o tráfico de drogas.

A grande mídia, se não consegue agir em silêncio ou em omissão, prefere manipular os escândalos. E as Organizações Globo, através do Jornal Nacional e do jornal O Globo, que "orientam" feito bússola outros veículos jornalísticos da casa, mais parece pegar carona no episódio do que fazer um trabalho à parte em relação ao caso.

Além de imitar, feito papagaio de pirata, as mesmas posturas da Folha e do Estadão, as Organizações Globo parecem não quererem ir adiante, tamanho o desinteresse do caso. E gente como Ali Kamel e Merval Pereira, só para citar alguns nomes mais influentes na corporação, também nem querem saber do caso, preferindo o quase silêncio em favor dos tucanos.

Os barões grande mídia querem manter o PSDB em pé, nem que seja preciso recorrer a Joaquim Barbosa, presidente do STF, para mexer com as peças do tabuleiro político. Seja para mantê-lo como único contraponto para o PT, seja como representante fiel dos interesses das elites.

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