quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

SÉRGIO CABRAL FILHO USA "FUNK" PARA TENTAR REVERTER IMPOPULARIDADE

O GOVERNADOR DO RJ, SÉRGIO CABRAL FILHO, DESOBEDECE O PAI, O HISTORIADOR SÉRGIO CABRAL, QUE HAVIA ALERTADO SOBRE OS PROBLEMAS DO "FUNK CARIOCA".

Por Alexandre Figueiredo

No esforço desesperado de resolver a decadência retumbante, o "funk carioca", alarmado com a chance de ver seu similar paulista ser proibido de ter festas nas ruas durante a madrugada na cidade de São Paulo, conta agora com o apoio político para tentar reverter sua situação.

Desta vez, é a Secretaria Estadual de Cultura (SEC), do Governo do Estado do Rio de Janeiro, cujo titular é Sérgio Cabral Filho, que lançou, no último domingo, nos Arcos da Lapa, a Chamada Pública para Projetos de Bailes e Criação Artística no Funk, dentro da Feira de Arte Urbana (FAU).

Segundo os dados oficiais do evento, a SEC dará um financiamento de R$ 20 mil reais para os chamados "bailes funk" e R$ 15 mil para  projetos que se enquadrarem nas seguintes categorias: produção musical, circulação artística, audiovisual, memória e comunicação.

Poderão participar da Chamada Pública as pessoas físicas, os chamados grupos informais ou as pessoas jurídicas de direito privado, que tenham comprovada atuação no "movimento funk" há pelo menos dois anos.

Embora seja um projeto tido como "de âmbito artístico-cultural", ele é, na verdade, um projeto político. Contrariando a postura cética e desconfiada do historiador Sérgio Cabral, o filho deste, o governador Sérgio Cabral Filho, sempre adotou uma postura favorável ao ritmo.

A medida é uma tentativa de usar o "funk carioca", que tem um forte apelo de massa, apesar de ser duramente criticado pela sociedade - e sobretudo pelas periferias - , para tentar reverter a impopularidade do governador, considerado em pesquisa recente como um dos quatro piores do Brasil.

O "funk", por sua vez, com suas denúncias de ligações com o crime organizado, as drogas, e pela própria mediocrização artístico-cultural do gênero, que aposta na apologia à miséria, à ignorância e à imoralidade, tem no Estado um meio de "limpar a imagem", garantindo mais visibilidade a seus envolvidos, que já contam com o apoio explícito dos barões da grande mídia.

O evento da SEC existe desde 2011. Desde 2009 o "funk" é considerado oficialmente "movimento cultural de caráter popular" por vias político-partidárias. No mesmo evento, será lançado o livro 101 funks que você tem que ouvir antes de morrer, de Júlio Ludemir, produzido sob financiamento do governo fluminense.

O livro, provavelmente, irá misturar os alhos com bugalhos entre o funk autêntico (James Brown, Earth Wind & Fire, Tim Maia e outros) e o chamado "funk", entre aspas. Este "funk" havia rompido com qualquer tipo de estrutura artístico-cultural com o funk original, inclusive no uso de instrumentos e na produção de melodias e arranjos.

Durante anos o "funk" que é conhecido também como "pancadão" e "batidão" esteve isolado e indiferente ao funk original. O ritmo carioca é marcado pela estrutura hierarquizada de DJs, MCs e dançarinos, vetando que, por exemplo, MCs toquem instrumentos ou se produzam melodias e arranjos.

Só nos últimos anos, quando o "funk" passou a adotar um discurso supostamente ativista, o ritmo tenta vínculos e alusões com tudo o que for relevante na cultura e no comportamento, do samba ao punk rock, da Revolta de Canudos à Semana de Arte Moderna, de Vinícius de Moraes a James Brown, sempre de maneira tendenciosa, oportunista e demagógica.

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