quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

QATAR É QUE NEM BRASIL. SÓ QUE LÁ O CENSO NÃO FAZ MAQUIAGEM


Por Alexandre Figueiredo

Um levantamento do Qatar Statistics Authority, sobre a população do país, constatou que o país tem o maior índice de maioria masculina na população. O país se situa na Ásia, na região do Oriente Médio, e faz parte dos chamados emirados árabes.

A população foi estimada, em dados de 2010, em 2.068.050 habitantes, sendo 1.534.376 homens e 533.674 mulheres. Com base nos dados da Qatar Statistics Authority, a ONU estimou que há três anos atrás havia uma proporção de 312 homens para cada grupo de 100 mulheres. Levantamentos recentes reduziram a diferença de 287 para 100, mas a maioria masculina continua.

No Qatar, a diferença de quantidade entre homens e mulheres só não é vista nas casas noturnas, segundo informa o fotógrafo brasileiro Vinícius Lopes, que mora no país, porque vários homens não têm dinheiro para pagar ingressos a esses locais. Há também o caso de muitos homens que vão dormir cedo porque precisam trabalhar no dia seguinte.

No Brasil, dados oficiais de 2010 apontam para a proporção de 97 homens para 100 mulheres. No entanto, além do contexto sociológico contradizer dados de 1960 - quando havia, no Brasil, uma proporção de 104 homens para 100 mulheres - , devido às tragédias crescentes que atingem mulheres na vida moderna, os dados oficiais seguem mecanismos adotados desde a ditadura militar.

Nessa época, para defender interesses de cunho turístico e hoteleiro, o IBGE teria mudado os critérios de censo eliminando um número considerável de homens de sua população, através de dois extremos da pirâmide sócio-econômica do país.

De um lado, executivos e profissionais liberais que viajam muito para o exterior ou mesmo dentro do país seriam excluídos do censo por não estarem em habitações fixas, o que leva muitas mulheres casadas a serem descritas como "solteiras" por muitos recenseadores.

De outro, um grande contingente de homens, em maioria vindos do exterior e sendo negros ou de ascendência índia e geralmente muito pobres, que não são creditados nos dados censitários. Segundo os critérios adotados na ditadura militar, a ocultação desses homens dos dados censitários seria uma forma de evitar o aumento da dívida social no país.

Os que são creditados nos dados do Censo do IBGE, em boa parte, são atribuídos às cidades do interior de origem, quando já se tornaram, há tempos, habitantes de muitas capitais litorâneas, sobretudo do Nordeste, que oficialmente apontam maioria feminina na população, mas na vida cotidiana mostra-se o contrário.

De 1960 para cá, a vulnerabilidade das mulheres brasileiras aumentou, através da criminalidade, da violência conjugal, dos acidentes de trânsito, dos erros médicos e das doenças resultantes de vícios modernos, como o fumo e o alcoolismo.

Atualmente, existe uma proporção extra-oficial de 103 homens para cada grupo de 100 mulheres no Brasil. Estima-se que os homens que deixam de ser incluídos nos dados censitários correspondem a desempregados, moradores de ruas e criminosos e que, em sua maioria, moram em locais nas favelas de difícil acesso para os recenseadores, seja pela intimidação de criminosos, seja pelos caminhos em si.

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