segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

"FUNK" APOSTA ATÉ EM CANTORAS MENORES DE IDADE PARA MANTER SUCESSO


Por Alexandre Figueiredo

O "funk", desesperado com seu desgaste, apela para tudo. E a cada dia recorre ao desespero, desde a divulgação "informal" de rapagões sarados com seus carrões até advogados escrevendo livros "explicando" que o "funk" é rejeitado por causa de valores morais de 1910.

A mais nova armação do "funk" está em contratar "novinhas" - como o jargão funqueiro denomina as menores de idade - para interpretar sucessos do gênero e expressar o cada vez menos disfarçável poderio empresarial que está por trás dos ídolos funqueiros.

Duas meninas se destacam nessa leva, ambas estranhamente vindas do Rio Grande do Sul, o que indica o quanto o Sul do país anda soterrado pelas ondas popularescas, que atingem não só o interior do Paraná, como era imaginável em outros tempos, como até mesmo capitais como Florianópolis, em Santa Catarina, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Uma é a cantora de "funk melody" MC Mali, de 17 anos. Espécie de sósia "sem sal" da atriz do seriado norte-americano de TV Modern Family, Ariel Winter, MC Mali é empresariada por MC Koringa, espécie de genérico do astro Naldo Benny que só faz sucesso em trilhas de novela da Rede Globo.MC Mali já gravou um EP e segue literalmente o rastro de Anitta, com o sucesso "Sou Poderosa".

Já a MC Dudinha, de 14 anos, aposta no "funk ostentação", ritmo que andou na moda do "dirigismo cultural" ditado pela intelectualidade dita "bacaninha". Empresariada pela SK8, ela simboliza o foco do mercado funqueiro para o público adolescente das escolas, atraindo ainda mais a demanda "di menor".

Como estratégia, os empresários de MC Dudinha inseriram a garota em vídeos nas redes sociais. As redes sociais são uma estratégia publicitária de divulgação, para evitar que o jabaculê seja desmascarado. Além disso, o mercado de rádio FM está afunilado e não se jogam ídolos novinhos direto para a blindagem intelectual. Por isso a estratégia de jogar no YouTube e no Facebook.

MC Dudinha tem irmão mais velho que sempre ouviu "funk" e, por isso, havia "decidido" se lançar no ritmo através de um vídeo "caseiro". A garota disse que as músicas "Vem Novinho" e "Bandida Patroa" já começam a fazer sucesso entre seus amigos na escola.

O grande problema disso é que o "funk", marcado pelo seu conteúdo abertamente pornográfico, ao atrair o público adolescente realça ainda mais a sexualização precoce desses jovens. O problema não é ser castiço ou não, mas a sexualidade entre menores pode se tornar desenfreada e criar sérios danos na vida futura.

Essa constatação nada tem de moralista. Que menores têm sexualidade florescente, isso é verdade. Até mesmo eu tive. Mas o descontrole e o estímulo dado a músicas "sensuais" para o público infanto-juvenil podem fazer com que os adolescentes se tornem adultos com impulsos sexuais mais fortes, gerando os problemas de ordem social que a gente vê por aí.

Além disso, o mercado funqueiro, ao apostar em ídolos menores, só reafirma a ganância de seus ricos empresários em atrair o público adolescente, que é mais impulsivo na adesão ao consumo. Como no caso de muitos donos de bares, que fornecem cerveja para menores porque isso atrai mais dinheiro. 

Com o mercado funqueiro focado na gurizada, os "pobres" empresários ricos do "funk" se tornarão ainda muito, muito mais ricos, na medida em que terão nas mãos uma demanda que irá comprar de forma bastante obsessiva os produtos e mercadorias associados ao gênero. Isso é mal.

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