terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A "REVOLUÇÃO VERDE" NA MPB?

ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO SÃO ELEITORES DE RONALDO CAIADO. É PRECISO DESENHAR PARA EXPLICAR?

Por Alexandre Figueiredo

Já havíamos questionado o mito da "Reforma Agrária na MPB", em texto publicado meses atrás, mas a intelectualidade dominante não toma jeito. Ela quer prevalecer sua visão, usando um jargão esquerdista para defender uma causa nada esquerdista: a de expansão de mercado da bregalização cultural brasileira, sob o pretexto de uma falsa rebelião popular.

A intelectualidade "bacaninha" quer porque quer que a bregalização esteja imune a tudo e saia ilesa até mesmo dos processos de regulação da mídia, como se essa suposta "cultura popular" não tivesse sido patrocinada pelos barões da mídia e pelo latifúndio.

Mas são. E muito. Do Oiapoque ao Chuí, as tendências ditas "populares" que tocam nas rádios e nas TVs, elas mesmas vinculadas a grupos oligárquicos nacionais ou internacionais, não são imunes a esse contexto. Que "reforma agrária" elas representam?

Nenhuma, a não ser a "reforma agrária" admitida pela direita, sobretudo o modelo de "reforma agrária" que um partido conservador como o antigo PSD, ou mesmo setores da antiga UDN, podiam aceitar: com indenização em dinheiro vivo para os "coronéis" que cedessem suas terras.

A "reforma agrária na MPB", como pregada por certos intelectuais "bacaninhas", dotados de muita visibilidade e prestígio, segue essa mesma visão udenista. Derruba-se a MPB e põe no lugar o brega e seus derivados, que apesar de simbolicamente associados às classes populares, satisfazem os interesses políticos e econômicos dos grandes proprietários de terras.

QUANTOS AGRICULTORES MORTOS VALEM UM GRUPO DE "FORRÓ ELETRÔNICO"?

É só ver que muitos ídolos "sertanejos" e "forrozeiros" são patrocinados pelos mesmos grandes fazendeiros que se aliam ao grande capital e, em certos casos, mandam exterminar agricultores, sindicalistas, seringueiros, missionárias, radialistas e o que vier como "pedra" no caminho do coronelismo dominador.

Isso porque é necessário o entretenimento brega-popularesco para que se diminua o banho de sangue nas roças e sertões. Da mesma forma, a contravenção, sejam milícias e o jogo-do-bicho, financiam o "funk" para diminuir o banho de sangue nas favelas e subúrbios, os milicianos e bicheiros são os "latifundiários" urbanos diante desse contexto de exploração e domínio.

Daí se imagina quantos agricultores mortos seriam necessários evitar diante do entretenimento desmiolado e caricato dos grupos de "forró eletrônico" e suas posturas apátridas, sem qualquer tipo de preocupação com a regionalidade cultural? Ou seria preciso aumentar ainda mais os cadáveres e criar uma roça acéfala que esteja receptiva aos processos de imbecilização cultural?

O que é certo é que o poder latifundiário apoia a bregalização do país. As "Fazendas Modelo" passam muito longe de figuras como Chico Buarque e Francis Hime, ou de Rita Lee vociferando contra os rodeios.

Tais "fazendas" passam perto dos "coitados" Zezé di Camargo & Luciano, que disfarçaram com verniz progressista suas preferências eleitorais por Ronaldo Caiado, o deputado líder dos ruralistas que se manteve firme no mesmo DEM parceiro político do PSDB, sobretudo em São Paulo.

Essa suposta "cultura popular" é na verdade a "revolução verde" que o coronelismo midiático, político e econômico quer que prevaleça, derrubando a MPB autêntica dotada de opinião, de boas ideias e boa arte. Que se derrubem as questões estéticas, que são a qualidade de vida em forma de cultura. As oligarquias querem um povo mais brega, mais conformista, mais medíocre possível.

Não há como falar em "reforma agrária na MPB" se as tendências envolvidas têm o apoio mais claro das Organizações Globo, da Folha de São Paulo, do Grupo Abril, das "transnacionais", do latifúndio. A tal "cultura transbrasileira" é a "cultura" das "transnacionais", um paradigma de "cultura popular" que a CIA e George Soros acham melhor para o povo brasileiro.

Isso porque essa "cultura popular" de bregas, tecnobregas, "sertanejos", axézeiros, funqueiros e outros campeões de vendas e perdedores em transmissão de cultura, criam um verniz de "ativismo popular" que não incomoda rigorosamente os interesses dos detentores do poder.

INTELECTUALIDADE PRÓ-BREGA ESTÁ NO LADO DOS LATIFUNDIÁRIOS

Esse processo apenas "incomoda" as supostas elites esclarecidas, "demonizadas" pela intelectualidade dominante, acusadas de querer que a cultura brasileira se reduza à Bossa Nova e algumas poucas expressões "sofisticadas" de nossa cultura musical.

Não. O que queremos é romper com a bregalização cultural. Esse rompimento, sim, é que é a verdadeira reforma agrária na MPB, porque queremos de volta a cultura de verdade, não mais pelo filtro de alguns breguinhas mais pretensiosos, que acham que vão fazer "MPB séria" às custas de uma reprodução tecnicista de clichês da "boa MPB".

Não queremos axé-music, breganejo, sambrega, "funk", "forró eletrônico", tecnobrega nem outros ritmos que nem de longe incomodam o poder dominante. Até porque, queira ou não queira a intelectualidade "bacaninha", os barões da mídia e os latifundiários adoram muito essa forma de "cultura popular". Que "reforma agrária" é essa?

Vai o Emicida participar num evento de sorteio para a Copa do Mundo da FIFA, fazendo a festa para Joseph Blatter e José Maria Marín, testas-de-ferro dos problemáticos João Havelange e Ricardo Teixeira. Vai ele abraçado a Caetano Veloso nas horas tumultuadas do Procure Saber, vai o Emicida abraçado aos barões da Globo, da Folha, de Caras... Que "reforma agrária" é essa?

Vamos romper com a bregalização cultural. A intelectualidade vai morder os beiços, mas ela mesma não é o povo. Ela não entende de povo, acha que povo bom é povo abobalhado, consumista, caricato, cujo riso patético enche de orgulho os intelectuais brasileiros "de nome", porque garante a "paz social" que essas elites "pensantes" tanto gostam.

O que intelectual quer não é a emancipação popular da verdadeira reforma agrária. Não levemos a sério seu discurso pseudo-esquerdista de "reforma agrária na MPB", até porque um Pedro Alexandre Sanches, a exemplo de Joaquim Barbosa, só quer se jogar para a plateia a partir de expressões tão tendenciosas.

O que a intelectualidade dominante quer é voltar para casa sossegada sem ter que tirar satisfações com porteiros, faxineiros, camelôs, domésticas etc sub-assalariados, sub-escolarizados e sub-respeitados. Quer voltar para casa, de preferência, fechando as janelas de seus carros aos pedintes, mais pobres e injustiçados que os funqueiros que a intelectualidade tanto exalta.

Portanto, o que a intelectualidade cultural dominante, pró-brega, pró-funqueira etc e tal, quer é o mesmo conformismo popular que os latifundiários que controlam uma grande parcela de terras de nosso país quer para o povo de suas áreas. Uma "paz social" forçada, que garante o poder coronelista e seus privilégios.

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