quarta-feira, 6 de novembro de 2013

VEJA SP, O "REI DO CAMAROTE" E OUTRAS OSTENTAÇÕES


Por Alexandre Figueiredo

O último hype da mídia direitista pode não ser, a rigor, o feroz Reinaldo Azevedo aumentando sua visibilidade acumulando espaços na Internet e na imprensa escrita, talvez sonhando com um espaço na TV. Até porque Reinaldo já é quase uma raposa velha, embora situada num contexto de jornalistas e intelectuais emergentes no "olimpo" midiático brasileiro.

O figurão da mídia direitista acabou sendo mesmo o empresário Alexander de Almeida, o "Rei do Camarote", símbolo de toda a riqueza e ostentação da vida noturna brasileira. O rapagão, quase homônimo meu - ou talvez exatamente meu xará, se levarmos em conta que Alexander pode ser pseudônimo - , tem 39 anos, ou seja, três anos a menos do que eu.

Mas Alexander está à minha frente, com certeza, financeiramente. Até porque eu sou apenas um blogueiro de classe média. Já o rapagão boa-vida é um sujeito considerado "bem sucedido", e foi retratado pelo suplemento paulista de Veja, a  Veja SP (ou Veja São Paulo), como exemplo de "alguém especial" no mercado da vida noturna da cidade.

Devemos nos atentar, porém, com o termo "balada", que os jornalistas andam escrevendo soltamente, sem aspas. Isso porque a denominação corresponde justamente ao que a mídia direitista define como "vida noturna". Triste cacoete dos brasileiros assimilarem o "vocabulário de poder" da grande mídia brasileira. Robert Fisk ficaria desapontado.

Pois a Veja SP retratou Alexander de Almeida de forma bastante positiva, extraindo dele as dicas de como ser um figurão da "noite" paulistana. As dicas envolvem muito gasto em dinheiro para objetos de luxo, carrões, festas, além de atrair contatos influentes que farão o "rei da noite" parecer uma grande estrela em seu meio.

Surgem denúncias que indicam que Alexander não passa de uma farsa plantada pela Veja SP. Talvez uma daquelas farsas como a do Marcelo Nascimento, que deu no livro e filme VIP, o famoso cafajeste que se passou por filho de empresário da Gol e enganou até mesmo o colunista social Amaury Jr. E, assim como o "Rei dos Camarotes" é meu xará, o outro é xará de meu irmão.

Em todo caso, o perfil de Alexander é de deixar boquiaberto aquele típico internauta reacionário metido a progressista que existia aos montes no Orkut (sobretudo em comunidades do tipo "Eu Odeio Acordar Cedo", espécie de pátio recreativo virtual para alunos do Curso Intensivo Neocons do Amanhã).

É um internauta que, descontando os puxa-saquismos a Che Guevara e a tudo que parecer vanguardista ou progressista, se deslumbra com a ideia de dinheiro fácil, fama, visibilidade, bens materiais, curtição obsessiva e, principalmente, apego à "vida noturna".

Além disso, esse internauta neocon é um consumista ao extremo, que só "odeia" o imperialismo e o FMI por uma simples "etiqueta" juvenil, mas que se entrega ao mais típico imperialismo cultural, endeusando o hit-parade norte-americano como se fosse algo divino.

Para esses internautas que, no fundo, são fantoches da grande mídia, a figura de Alexander de Almeida é o símbolo da felicidade que procuram, dentro daquele perfil "é déiz (sic)", "tudo de bom", "da paz" e "show de bola" de que tanto falam nas redes sociais.

E Veja SP fez essa "galera" (prestemos atenção nas aspas, porque é outra gíria bem ao gosto da mídia direitista) cair no delírio. Mas é também a mesma Veja SP que havia feito uma reportagem bastante favorável ao "funk ostentação", recente hype nas esquerdas médias.

O "funk ostentação", muito antes de fazer sua choradeira nos circuitos progressistas menos radicais, já havia entrado pela porta da frente na Rede Globo, da Folha de São Paulo e de Veja SP, fazendo o jogo duplo de se sentir vitorioso na mídia direitista e se passar por injustiçado na mídia esquerdista.

O  "funk ostentação" exalta os mesmos "benefícios" de Alexander de Almeida. Fala de carrões, mulheres saradas, dinheiro, joias, mansões e badalações noturnas, numa presunção que só de leve difere do "funk carioca" na medida em que este prefere adotar uma falsa humildade e um pseudo-ativismo.

E se Veja SP elogiou o "funk ostentação", numa reportagem elogiada por seus internautas, tinha que dar no caso do "Rei dos Camarotes". São ostentações, é a ideologia dos fetiches de riqueza e visibilidade, da fama supérflua, do acúmulo de bens materiais, da curtição vazia, do consumismo sem cidadania, da badalação cega em que o prazer foge de medo.

Afinal, noitada não é prazer. É tão somente a busca de um prazer que nunca aparece, como em todo vício que busca desesperadamente a alegria que já foi embora. E Veja SP marcou um ponto negativo com a "reporcagem" com o "Rei dos Camarotes". Uma verdadeira aula de como NÃO se deve fazer jornalismo, com direito ao uso gosmento da gíria "balada" e tudo.

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