segunda-feira, 25 de novembro de 2013

THIAGUINHO: O "JOAQUIM BARBOSA" DA MÚSICA "TRANSBRASILEIRA"?


Por Alexandre Figueiredo

O Supremo Tribunal do Farofafá decretou: abaixo a MPB. Depois de passados os ventos do Procure Saber, a intelectualidade cultural dominante, guiada por um lado pelos "navegadores" fora-do-eixo da Globo News e, por outro, pelos fukuyamianos pós-tropicalistas (e também fora-do-eixo) do Farofafá, quer instalar a bregalização absoluta do país.

Podemos até falar numa relativa analogia a José Dirceu e Chico Buarque, ambos ex-heróis de 1968 e seres humanos dotados de erros. Dirceu cometeu erros mais graves, pois, quando convinha, se aliou a Marcos Valério, o verdadeiro chefe do mensalão, para obter vantagens mais fáceis para o PT. Mesmo assim, a imprensa reacionária exagera no tom na condenação dos petistas mensaleiros.

Neste sentido, pode-se comparar Dirceu a Buarque - cujos erros estão numa mal explicada proibição de novas montagens para uma antiga peça sua, a histórica Roda Viva - pela fúria cega com que jornalistas e intelectuais fazem contra eles, confundindo crítica enérgica com rancor puramente calunioso e depreciativo.

É algo comparável, por exemplo, à fúria que os rebeldinhos pseudo-roqueiros, que ouviam alegremente a Rádio Cidade no Rio e a 89 FM em Sampa há dez ou quinze anos atrás, que pregavam a demolição do Congresso Nacional e a extinção do Legislativo a pretexto de combater a corrupção política que, de fato, lá ocorria e continua ocorrendo.

Neste sentido, se a imprensa reacionária elegeu como herói o tendencioso jurista Joaquim Barbosa - que se apressou em elogiar as Organizações Globo e a cortejar até a reacionária revista Time, o que rendeu um bom cargo para seu filho na Rede Globo - , a intelectualidade que quer derrubar a MPB elegeu Thiaguinho como o "salvador da pátria".

Para a intelectualidade, Thiaguinho é o contraponto para o "difícil" Chico Buarque. O "pagodeiro" é querido das colunas sociais, têm cadeira cativa nas Organizações Globo, namora atriz global, adota aquela "transparência"que o faz uma espécie de "Joaquim Barbosa" da música "transbrasileira" (ou "transnacional", vide o FHC que está por dentro de intelectuais "bacanas").

O que faz intelectuais culturais que, quando lhe convém, fingem odiar a Rede Globo e a Folha de São Paulo - deixando vazar uma frustração de Pedro Alexandre Sanches não ter se tornado um Álvaro Pereira Júnior - , eleger o "príncipe do pagode romântico da Globo" nas suas pregações na mídia esquerdista é um grande mistério.

Pois não há como pedir a tal "reforma agrária na MPB" adotando como queridinho justamente um cantor que é o símbolo da "música popular de proveta" que tanto agrada os executivos das Organizações Globo.

Usar Thiaguinho como paraninfo de uma suposta "reforma agrária na MPB" soa o mesmo que eleger William Bonner como símbolo dos movimentos para a democratização dos meios de comunicação sob os moldes esquerdistas. Não faz sentido. Não procede.

A intelectualidade cultural dominante deveria assumir que adora os barões da grande mídia. Seus conceitos de cultura popular são do mais explícito neoliberalismo. Com alguma sorte, Pedro Sanches poderá até mesmo fazer parte do Navegador da Globo News, basta pedir ao seu amigo Ronaldo Lemos, companheiro de devaneios tecnobregamelodiosos.

O que não pode é fingir aversão ao poderio da grande mídia, quando defende justamente as concepções de cultura transmitidas por esse mesmo poderio. A opinião é livre, mas é preciso coerência e honestidade ideológica.

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