quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O REI DO CAMAROTE E SEUS IRMÃOS DA PERIFERIA

CIDADANIA? O funqueiro MC Gui (não confundir MC Guimé, apesar de estarem no mesmo "bonde") largou os estudos e, mesmo menor de idade, já posa ao lado de carrões cantados nas letras de seus sucessos.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: As esquerdas médias estão em desespero. O texto abaixo põe tanto o "Rei do Camarote" quanto o "funk ostentação" no mesmo balaio, desta vez numa análise contestatória bastante válida, do contrário do cartaz positivo que a Veja São Paulo deu a ambos (para desespero de nossa intelligentzia que tanto queria exaltar o "funk ostentação").

O Rei do Camarote e seus irmãos da periferia

Por Marco Antônio Araújo - Blogue O Provocador

O Rei do Camarote colocou em evidência um estilo de vida que poucos conseguem manter, mas muitos desejam. Talvez por isso a triste figura do empresário coxinha tenha despertado tanta fúria (e inveja) nas redes sociais.  Essa fantasia típica do capitalismo selvagem se torna doentia quando observamos que ela se manifesta de forma epidêmica exatamente entre os mais pobres.

Isso é evidente quando consideramos o crescimento do chamado funk da ostentação entre os jovens da periferia. Mais do que a decadência moral que suas letras comportam, o que preocupa é a completa falência do que já foi nosso maior patrimônio cultural: a música brasileira. É devastador.

Basta um exemplo, bem atual: o tal de MC Gui, um pirralho de 15 anos que abandonou os estudos para faturar R$ 120 mil por mês esbaforindo, com sua voz adolescente, a letra de “Ela Quer”, cujo vídeo já superou a marca de 3 milhões de visualizações no YouTube.

O infante faz em média 50 shows por mês. Não falta plateia para ouvir preciosidades como “Ela quer minha Lamborghini, ela quer o meu Camaro, ela só quer saber de tomar champanhe, e do mais caro”. É disso que se trata.

O funk, trilha sonora de traficantes e marginais, criou uma filial para tratar do que interessa de fato para a maioria dos jovens desvalidos: enaltecer o que há de pior nas elites. É como se a Senzala invadisse a Casa Grande apenas para ocupar o lugar de seus opressores.

Ostentação, individualismo, desprezo pelo trabalho e a exaltação de bens materiais como um fim em si mesmo.  Os ícones são os mesmos: carrões, iates, roupas de grife, joias, mulheres, bebidas importadas. Estamos condenados: desse caldo não sairá nada de bom. Quanta pobreza.

Já fomos um país inteligente, com uma música popular de altíssimo nível. Mesmo o brega e o pagode de outrora destilavam poesia, paixão e coragem. Até o samba da malandragem tinha talento e dignidade. Agora é porrada. Pancadão.

Uma elite ignóbil, pobres ignorantes e uma classe média egoísta. Não tem lugar pra tanta gente nos camarotes.

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