sábado, 16 de novembro de 2013

INTELECTUALIDADE PRÓ-BREGA DIZ "SIM" PARA AS ORGANIZAÇÕES GLOBO


Por Alexandre Figueiredo

Tudo pelo "popular". Parece uma adaptação de um lema do governo de José Sarney, o antigo udenista que depois do fim da ditadura militar passou a trabalhar o fisiologismo político. Mas é a campanha da intelectualidade que trabalha a bregalização do país.

Essa intelectualidade, sabemos, faz proselitismo na mídia de esquerda e tenta influenciar mesmo alguns esquerdistas admiráveis, que no seu percurso cometem deslizes, seja creditando um esquecido sucesso de axé-music como "protesto marxista", seja definindo como "libertário" um falecido cantor brega claramente direitista.

Agora os dois astros do Farofafá, Pedro Alexandre Sanches e Eduardo Nunomura, decidiram adotar astros bregas claramente apoiados pelas Organizações Globo, numa espécie de ataque kamikaze para derrubar certos totens da MPB autêntica que cometeram erros durante o episódio do Procure Saber.

Sanches, que apoia o historiador dos bregas Paulo César Araújo e seu pupilo Gustavo Alonso - que elogiou o general do AI-5, Emílio Garrastazu Médici - na sua cruzada para derrubar Chico Buarque, tem que contar, ao lado dos outros citados, com o desconfortável apoio do reacionário Reinaldo Azevedo para tal campanha.

Agora, Sanches e Nunomura resolveram adotar para si os queridinhos da Globo, o cantor de sambrega Thiaguinho e o breganejo Luan Santana. Thiaguinho é o mais explícito ícone da música plastificada e pasteurizada pelas Organizações Globo, simbolizando seu poder midiático tanto quanto Ana Maria Braga e Luciano Huck.

Luan Santana andou passeando por emissoras de televisão concorrentes, mas também deve muito aos irmãos Marinho pela projeção de seu sucesso, como uma espécie de Justin Bieber da "música sertaneja".

Os dois colunistas do Farofafá, embora façam proselitismo na mídia esquerdista, manifestam seu desdém às questões envolvendo poder midiático e manipulação da cultura popular. Nem mesmo a farra politiqueira de Sarney e Antônio Carlos Magalhães, distribuindo rádios FM para aliados, eles conseguem admitir.

Pensam os dois que a cultura popular vive guardada numa redoma de vidro, pura e inocente como querubins no céu. Mal sabem eles que, por trás de seus queridos ritmos "populares", existe precarização do trabalho, patrocínio de latifundiários, e mesmo processos de estereotipação das classes populares ao mais pitoresco e caricatural possível.

Dá para perceber que os dois blogueiros veem televisão demais. Ouvem rádio demais. Ou eles querem ludibriar as forças progressistas achando que "popular" é sinônimo de "alternativo" - quando os dois termos se divergem violentamente por questões de tamanho e perfil intelectual de público - , ou eles acreditam que rádio e TV mostram o mundo como ele de fato é.

A primeira opção é mais notável. Afinal, Sanches, por exemplo, aprendeu as engrenagens ideológicas quando estava na Folha de São Paulo e ainda passeava por várias revistas, como Época e Bravo (da Editora Abril) e pelo Estadão.

Em um momento ou outro, ele dava mais ênfase nos festivais musicais realizados pela Rede Globo, em diversos de seus textos. Mas Sanches não faz uma noção sequer da TV Excelsior, tão empenhado que ele é em tentar agradar os intelectuais de esquerda mais sérios.

Agora, na cruzada para derrubar a MPB autêntica - deve ser para adaptar o país a um modelo ideológico de "milagre brasileiro" a ser reciclado para o mercado turístico de 2014 - , o Farofafá resolveu adotar os queridinhos da Globo, a mesma rede que anda sendo combatida pela Carta Capital que, por algum deslize, decidiu abrigar o blogue dos intelectuais pró-brega.

Afinal, virou um vale-tudo. Daqui a pouco vão querer fazer analogia às "mulheres-frutas" ao glamour de Audrey Hepburn. Ou então vão dizer que o "Passinho do Volante" de MC Federado e Os Lelekes é um hino trotskista. Ou então qualquer outra bobagem para empastelar a cultura brasileira de vez, para o bem de um mercado morto no discurso e cada vez mais vivo na prática.

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