sábado, 23 de novembro de 2013

INTELECTUALIDADE CULTURAL BRASILEIRA É UMA DAS MAIS PRECONCEITUOSAS DO MUNDO


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade cultural dominante é a extensão não assumida do poder midiático. Fala de uma concepção de "diversidade cultural" que encontra paralelo na noção de "liberdade de expressão" da imprensa reacionária e na de "livre iniciativa" na economia neoliberal.

Sob o pretexto de promover a "ruptura do preconceito" em relação à "cultura popular" veiculada pelo mercado e pela mídia, seus intelectuais criam visões cada vez mais preconceituosas do que o preconceito que dizem combater.

A intelectualidade cultural dominante no país é uma das mais preconceituosas do mundo. Dizem defender a "verdadeira cultura popular" e criam todo um discurso ideológico confuso, por vezes desesperado, mas que procura ser o mais persuasivo para convencer a opinião pública que são eles os mais entendidos de cultura brasileira.

São jornalistas culturais, antropólogos, sociólogos, historiadores, cineastas, entre outros. Isso já se sabe. Mas o que muitos recusam a admitir é que são pessoas que trabalham na ideologia da "diversidade cultural" como forma de prevalecer tendências "culturais" mercadológicas não raro em detrimento do progresso cultural das classes populares.

O discurso engenhoso é desconstruído constantemente em nosso blogue, principalmente quando seus ideólogos tentam anunciar a "morte do mercado" ou a "agonia da grande mídia", na tentativa vã e inconvincente de evitarem qualquer vínculo com os barões da mídia.

Só que o vínculo bem ou mal se mostra, mesmo na forma sutil dos blogueiros do Farofafá, ou na "independência" de cineastas e historiadores que juram "não terem" recebido dinheiro para suas defesas em relação ao "funk", ao brega "de raiz" e outras "popularices". Mas também se expressa pelo envolvimento de gente como Hermano Vianna e Ronaldo Lemos com o baronato midiático.

O problema é que muitos se assustam com as críticas que este blogue faz contra a intelectualidade dominante. Será que não podemos ter intelectuais culturais no nosso país? Podemos. Será que é ruim ser intelectual no Brasil? Não é ruim.

O ruim é ver a intelectualidade cultural de nosso país, em vez de zelar pela verdadeira cultura popular e pelo progresso sócio-cultural das classes populares, defenderem os tais "fenômenos populares" da grande mídia e do mercado oficial. E esses intelectuais ainda choram quando alguém lhes aponta algum vínculo com os barões da mídia. Pode isso? Não.

O que eles acabam defendendo não é a vontade popular, não é o gosto popular. O que esses intelectuais defendem é o sistema de valores defendido por empresários do entretenimento cujo perfil lembra bastante o de arremedos urbanos dos capatazes de latifundiários e contraventores.

A grande diferença é que esses "jagunços culturais" não costumam mexer em armas, mas depositam dinheiro para promover falsos bens culturais e falsas personalidades que trabalhem uma visão estereotipada das classes populares, promovendo no povo pobre o conformismo e o apego a valores confusos, entre o pitoresco, o grosseiro, o aberrante e o piegas.

A intelectualidade cultural dominante tenta nos fazer crer que essa visão estereotipada - que seus ideólogos não admitem desta forma - expressa os anseios e crenças das comunidades e promove o progresso sócio-cultural do povo, sob o pretexto de aquecer um mercado de entretenimento que gera empregos e garante alta rentabilidade.

É uma ideologia sedutora, mas perigosa. Afinal, esses intelectuais acabam se protegendo pelo escudo elitista, achando que seus diplomas os fazem senhores absolutos da cultura popular. Glamourizam a miséria, a pobreza, a ignorância do povo pobre e exaltam até mesmo as gafes e desatenções que alguns indivíduos pobres ou de origem pobre fazem no dia a dia.

De velhotes embriagados rebolando feito falsas odaliscas, de moças siliconadas de cabelo oxigenado expressando sua burrice, tudo é "lindo" pelo discurso intelectual que tenta prevalecer na agenda progressista, mesmo quando os clamores "farofa-feiros" e similares não são mais do que equivalentes "etnográficos" das enrolações de Joaquim Barbosa no STF.

As forças progressistas devem tomar cuidado com a pregação da intelectualidade pró-brega, porque a ameaça que esta representa é tão grave quanto a de um pelego que põe um movimento de reivindicações salariais a perder.

Porque a intelectualidade pró-brega não quer ver um povo próspero. Quer ver o povo na sua pobreza, na sua ignorância, estagnado e submisso ao que rádios e TVs impõem sob o rótulo de "popular". A supremacia do "mau gosto popular" nem de longe é libertária, até porque ela agrada muito os barões da mídia.

Por isso temos que apostar numa nova mentalidade cultural de esquerda. Não se pode tomar como tal levar a sério os listões das FMs ditas "populares" ou o que a mídia em geral determina como "aquilo que o povão gosta".

A verdadeira cultura produz conhecimento, valores sociais, tem vínculo comunitário e investe no progresso social. Já a tal "cultura popular(esca)" só gera dinheiro para seus empresários e outros envolvidos, nada contribuindo para fazer o povo pobre sair de sua miséria e ignorância.

Daí que essa intelectualidade "sem preconceitos" é, no fundo, bastante preconceituosa. No fundo ela tenta convencer as esquerdas de que o esquerdismo cultural não serve e que bom mesmo é o tal neoliberalismo cultural que se apoia sob o rótulo de "popular".

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