quinta-feira, 28 de novembro de 2013

GLAMOURIZAÇÃO DO BREGA NÃO TRARÁ A "MPB MALDITA" PARA O GRANDE PÚBLICO

LANNY GORDIN, GUITARRISTA DA MPB PÓS-TROPICÁLIA, FOI CONHECIDO POR TOCAR COM GAL COSTA. A INTELECTUALIDADE, AO JOGÁ-LO NO BALAIO DE GATOS COM OS BREGAS, NÃO ESTARÁ LEVANDO A ARTE DO MÚSICO PARA O "POVÃO".

Por Alexandre Figueiredo

A glamourização do brega feita pela intelectualidade cultural dominante, com toda a sua choradeira a respeito dos "verdadeiros artistas do povo" e um certo pretensiosismo de misturá-los à vanguarda "maldita" da MPB autêntica, como quem mistura alhos com bugalhos, só serve para promover a vaidade de certos intelectuais "bacaninhas" detentores de muita visibilidade.

E para que serve misturar esses alhos com bugalhos? De repente, escreve-se sobre "funk ostentação" e bota Rui Maurity no meio, xinga a poetisa e atriz Elisa Lucinda de "MC" e investe até na necrofilia usando o pobre Itamar Assumpção, que não está aí para reclamar, para "apoiar" os funqueiros.

Ou então há aquela choradeira em torno do "forró eletrônico", rejeitado pela revolta popular contra essa cafajestice midiática, porque uns jornalistas que vivem em seus apartamentos confortáveis em Sampa não suportam ver seu querido "forrozinho" de cantores e dançarinos bobos-alegres ser rejeitado pela sociedade que só eles pensam viver ainda em 1910.

Nessa choradeira, vale tudo: jogar o mangue beat para apoiar o "forró eletrônico", apelando para a necrofilia, citando Chico Science e tudo. Ou então criando uma gororoba de reportagem em que cabe até Patti Smith, Trio Nordestino, Marcos Valle e o que mais. Isso sem falar do habitual uso leviano de Oswald de Andrade e Gregório de Mattos para apoiar aberrações popularescas.

A intelligentzia quer misturar breguices como Odair José, Leandro Lehart, MC Guimé e outros com nomes da MPB "maldita" como Rui Maurity, Azymuth, Arrigo Barnabé e Lanny Gordin (guitarrista que havia tocado com Gal Costa na sua fase tropi-roqueira), como se tudo fosse igualmente ousado, igualmente criativo, igualmente genial. Não é. Nem de longe.

Para piorar, o grande público continua marginalizado, atolado na breguice radiofônica. A intelectualidade parece achar que nivelar bregas e "malditos" irá colocar os últimos no acesso ao grande público.

Não. Se fosse assim o "povão" já estaria conhecendo Bossa Nova, Clube da Esquina, música caipira de raiz, só pela associação forçada trazida pelos covers feitos por ídolos neo-bregas. Se dentro dessa fórmula "acessível" a coisa não acontece, imagine se o "povão" vai comprar discos de Itamar Assumpção depois da associação forçada do falecido cantor aos funqueiros, por exemplo?

O povo ouve "versões de MPB" gravadas pelos neo-bregas como se fossem canções autorais destes. Ou, se conhece as versões originais, as dispensam, porque o que lhes vale é a versão gravada pelos neo-bregas.

Imagine então as associações forçadas. Quem vai se interessar por Lanny Gordin se já tem o Chimbinha? Se o intelectual "bacaninha" exalta este último comparando-o (tendenciosamente) ao primeiro, o "povão" nem se esforçará em se interessar por Lanny Gordin porque o intelectual espalhou por aí que Chimbinha "soa parecido".

Portanto, são armadilhas que o discurso da "diversidade cultural" trama para a opinião pública, para legitimar como "artistas sérios" toda a multidão breguinha, sobretudo a que tirou férias da grande mídia.

Comparando os ídolos bregas aos grandes nomes da MPB, os intelectuais "bacanas" nada fazem senão desaconselhar o grande público a conhecer músicos de qualidade, pela falsa ideia que divulgam de que o brega "já é música de qualidade".

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