quinta-feira, 21 de novembro de 2013

FAROFAFÁ IMITA BILLBOARD PARA COMEMORAR DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Por Alexandre Figueiredo

Diversidade cultural ou livre mercado? Os dois, dentro de um contexto de uma intelectualidade elitista que se acha acima do interesse público. Desta vez o Farofafá, em artigo escrito pelo para sempre "filho da Folha", Pedro Alexandre Sanches, mistura alhos com bugalhos para celebrar o Dia da Consciência Negra.

"Conciliador", Sanches elabora uma lista à-la Billboard, para enumerar uma lista de 46 músicas com temática associada ou atribuída à negritude. Só faltou incluir Thiaguinho, Só Pra Contrariar, Belo e Mr. Catra para completar a lista, mas creio que o discípulo pós-tropicalista de Francis Fukuyama já se encontra bastante pressionado pela opinião pública para cavar do fundo do poço.

Há inclusões corretas, como nomes respeitáveis como Dona Ivone Lara, Zezé Motta, Jorge Ben Jor, Gerson King Combo, Cassiano, Leci Brandão e a branca Clara Nunes (que no entanto sempre cantou em favor da negritude brasileira), já falecida. Há, também, o também falecido Itamar Assumpção, também lembrado no listão "farofa-feiro". E, também do além, Tim Maia e Taiguara.

Também Paulo Diniz e o cantor de reggae baiano Edson Gomes foram lembrados. Da mesma maneira, Maria Alcina, Dom Salvador e Luís Vagner, em doses repetidas, e o hoje ator Toni Tornado. Além deles, os também saudosos Bezerra da Silva, Wilson Simonal e Erlon Chaves.

Até dois artistas que tiveram a reputação abalada pelo Procure Saber, Gilberto Gil e Djavan, foram incluídos. Mas nada de Milton Nascimento. Da velha guarda da música brasileira, só Ângela Maria foi lembrada. Nada dos grandes Roberto Silva, Zé Kéti, Noite Ilustrada ou Jorge Veiga.

Enquanto isso, tudo para os intérpretes da segunda divisão do brega como determina o que resta de (pior) do esquerdismo é adotado pela intelectualidade cultural dominante: a de impor o "reconhecimento" de certos ídolos pelo corporativismo militante de pretensos socialistas soros-positivos (recebem uma graninha de George Soros, repassada de mão em mão).

Aí, haja Wando dos tempos em que ele era o imitador de Jorge Ben, anos antes de se tornar a versão "farofa" de Chico Buarque. Haja os breguíssimos e frouxos Luiz Caldas e Raça Negra, que o "dirigismo cultural" empurra goela abaixo para as esquerdas.

Tem também o outro nome do "dirigismo", o ex-Art Popular Leandro Lehart, que levou 20 anos para se considerar "gênio visionário", num surto de pretensiosismo artístico tardio e um tanto tendencioso.

Além disso, haja a choradeira do "funk carioca", classificando como "hino da negritude" o risível "Rap da Felicidade", cuja letra se resume a uma apologia à pobreza e a uma "consoladora" reivindicação para os pobres apenas circularem nos mesmos ambientes urbanos dos "bacanas". "Funk ostentação" bem antes de aparecer a cena paulista que conquistou até a revista Veja.

E há também a "prata da casa", a Gaby Amarantos que hoje faz amor com a Rede Globo e que sempre aparece nos listões do aluno-modelo de Otávio Frias Filho. A mesma Globo que, para Sanches, parece uma Vênus platinada meio amada e meio odiada pelo coração-partido do "farofa-feiro", no fundo triste por não ser chamado para ser colunista do Fantástico.

Para Sanches ela faz tudo, "protesto", "inquietação social", "hinos de autoafirmação social" etc. Ora, o que Gaby Amarantos faz é tão somente um pop comercialíssimo brasileiro. Só. Imagine se Lady Gaga e Justin Bieber fossem brasileiros. Eles seriam "guerrilheiros bolivarianos"?

A lista nem sempre mostra os verdadeiros hinos da negritude. Foi mais um desfile em que nomes de qualidade são usados para justificar a inclusão de nomes medíocres. Como nos conceitos de "livre-mercado", em que o capitalismo selvagem se apoia numa liberdade que só serve para aniquilar a concorrência. E em tempos em que a intelectualidade quer derrubar a MPB...

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