sábado, 30 de novembro de 2013

EDITORA ABRIL PODE "ENXUGAR" MAIS: VEJA TENDE A CONTINUAR


Por Alexandre Figueiredo

O empresário Giancarlo Civita deu entrevista ao jornal Valor Econômico adiantando os planos futuros do Grupo Abril. O neto do italiano Victor Civita, que fundou o grupo através da primeira publicação da Editora Abril, a revista do Pato Donald, em 1950, afirmou que a Editora Abril é um dos pilares do grupo, mas que a empresa já tem outras prioridades.

Giancarlo afirma que o Grupo Abril possui hoje 80 empresas, das quais incluem os setores de educação e logística. A Editora Abril passou a focalizar os livros didáticos, deixando de se concentrar no setor de revistas, que enfrentou uma séria crise nos últimos meses.

O setor de revistas atingirá, no final deste ano, um rendimento estimado de R$ 2,7 milhões, um índice considerado "sem crescimento", e Giancarlo - que assumiu o grupo depois da morte do pai, Roberto Civita - afirma que continuará o processo de reestruturação do Grupo Abril.

Com isso, o setor de revistas, que já perdeu diversas publicações - revistas como Alfa e Bravo foram extintas e a histórica Quatro Rodas não tem mais chefe de redação - , poderá perder mais quadros e fechar mais publicações. Poderão acontecer mais demissões.

Giancarlo quer uma empresa "mais enxuta", o que, no jargão econômico, quer dizer empresa com menos despesas, menos custos e, portanto, também com menos empregados. Recentemente o Grupo Abril desfez a franquia da MTV Brasil, que, agora, sob o lema "Pronta pra outra", está sob administração da filial brasileira do grupo Viacom / Paramount.

As publicações principais da Abril continuam asseguradas. A Contigo está comemorando 50 anos de publicação e mantém-se de pé. Cláudia, Capricho, Quatro Rodas, Caras e Exame podem até perder profissionais, mas permanecem nas bancas.

No entanto, tudo indica que a revista Veja também se mantém de pé, apesar do espantoso prejuízo que a revista acumula nos últimos anos. Graças à sua linha editorial antissocial, a Veja chega mesmo a acumular um encalhe de até quinze exemplares por banca.

É muito comum, nas bancas de todo o país, ver, no dia de lançamento de cada nova edição de Veja, grandes pilhas de exemplares da edição anterior, acumuladas sem que viva alma se interesse a comprá-las.

É um prejuízo significativo, mas como Veja tem uma função estratégica dentro do poder midiático, o Grupo Abril mantém sua publicação, mesmo sendo uma atitude suicida. A revista já está sendo usada em promoções para assinantes típicas de revistas de pequeno porte.

Só falta mesmo Veja virar revista gratuita, tamanho o prejuízo da publicação. Neste caso, o "Paulo Maluf" baiano, Mário Kertèsz, lá em Salvador percebeu a coisa quando decidiu que sua revista Metrópole teria distribuição gratuita, porque se fosse cobrada quase ninguém iria comprar. O direitista enrustido da Bahia pode não entender de jornalismo, mas entende de marketing.

Portanto, o Grupo Abril poderá encolher ainda mais. Os profissionais já estão apreensivos e foram prevenidos que os mais de mil cortes anunciados este ano podem ainda ser maiores em 2014. E, se Veja amargar mais prejuízos, a coisa ainda vai pegar no lado mais fraco. Enquanto isso Reinaldo Azevedo pode curtir seu Natal e Reveillon sossegado. Os barões da mídia amam muito ele.

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