sexta-feira, 1 de novembro de 2013

E O "PROCURE SABER" DOS BREGAS?

MR. CATRA E ALEXANDRE PIRES NO CLIPE "KONG" - Ídolos bregas também temem que fatos incômodos arranhassem suas biografias.

Por Alexandre Figueiredo

A essas alturas, a polêmica do Procure Saber só serviu para discutir a questão das biografias dos ídolos da MPB autêntica, a chamada "MPB privatista, elitista, troglodita etc e tal". Quando muito, virou um cabo-de-guerra entre medalhões da MPB como Caetano Veloso e Chico Buarque e biógrafos dedicados como Ruy Castro e Fernando Morais.

Por outro lado, a polêmica também serviu para contrapor, numa suposta "rinha de galos", os "vilões" dos tempos do ECAD, como Ivan Lins e Ana de Hollanda, que defendem biografias não-autorizadas, e os atuais "vilões" do Procure Saber, como se a intelectualidade cultural dominante quisesse juntar uns e outros e batê-los com as cabeças até sangrar.

Em vez de uma discussão sadia sobre a questão do rigor exagerado na defesa da privacidade de artistas famosos e o risco da cobertura sensacionalista da mesma, a intelectualidade aproveita o caso para desmoralizar a MPB como um todo, enquanto coopta os outros artistas da MPB da qual os intelectuais sentem simpatia para forçá-los a apoiar a bregalização em curso no país.

Em primeira instância, "malditos" da MPB ou veteranos com algum senso mais liberal, ou então condescendentes ao mercado, ou todos aqueles que não atingiram o topo do "olimpo" emepebista, são cooptados pela intelectualidade pró-brega apenas para baterem ponto na suposta "diversidade cultural", para depois serem jogados fora, no ostracismo.

Agora a questão que está em jogo é essa? E os ídolos bregas, neo-bregas e pós-bregas? Até agora, a notícia mais bombástica está em torno dos atrasos, por problemas financeiros, da biografia cinedramatizada da Banda Calypso, que resultou até na desistência da deliciosa Deborah Secco para fazer a Joelma (nada a ver, né?).

A Banda Calypso era queridinha, anos atrás, da intelectualidade pró-brega que transforma Chico Buarque em vidraça, esteve na pauta do dirigismo ideológico das esquerdas médias (que obrigam as forças progressistas a aceitar o "mau gosto popular" como se fosse causa libertária), até Joelma decepcionar com suas posturas radicalmente anti-LGBT.

Mas, fora isso, nada. Não existe qualquer tipo de posicionamento oficial dos ídolos bregas quanto ao Procure Saber. O que se escreveu aqui são palpites bastante prováveis, afinal são eles que sabem muito bem o que é sensacionalismo midiático, porque se tratam dos veículos que fazem cobertura sobre suas vidas. Mas nada de posições oficiais, contra ou a favor do PS.

Prefiro pensar que seria muito ingênuo acreditar que as vidas dos ídolos bregas são "livros abertos". Afinal, quando tudo parece agradável, todos se dispõem a "revelar tudo", mas a coisa não é bem assim como acontece de verdade.

No meio do caminho, existem distorções diversas. Um exemplo. Funqueiras que, num dia, fazem declarações de amor a seus maridos, mas no dia seguinte inventam que estão "solteiríssimas", para depois inventar que estão com dengue para dar uma pausa nas agendas e visitarem seus esposos nas suas casas confortáveis em algum canto do Centro-Oeste ou do litoral nordestino.

E o caso do clipe da música "Kong", que gerou uma séria polêmica e uma ação judicial contra Alexandre Pires e Mr. Catra, os dois intérpretes da música? Será que os citados deixariam que uma biografia não-autorizada relate sobre o problema da música e do videoclipe? Ou será que prevalecerá uma versão oficial que minimize a situação como um "ingênuo mal-entendido"?

Portanto, cobra-se dos ídolos bregas, os que aparecem o tempo todo nas rádios FM e emissoras de TV de maior alcance ao grande público, uma postura em relação ao Procure Saber. Espera-se, no entanto, que ninguém faça postura de falso libertário, como se o rótulo "popular" fosse um paraíso de posturas sempre avançadas.

Espera-se, pelo menos, um mínimo de transparência, sem qualquer tipo de omissão. Até porque a campanha intelectual que quer derrubar a MPB - com alianças insólitas como o pitbull da Veja e Folha Reinaldo Azevedo abraçando a mesma causa anti-buarqueana de Pedro Alexandre Sanches - pretende abrir caminho para a definitiva tomada do poder dos bregas.

Cobra-se isso para que o episódio do Procure Saber não se limite a ser um mero pretexto para intelectuais aproveitadores quererem demonizar gratuitamente a geração que fez a MPB moderna dos anos 60/70. Os bregas, que são os que mais faturam no mercado da música, não deveriam usar seu silêncio para tirar vantagem. Que eles falem a respeito do PS.

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