quarta-feira, 20 de novembro de 2013

BOA PARTE DOS NEGROS POBRES NÃO É SEQUER UM NÚMERO ESTATÍSTICO


Por Alexandre Figueiredo

O Brasil é um país com população majoritariamente masculina. Isso mesmo. No entanto, a informação não é assumida pelos dados oficiais, que tentam difundir um dado contrário, repetindo métodos viciados oriundos da ditadura militar.

Em 1960, com um país mais pacato, havia uma proporção de 101 homens para cada grupo de 100 mulheres. Por que, com o passar do tempo, com mais mulheres expostas à violência e outras tragédias, num índice de aumento maior que a dos homens, o Brasil é tido como país de "maioria feminina" se a realidade não corresponde a isso?

O que se observa é que cerca de 100 mil homens não chegam a ser registrados pelos dados estatísticos. 99% deles são negros e pobres. São moradores de ruas, desempregados e até criminosos ainda soltos nas ruas, que não são sequer números pelos dados dos Censos de cada década.

Enquanto isso, o mito da "maioria feminina" foi armado na ditadura militar para atender aos interesses do mercado turístico e hoteleiro e para atrair mão-de-obra masculina do interior para as grandes capitais ou para atrair investidores estrangeiros. Isso não foi resolvido ainda com a redemocratização.

Mas isso nem de longe beneficia as mulheres, porque, enquanto o Censo discursa de que elas "são maioria", o que se nota é o aumento da mortalidade feminina pela violência conjugal, pelos assaltos, tiroteios, erros médicos, acidentes de trânsito e outras tragédias que são jogadas debaixo do tapete para agradar o lobby de tarados machistas e o corporativismo feminista.

Não se resolve a tragédia feminina, e, por outro lado, se camufla a maioria masculina "mais incômoda", cujo registro no Censo aumentaria, e muito, a dívida interna do país. A dívida social aumentaria se o Censo de fato registrasse os 100 mil homens que estão fora dos dados censitários, muitos deles localizados em favelas de acesso difícil pelos recenseadores.

O grande problema é que boa parte desses homens é de cor negra, e se em outros tempos camuflava-se o racismo com o termo "pardos", hoje escondem-se homens em prol de um "Brasil mulher" fantasioso das propagandas governamentais.

Isso cria uma situação incômoda para os dados estatísticos, que, mesmo sem um propósito aparente, criam um mito racista e machista de um "Brasil mulher e branco", embora tendenciosamente mostrando mulheres negras em suas propagandas para atender, por mera obrigação legal, a demandas de diversidade social.

Assim, negros pobres, sem emprego e moradia, não aparecem no Censo, enquanto nele permanecem mulheres que "fazem número" mas que já estão mortas há algum tempo, seja por maridos, namorados, ladrões, motoristas embriagados ou médicos irresponsáveis, etc.

Triste Brasil em que se distorcem os dados estatísticos dessa forma.

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