terça-feira, 22 de outubro de 2013

PT ENTREGA RESERVA DE PRÉ-SAL A CONSÓRCIO LIDERADO POR ESTRANGEIROS

EXÉRCITO FAZIA A SEGURANÇA DO LEILÃO DO PRÉ-SAL, OCORRIDO NO WINDSOR BARRA HOTEL, NO RIO DE JANEIRO.

Por Alexandre Figueiredo

Ocorreu ontem o leilão da Bacia de Libra, em Santos, uma grande reserva de pré-sal negociada desde a semana passada na licitação realizada no Windsor Barra Hotel, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Como de praxe, muitos manifestantes protestaram contra o leilão, vendo que o consórcio formado, embora inclua a Petrobras, é comandado pelas europeias Shell (holandesa) e Total (francesa), além das chinesas CNPC e CNOOC. Um quadro acionário majoritariamente estrangeiro, diga-se de passagem, com 60% de capital estrangeiro (40% só das europeias).

Isso lembra 1958, quando o sociólogo Hélio Jaguaribe, antigo membro do ISEB que atualmente é filiado ao PSDB - o mesmo partido ainda indefinido entre Aécio Neves e José Serra para a corrida de 2014 - escreveu, no seu livro O Nacionalismo na Realidade Brasileira, em que pregava a quebra do monopólio da Petrobras na exploração do setor petroquímico.

A declaração de Hélio Jaguaribe causou uma crise no ISEB, o Instituto Superior de Estudos Brasileiros, que era um grupo sem um perfil ideológico definido, mas destinado a pensar os rumos da política e da economia no país.

Jaguaribe teve problemas sobretudo com Alberto Guerreiro Ramos, radical de esquerda, que denunciou a posição ideológica de Jaguaribe. Os dois saíram do ISEB e este, até sua extinção pela ditadura militar em 1964, tornou-se uma instituição de centro esquerda.

Mas e o Partido dos Trabalhadores com isso? Ora, o partido há muito adotou uma postura mais próxima da "social democracia" sonhada pelo PSDB, um partido que preferiu ir mais para a direita. E eis que o governo Dilma Rousseff adota programas dignos do "milagre brasileiro" do período ditatorial, com seu programa de fortes tons neoliberais.

Há a construção da usina de Belo Monte, herança desse período. Não bastasse a transposição do Rio São Francisco do governo do antecessor Lula, que só favorece a fazendeiros da região, em detrimento do desenho original da natureza, que conta com sua biodiversidade afetada com as obras.

E agora tem a exploração do pré-sal, na área conhecida como Campo de Libra, referentes ao petróleo e gás natural. É uma jazida com mais de 5 mil metros no leito do Oceano Atlântico. O consórcio pagará ao governo bônus de R$ 15 bilhões e investirá na exploração com o valor mínimo estimado em R$ 610 milhões.

Apesar dos técnicos garantirem que o consórcio priorizará o interesse nacional, a União só terá lucro de 41,65%, menos da metade. Os protestos ocorreram sob intensa repressão policial e, ontem à noite, manifestantes, inclusive estudantes e funcionários da Petrobras, foram ao Centro do Rio de Janeiro realizar novos protestos.

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