quinta-feira, 31 de outubro de 2013

PROCURE SABER TENTA REVER POSIÇÕES. TRÉGUA NA MPB?


Por Alexandre Figueiredo

O grupo Procure Saber publicou um vídeo no qual tenta rever suas posições em torno da defesa de autorização prévia de biografados e herdeiros para a produção de documentos sobre suas vidas.

Em quase cinco minutos, nomes como Roberto Carlos, Gilberto Gil e até Marisa Monte falam apenas em defesa da privacidade, sem acrescentar pontos relevantes que esclareçam a polêmica em torno do caso.

Depois da repercussão negativa causada pelo movimento, os integrantes do Procure Saber agora dizem que são contra a censura. No entanto, não deram qualquer explicação sobre a mudança repentina de posições, como também a respeito de seus posicionamentos anteriores.

A mídia e a intelectualidade também não ajudaram. A intelectualidade cultural dominante aproveitou o caso para demonizar a MPB como um todo e cooptar apenas alguns opositores do PS e considerados "malditos" da MPB autêntica para sua campanha pela bregalização do país.

Só que, sabemos, os ídolos bregas são os que mais zelariam por sua imagem. Eles não seriam libertários porque sabem como funciona a mídia sensacionalista e, por isso, possuem uma postura mais rigorosa contra as biografias não-autorizadas do que as de Roberto Carlos e Chico Buarque.

O caso Waldick Soriano, no qual o historiador Paulo César Araújo, tido como "vítima" da censura de Roberto Carlos e suposto "herói" da controvérsia, colaborou para a censura de um vídeo que mostrava o ídolo brega adotando posturas ultraconservadoras, é ilustrativo disso.

Afinal, nomes como Waldick (representado pelos seus herdeiros), Alexandre Pires, Zezé di Camargo & Luciano, Banda Calypso, Leandro Lehart, MC Leonardo, Chiclete Com Banana e outros "mais populares" não teriam uma postura libertária sobre as biografias. Eles são muito mais rigorosos com o zelo da imagem, mais do que se imagina.

O problema é que eles permaneceram em silêncio. Na cruzada do Procure Saber, criou-se até mesmo um maniqueísmo entre a nata da MPB, como Caetano, Chico, Gil e Roberto, e a turma do ECAD (Ivan Lins e a irmã de Chico, a ex-ministra Ana de Hollanda), que partiu para uma postura contrária ao PS.

Ou seja, de um lado os "vilões" do ECAD, naquele episódio do controle dos direitos autorais. De outro, os "vilões" da MPB "privatista" que querem manter uma privacidade além de seu próprio status de figuras públicas.

Os bregas tentam apenas aproveitar o cabo-de-guerra da MPB acreditando que ganharão tempo com isso para tomar para si o "olimpo" emepebista. Mas a MPB autêntica tenta uma trégua com uma postura aparentemente mais flexível quanto às biografias não-autorizadas.

Será que as polêmicas acabarão? Talvez não. A "urubologia" e a intelligentzia querem derrubar a MPB. E ainda mais quando Reinaldo Azevedo se juntou a Paulo César Araújo, Gustavo Alonso e Pedro Alexandre Sanches para começar a demolir o pedestal de Chico Buarque...

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