segunda-feira, 14 de outubro de 2013

PEDRO ALEXANDRE SANCHES INOCENTA BARÕES DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Numa mensagem do Twitter, já comentada antes, o jornalista Pedro Alexandre Sanches, do blogue Farofafá, havia comentado sobre a crise da Editora Abril: "Parem de olhar para trás e tentem olhar para frente. O impresso morreu".

Além de endossar uma corrente tecnocrática, que aposta na supremacia das novas tecnologias de Comunicação como fatores determinantes para o ativismo social, transformando a ação humana em instrumento para as novas mídias e não o contrário, Sanches livrou a culpa dos barões da mídia e seus porta-vozes da violenta crise sofrida pelo Grupo Abril.

Sanches já faz parte de uma corrente intelectual que também inocenta os barões da mídia de todo um processo de manipulação ideológica que, promovendo a imbecilização e a mediocrização sócio-cultural, configurou os estereótipos "populares" que tal corrente glorifica e exalta somo se fosse o "genuinamente popular".

Na medida em que anuncia, neste caso, que "o impresso morreu", Sanches quer dizer duas coisas. Primeiro, que o papel da imprensa escrita atingiu seu estágio de "fim da História", ele inocentou os verdadeiros responsáveis pelo desgaste dos veículos da Editora Abril: os jornalistas reacionários da revista Veja, como Reinaldo Azevedo.

Juntemos as peças. Primeiro, anuncia-se que o papel do papel para a transmissão do conhecimento acabou. Agora tudo é digital. Só que as limitações inerentes à Informática fazem com que os textos tenham que ser os mais breves possíveis, a leitura mais superficial e apressada, a abordagem crítica bem menos contestatória.

E, vendo que a cada dia os computadores com teclados dão lugar a tabletes e celulares com Internet e tecladinho virtual, que causa desconforto para digitação de grandes textos, isso mostra ainda mais que, apesar da overdose de informação, a transmissão e produção de conhecimento tende a ser cada vez mais superficial, conformista e quase lacônica.

Segundo, o ativismo social acaba se subordinando às novas tecnologias, vistas não como instrumento auxiliar de ações humanas, mas fatores determinantes para as mesmas, como se as novas mídias fossem o sujeito e a humanidade fosse o objeto desse processo comunicativo.

Terceiro, a alegação de Pedro Alexandre Sanches é ótima para os Civita, inocentados dos erros cometidos pelos seus veículos impressos. A culpa é tão somente do papel cuchê, ele é que é o vilão da Editora Abril, e ficará de castigo recebendo impressões de livros didáticos e folhetos diversos das empresas e editoras educacionais controladas pela oligarquia.

Em compensação, Reinaldo Azevedo, um dos verdadeiros responsáveis pela decadência do Grupo Abril, pode respirar aliviado, porque é um dos inocentados por um intelectual dotado de muita visibilidade. Neste caso, Reinaldo sai incólume das acusações pela crise da Abril, e já possui espaço nas novas mídias digitais para defender seu obscurantismo.

Enquanto isso, até mesmo Antônio Carlos Magalhães está tranquilo no além, porque ele foi um dos muitos inocentados pela intelectualidade cultural de hoje, apesar da evidente responsabilidade pela imbecilização sócio-cultural que deturpou o sentido do "popular" no Brasil de hoje.

Nesta semana de campanha pela regulação midiática, os barões da mídia, infelizmente, respiram aliviados. A intelligentzia botou a culpa dos excessos da mídia às simples folhas de papel.

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