sábado, 12 de outubro de 2013

O DIA EM QUE FRANCIS FUKUYAMA MATOU JOHANNES GUTENBERG


Por Alexandre Figueiredo

A recente crise vivida pelo Grupo Abril fez com que os supostos profestas das novas mídias digitais anunciassem que a imprensa gráfica morreu, que os jornais, livros e revistas caminham para a extinção, que o papel do papel de transmitir conhecimento já era, que agora as mídias digitais são o novo sujeito transformador da humanidade.

A frase em cima é ilustrativa. Pedro Alexandre Sanches, o jornalista que aposta na bregalização do país, até por estar ao lado dos militantes do Coletivo Fora do Eixo, compartilha das visões tecnocráticas dessa patota toda.

Segundo eles, as novas mídias digitais caminham para a supremacia, enfraquecendo a mídia impressa e fazendo com que as pessoas leiam menos, escrevam menos e, quando pensam alguma coisa, é apenas o suficiente para produzir argumentos que estejam a favor do "estabelecido" pelo mercado e pela grande mídia.

É bom notar que mercado e grande mídia, para a intelectualidade cultural dominante, são conhecidos pelos eufemísticos termos de "anti-mercado" e "mídia independente", porque para esse pessoal supostamente anti-capitalista, o mercado "morreu" e a grande mídia está "agonizante".

Aí vem mais uma vez a amostra das ligações ideológicas do blogueiro do Farofafá com Francis Fukuyama. "O impresso morreu": anuncia ele. Num só momento, o "fim da história" se volta para a imprensa, como se Fukuyama tivesse matado o inventor da impressão gráfica Johannes Gutenberg.

A COISIFICAÇÃO DO HOMEM PELAS NOVAS MÍDIAS

Notando as pregações desses intelectuais em relação às novas tecnologias digitais, nota-se, em seu discurso, que as novas mídias se tornaram "sujeito" enquanto o ser humano é reduzido a um mero instrumento de afirmação dos avanços tecnológicos.

Dessa forma, são as redes sociais, os novos servidores, os novos aparelhos, os responsáveis em si pelos avanços da humanidade, comandando até mesmo o ativismo social. Nós é que nos tornamos "coisas" a serviço dessas novas tecnologias.

De acordo com tal discurso, não somos nós que, com nossas mentes e nossa boa vontade, usamos as novas tecnologias para articularmos contatos e mobilizações sociais, mas o poder transformador das novas tecnologias que nos usam como meras cobaias de sua supremacia.

A reboque disso, o que vemos? O avanço tecnocrático voraz. Até mesmo os computadores atuais estão aposentando os teclados, fazendo com que, reduzidos a telas sensíveis, as pessoas escrevam cada vez menos e o senso crítico seja filtrado, tal qual a compreensão do mundo em que vivemos.

Junta-se então o coral de intelectuais que pregam o fim da imprensa escrita, a pretexto de repudiar veículos reacionários da grande mídia, em prol da digitalização absoluta. E nota-se que nem tudo que é impresso está devidamente escaneado em arquivos digitais, e aí danem-se bibliotecas, livrarias, bancas etc. Só o digital é que vale, mesmo quando preso à mesmice e ao previsível.

Com isso, as novas gerações são hipnotizadas de graça com esse discurso neoliberal travestido de "progressista". De um lado, fala-se que o papel do papel em transmitir conhecimento acabou. Por outro, substituem-se computadores com teclados com tablets ou pequenos celulares cujos "teclados" virtuais mal conseguem estimular uma boa escrita.

A partir disso, estimula-se bem menos a produção e assimilação de conhecimento abrangente. A overdose de informação faz as pessoas se iludirem em supor uma inteligência abrangente que, na verdade, não possuem. Com isso, filtra-se o senso crítico, a compreensão exata, a pesquisa abrangente, a garimpagem.

Aí, o que vamos ver serão os "gurus" se transformando numa nova grande mídia. Uma nova dinastia que, no fundo, não acrescenta muito aos Frias, Marinho, Mesquita e Civita que supostamente querem derrubar. Serão apenas novos personagens de uma velha realeza midiática.

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