sábado, 12 de outubro de 2013

"NOVÍSSIMA MPB" OU "EMOPEBÊ"?

FELIPE CORDEIRO ACHA ÓTIMO SER CONTRADITÓRIO. OS BARÕES DA MÍDIA FICAM BABANDO!!

Por Alexandre Figueiredo

Felipe Cordeiro e seu Kitsch Pop Cult. Gang da Eletro. Vivendo do Ócio. Banda Uó. Conjunto Vazio. Danilo Dunas. E Dudu Pererê (poesia) e Rafucko (humor), fora do âmbito musical. Há tantos outros, que pregam a tal "cultura provocativa" misturando tudo do tudo da chamada "cultura de massa". Se julgam superinformados, superatualizados, mas não passam de bons alunos do entretenimento da grande mídia.

A intelectualidade cultural dominante, que se diz "de esquerda", classifica essa geração como a "última definição da Música Popular Brasileira". Eles nem são muito de vanguarda, mas a intelligentzia inisiste que são, que representam a altíssima criatividade "contemporânea" e "sem preconceitos" brasileira.

Só que, observando muito bem, eles não são vanguardistas. São apenas filhos da overdose de informações que a grande mídia veicula, a grande mídia que eles consomem, felizes da vida, sobretudo o Jornal Nacional.

Aí vem Felipe Cordeiro dar entrevista e dizer que "o barato de fazer música no Brasil é ser contraditório". “Quanto mais contraditório melhor, pois poder misturar tudo isso é incrível”, tenta explicar o cantor, que apesar de ser filho do tradicional artista Manuel Cordeiro, prefere se vender ao mercado do que zelar pelo patrimônio cultural brasileiro.

Com sua aparência que mais parece um clone alucinado de Merval Pereira, misturando paletós usados com camisas floridas de botão e bermudão listado, como se isso representasse alguma coisa de seu suposto vanguardismo cultural, Felipe acredita que a "mistura" como um fim em si mesmo fosse sinônimo de criatividade, personalidade e ousadia. Não é.

O que ele evoca são apenas os conceitos de "livre mercado" do neoliberalismo, que, aplicados ao âmbito cultural, se transformam no pretexto de "diversidade cultural". E a tal "mistura" não quer dizer que seja garantia de qualidade artística ou cultural, principalmente nas gerações de jovens de hoje que são tomadas de mediocrização cultural.

Afinal, a maioria das bandas de "novo" rock ou de "novíssima" MPB mais parecem perdidas em misturas sonoras que, de tão banalizadas e superficiais, se tornaram uma mesmice. No rock, se vê bandinhas misturando pseudo-ska com punk e cujos vocalistas têm o mesmo timbre "garotão" do cantor Supla.

Já na MPB, o que se vê são cantoras que, de tão ecléticas, já se tornaram iguais entre si, alternando canções com órgão Hammond, rascunhos de hip hop, reggaes diluídos com baladas com violoncelos (instrumento que virou lugar-comum na MPB mais comportada). Ou grupos que misturam o tudo do tudo, do rock ao brega, fazendo som sem pé nem cabeça.

Tudo isso não representa maior inteligência. Isso é um processo sociológico. As gerações recentes, salvo exceções, apenas assimilam uma quantidade enorme e contraditória de informações, sem verificar as coisas. Alguns lunáticos podem, por exemplo, admirar, ao mesmo tempo, Che Guevara e Yoani Sanchez. Não há uma consciência crítica, só há consumo de dados.

As pessoas acabam se tornando piores do que computadores. Mas o Coletivo Fora do Eixo já sentenciou: computadores são gente, pessoas são robôs. Ativismo social, para essa patota "provocativa", é apenas uma questão de novas tecnologias e não de esforços mentais e sociais.

Em outras palavras, assimila-se um turbilhão de informações difusas, o que faz com que a maioria da juventude nascida depois de 1978 apenas seja um "banco de dados"ambulante, sem qualquer verificação do que assimila ou não. Daí, por exemplo, buscar ícones de rebeldia em figuras ou ideias ideologicamente opostas. Daí os "guevaristas" com QI de extrema-direita nas redes sociais.

Até mesmo a "geleia-geral", ideia de analisar toda a problemática da música brasileira, deixou de lado seu viés crítico, que hoje só encontra terreno nas pesquisas de MPB de Ricardo Cravo Alvim (em que pese alguma condescendência deste com a breguice musical). Hoje assimila-se tudo, de forma acrítica, e dá-se razão ao que rádios e TVs controladas por oligarquias veiculam.

Quanto à turma da "ala provocativa" da MPB, como Felipe Cordeiro, Banda Uó, Conjunto Vazio, Danilo Dunas, Gang da Eletro etc, só dá mesmo para compará-los a ala mais comportada do mais comportado arremedo de hardcore brasileiro, os emos, tipo Restart, que levam às últimas consequências aquele roquinho raivoso-de-mentirinha de grupos como CPM 22 e Não Religião.

Portanto, não seria essa "novíssima" geração uma espécie de EmoPB? Isso porque seu compromisso não é renovar a cultura brasileira, mas criar novas gororobas para agradar sobretudo os programadores de rádio que, antes de serem (erroneamente) considerados como "guerreiros libertários", fazem toda sua lição de aula aprendida pelos barões da mídia, nacionais ou regionais.

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