sexta-feira, 11 de outubro de 2013

NOSSA 'INTELLIGENTZIA' TAMBÉM REPRESENTA OS "1%"


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade dominante no Brasil, aquela que faz seu juízo oficial sobre a tal "cultura das periferias" - concepção de "cultura popular" vinculada a valores neoliberais - , ainda tem uma pecha de "progressista" e "moderna".

Seus membros não entendem por que se difundem cada vez mais as associações entre os interesses deles e os das elites políticas, econômicas e jornalísticas claramente comprometidos com o neoliberalismo.

"Pelo que eu saiba, entendo a cultura popular de forma progressista e realista", é a desculpa mais comum. No entanto, a intelectualidade que aposta na bregalização do país nem está aí para defender o socialismo, a regulação da mídia, a ampliação da cidadania nas classes pobres, a reforma agrária e muito menos a melhoria da cultura popular.

O que eles fazem é cumprir a agenda do mercado que eles fingem estar morto, da grande mídia que eles fingem estar decadente. Estão mais comprometidos com modelos de entretenimento comerciais que tentam ser mesclados à realidade orgânica das classes populares.

Por trás dessas posturas "progressistas", a classe de cineastas, historiadores, antropólogos, sociólogos, historiadores e jornalistas comprometidos com a bregalização do país escondem posturas bastante conservadoras em relação às classes populares.

Corrompendo o sentido de aceitação do outro e confundindo solidariedade com os oprimidos com o "marketing da exclusão" (estratégia para salvar a breguice e promover sua supremacia), a intelectualidade esconde seus propósitos elitistas mais cruéis.

Elas não querem que o povo pobre se emancipe por conta própria. Não querem que o povo recupere para si o patrimônio cultural confiscado pelas elites intelectuais durante a ditadura militar, preferindo que o "povão" fique preso à breguice hegemônica ou condicione seu lento progresso cultural dentro dos limites dessa ideologia.

A intelectualidade pró-brega não quer que o povo pobre fale melhor, pense de forma crítica, faça músicas melhores, pinturas melhores, vá ao teatro, leia muitos livros, tenha altivez e firmeza de espírito.

Pelo contrário, a intelectualidade pró-brega quer é ver o povo pobre patético, debilmente risonho, falando sempre errado, fazendo as piores músicas, seguindo valores que não são os seus, mas aqueles veiculados por veículos midiáticos "populares", mas ligados a grupos oligárquicos locais.

Para tal elite "pensante", o povo pobre primeiro precisa mostrar seu "atestado" de patetismo, "positivamente" abordado por monografias, documentários, resenhas, reportagens etc, para depois vir o tal "socorro acadêmico" que "melhorará" as classes populares sem afetar as estruturas de dominação vigentes.

Em que pese o discurso "progressista" e "libertário" usado e abusado por tais intelectuais, isso é claramente Teoria da Dependência do "príncipe da Privataria" Fernando Henrique Cardoso. "Ih, lá vem aquele blogueiro me vincular ao ex-presidente. Não tenho (sic) qualquer tipo de compromisso ideológico com ele, com todo o respeito", reagem.

Afinal, o que a intelectualidade pró-brega quer é a emancipação das periferias sem afetar as estruturas dominantes. Menos cidadania e mais consumo. Menos Paulo Freire e mais Francis Fukuyama. APAFUNK em vez de CPC da UNE. O povo pobre não pode melhorar com seu próprio esforço.

Em vez disso, a intelectualidade "tão querida" quer que o povo pobre primeiro expresse suas breguices, suas baixarias, suas debilidades, se afirmando a partir de seus defeitos, para depois, protegida pelas elites acadêmicas, "melhorar" da forma controlada e calculista pela burocracia midiática, mercadológica e acadêmica.

Tudo isso é feito para não assustar os 1% para o qual serve a intelectualidade pró-brega.

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