terça-feira, 8 de outubro de 2013

MILEY CYRUS LEVA A VULGARIDADE ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS


Por Alexandre Figueiredo

A estética da capa do CD Bangerz, o novo de Miley Cyrus, engana tanto na sua estética early 80's quanto discos de rock barulhento dos anos 90 com capas imitando a estética early 60's. Em ambos os casos, observa-se o mero "pragmatismo" tido como "provocativo" desde os anos 90.

Miley é um símbolo tardio dos anos 90, com sua mania de chocar por chocar, sem dar qualquer contribuição de progresso para a posteridade. Ela levou a vulgaridade às últimas consequências, quando apareceu "sensual demais" num evento de premiação da MTV norte-americana.

Querendo ser "menos comportada", Miley tornou-se estúpida. Constrangeu até o pai, o astro country Billy Ray Cyrus, que não gostou dos excessos da filha. De atriz e cantora com algum talento, Miley preferiu a provocação como um fim em si mesmo, que talvez só seria vista como "bacana" pelos intelectuais pró-brega brasileiros se Miley tivesse nascido em Belém do Pará.

Para agravar as coisas, Miley reagiu de forma irônica a um conselho dado pela cantora Sinead O'Connor. A cantora irlandesa, que em 1987 até começou bem - contou até com os ex-Smiths Mike Joyce e Andy Rourke tocando em uma música - , mas também cometeu excessos e virou hasbeen ("decadente", na gíria da imprensa estrangeira).

Mas Sinead teve humildade e sensatez suficiente para aconselhar Miley, numa carta aberta escrita de forma paciente, a não levar adiante suas provocações. Sinead escreveu a carta por causa de um convite de jornalistas para que a irlandesa comentasse as comparações entre a música "Wrecking Ball", de Miley, e a cover de Prince gravada por Sinead, "Nothing Compares 2U".

Sinead aconselhou Miley a não se prostituir e se sentiu preocupada com o risco das bravatas da filha do senhor Billy Ray obscurecerem o talento da jovem. Sinead disse, ainda, que não é uma prova de poder ser reconhecido mais pelo apelo sexual do que pelo talento.

Aí Miley respondeu, de forma irônica, comparando Sinead a Amanda Bynes, antiga estrela infanto-juvenil que se envolveu em encrencas diversas. A resposta foi dada no Twitter. Sinead ameaçou processar Miley se ela não apagasse os comentários escritos no microblogue.

Miley Cyrus é uma espécie de Lady Gaga mais confusa. Lady Gaga pode não ser grande coisa, mas pelo menos tem senso de marketing, embora culturalmente nada acrescente à mesmice do pop atual.

Em todo caso, a vulgaridade de Miley, à sua maneira, embora com igual gravidade às bravatas que uma Andressa Urach faz por aqui - ficando nua à toa, por conta de uma desvantagem numa competição de TV - , só faz cansar, porque essas atitudes, supostamente transgressoras, só divertem mesmo os executivos do entretenimento.

Porque bravatas de cunho "sexual" nada têm de libertárias. Elas apenas aquecem o mercado com falsas polêmicas, que na prática obscurecem os talentos de quem tem ou de quem não tem. Tanto faz. A mediocrização torna-se uma epidemia que faz com que até mesmo pessoas antes dotadas de alguma competência se naufraguem por posturas e atitudes duvidosas.

Daí a intelectualidade pró-brega, no país de Joaquim Barbosa e Merval Pereira, que não deixa mentir. De que adianta entender de cultura brasileira e ativismo social se contribui para a manutenção da degradação sócio-cultural das classes populares, num contexto que, ainda por cima, é bastante receptivo para atitudes como as de Miley Cyrus.

Será que o que Miley Cyrus fez de excessivo e vulgar seria visto como "bom exemplo" se adaptado para os contextos do tecnobrega e do "funk ostentação"?

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