terça-feira, 1 de outubro de 2013

LOBÃO E FAROFAFÁ: A MESMA MOEDA EM DOIS LADOS


Por Alexandre Figueiredo

Pouco tempo depois dos blogueiros Eduardo Nunomura e Pedro Alexandre Sanches passarem a defender a ditadura midiática na trincheira inimiga, através do Farofafá - estranhamente abrigado no portal da Carta Capital, meses depois de Mino Carta ter escrito um texto contra a imbecilização cultural hoje defendida pelos "farofafeiros" - Lobão estreia coluna na revista Veja.

A nova atividade de Lobão ocorre também uma semana depois de anunciada a entrada do humorista Marcelo Madureira na CBN, reforçando e renovando as vozes neocon da grande mídia, principalmente sabendo que Lobão e Madureira são também amigos da breguice musical brasileira (Lobão reprova os "sertanejos", mas defende Amado Batista e o "funk").

Curiosamente, Pedro Alexandre Sanches e Lobão vieram de outros tempos em que os dois, outrora, eram considerados admiráveis e de credibilidade inabalável, tal qual outras figuras como Sônia Francine, Arnaldo Jabor, Marcelo Tas, Fernando Gabeira, Hermano Vianna e outras figuras tarimbadas que depois decepcionaram com posturas neocon explícitas ou sutis.

No caso do "Farofafá", que agora "compete" com a coluna de Lobão, essa postura neocon não se explicita muito. A retórica tenta ser diferente da "urubologia" reinante, embora o estilo jocoso de Eduardo Nunomura não o faça diferente dos surtos reaças dos cassetas, por exemplo.

Sanches, por sua vez, deixou claro sua explícita, mas nunca assumida, identificação com as ideias de "fim da História" de Francis Fukuyama. E, a exemplo de Lobão (que havia sido entrevistado pelo colonista-farofafeiro, certa vez), defende o "funk" e sente uma certa ojeriza por Chico Buarque.

Nem se pode dizer que "Farofafá" e Lobão vão se rivalizar no jornalismo cultural. Digamos até que serão cúmplices, cada um à sua maneira. Ambos se aproveitando da crise da MPB para desqualificá-la de forma generalizada, numa campanha que acaba atingindo quem não devia ser atacado e poupando também quem não devia ser poupado.

Portanto, não são visões antagônicas. Fora o puxa-saquismo dos petistas para obter uns trocados do Ministério da Cultura, os "farofafeiros" nada fazem senão seguir as lições aprendidas anos antes com as elites intelectuais do PSDB e da Folha de São Paulo, salvaguardando os interesses da ditadura midiática sem ter um vínculo aparente com ela.

Com isso, é uma mesma moeda em dois lados, o do "cordeiro do sistema" em pele de grande lobo e o dos "cordeiros da breguice cultural" em pele de "lobos vorazes" supostamente "anticapitalistas" (no sentido de George Soros ser "anticapitalista").

Lobão e os "farofafeiros" jogarão pelo mesmo time, embora os segundos usando uniforme e campo de adversários. Mas os gols contra dos blogueiros do Farofafá, em relação à cultura brasileira (no sentido de juntar os alhos da MPB "maldita" com os bugalhos da breguice escancarada), só favorecem os barões da grande mídia que os "farofafeiros" dizem se opor.

Com isso, a cultura brasileira, em crise, se encontra na pasmaceira de sempre. Já os empresários-DJs do "funk", tão ricos que, dizem, uns até viraram latifundiários, estão felizes porque tanto Lobão quanto Nunomura e Sanches estão no seu lado, e do lado oposto daqueles que desejam culturas melhores para as classes populares reféns da ignorância e da pobreza.

Mas cabe aqui, sobre o Farofafá e a coluna de Lobão, recorrer a uma frase de Renato Russo, incluída na canção da Legião Urbana, "Baader-Meinhof Blues": "Qual é a diferença?".

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