quarta-feira, 2 de outubro de 2013

"FUNK OSTENTAÇÃO" E O ABRAÇÃO DA REDE GLOBO

MC GUIMÉ E MC DEDÉ MANDANDO UM ABRAÇÃO NOS "LELEKES" DO "DOUTOR" ROBERTO MARINHO, QUE HOJE CONTROLAM A REDE GLOBO.

Por Alexandre Figueiredo

Enquanto passou 2013 chorando a suposta discriminação da grande mídia, o "funk ostentação", espécie de plano B arrumado pelo "funk carioca" para ganhar tempo enquanto o ritmo feito no Rio de Janeiro é rejeitado amplamente por cariocas e fluminenses, já havia aparecido na maior corporação da grande mídia, as Organizações Globo, através da Rede Globo de Televisão.

A foto acima corresponde à aparição de dois queridinhos do "funk ostentação", o MC Guimé - queridinho da intelectualidade "soros-positiva" e bastante cortejado pelos blogueiros do Farofafá, os fukuyamianos Pedro Alexandre Sanches e Eduardo Nunomura - e MC Dedé, no programa Esquenta!, da rede televisiva dos irmãos Marinho.

O"funk", da forma que é conhecido o chamado "pancadão", desde seu surgimento, em 1990, sempre teve o apoio dos barões da grande mídia. Na verdade, esse "funk" foi uma espécie de ruptura radical com tudo que está relacionado com o verdadeiro funk, principalmente a preocupação com o arranjo instrumental, inexistente no chamado "pancadão" ou "batidão".

Investindo também num processo de imbecilização sócio-cultural - até mesmo o chamado "funk de raiz", hoje tido como "canção de protesto", era totalmente risível, já em 1990 - , o "pancadão" construiu sua ascensão com o apoio de rádios locais no Grande Rio vinculadas a oligarquias empresariais regionais.

A rede de apoio incluiu desde os irmãos Marinho, donos da rádio 98 FM (atual Beat 98 FM), que ajudou na popularização do "funk", até oligarquias empresariais da Baixada Fluminense (várias delas ligadas ao coronelismo fluminense), políticos direitistas (que em 1990 apoiavam o presidente Fernando Collor) do Grande Rio e até os chefões da contravenção (leia-se jogo do bicho).

Diante das denúncias de apoio desse esquema todo aos funqueiros, sobretudo aos empresários-DJs que se enriquecem cada vez mais posando de "pobretões", entre outras irregularidades (como as falsas solteiras funqueiras, como Valesca Popozuda, nos moldes do que foi feito com Scheila Carvalho do É O Tchan anos atrás), , o "funk" teve que mudar a estratégia.

Mas o "funk ostentação", que choraminga um boicote midiático que nunca existiu, apareceu no Esquenta! já no dia 30 de dezembro de 2012, quando o ritmo era novidade. Logo na primeira hora os barões da mídia passaram a apoiar o "funk ostentação", inclusive a Folha de São Paulo e até mesmo a ranzinza revista Veja, que se derreteu toda aos funqueiros-de-ostentação.

O programa televisivo apresentado por Regina Casé, produzido por Hermano Vianna - antropólogo ligado ao grupo de Fernando Henrique Cardoso - , é o maior reduto do "funk" nas Organizações Globo. Não é uma anti-mídia dentro da grande mídia, porque isso seria impossível, e além disso é apoiado até mesmo pelo referido ex-presidente e "imortal" da ABL e do PSDB.

Não fosse o fim do Casseta & Planeta, o "funk ostentação" já teria aparecido lá. Mas até o tecnobrega teria tido cadeira cativa, com Gaby Amarantos enfrentando Acarajette Lovve (Beto Silva) e abraçando Marcelo Madureira. MC Guimé estaria ao lado de Hubert e Hélio de La Peña nas peles de MC Ferrow e MC Deu Mal e também daria seu alô ao "humorista" do Millenium.

Mas as lágrimas derramam nas palestras e textos sobre "funk". O "funk" já aparece solto nos cenários da grande mídia, e inventa que é "discriminado" pela mesma. Quando não dá para negar o apoio, inventa, contraditoriamente, que foi a mídia que se apropriou do "funk" ou foram os funqueiros que invadiram a grande mídia. Conversas confusas para boi dormir.

O que está claro é que o "pancadão" nem de longe agride os interesses dos barões da grande mídia, e se torna uma extensão e, quem sabe, uma das últimas heranças da ditadura midiática. Os aspectos sociológicos reais - não reconhecidos pela "panela" sociológica e antropológica que temos hoje - dizem muito isso, mais do monografias e documentários.

O "funk" precisa da grande mídia. Precisa de seus barões, de seus "urubólogos" (tipo Marcelo Madureira, Marcelo Tas e Nelson Motta). Preso no seu mundinho de glamourização da pobreza, da ignorância e da imoralidade, o "funk" quer o título de "cultura" indo contra seu processo natural, desprezando e tentando resistir às transformações que ocorrem na nossa sociedade.

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