segunda-feira, 14 de outubro de 2013

FAROFAFÁ: POVO APOIAVA A DITADURA MILITAR


Por Alexandre Figueiredo

Conforme alertamos tempos atrás, Pedro Alexandre Sanches, um dos responsáveis pelo blogue Farofafá, havia consentido com uma "análise" do jovem biógrafo Gustavo Alonso Ferreira, que, a partir de um projeto acadêmico ajudado pelo "semi-deus" da intelectualidade dominante, Paulo César Araújo, lançou o livro Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga, sobre Wilson Simonal, lançado pela editora Record (a mesma de Reinaldo Azevedo e Merval Pereira).

Segundo a tese de Gustavo Alonso, a ditadura militar era "muito popular" nos anos 70 e o general Emílio Garrastazu Médici, que governou sob o receituário do AI-5, era "muito carismático". Alonso acrescentou também que o povo, nas vésperas da redemocratização, havia pedido "mais censura" do governo militar.

Como assim? Então a ditadura militar era um movimento "realmente democrático"? O povo queria "censura" e "repressão"? E tudo isso apoiado por um blogueiro que fala em "liberdade irrestrita"para a sociedade brasileira?

Quanto a Gustavo Alonso, ele é uma espécie de Leandro Narloch da historiografia cultural. Se autoproclama de "esquerda"- nada que um Fernando Henrique Cardoso ou José Serra não possam fazer quando palestram na França - , mas adota uma visão de historiografia cultural que nem a hoje reacionária Veja abordaria na ditadura, até porque ela era comandada por gente progressista.

Certa vez, ele fez gozações da denúncia de Sérgio Cabral (o prestigiado pai, historiador, não o filho irresponsável que desgoverna o Rio de Janeiro), endossada por Beth Carvalho, de que o "funk" seria um projeto da CIA para acabar com a cultura brasileira a partir do samba. Mas até mesmo Ricardo Setti, o reacionário colunista de Veja, parece duvidar da tese do Sérgio Cabral pai.

Alonso, por ironia, disse que gostaria que a CIA controlasse a cultura brasileira. Não se sabe se por ironia ou não, mas para ele o "funk" passou a perna do samba "porque sim". Há a corrente da intelectualidade dominante que quer omitir até mesmo a participação das Organizações Globo e da Folha de São Paulo no crescimento do "funk carioca".

Quanto à "popularidade" da ditadura militar, Pedro Alexandre Sanches, ao consentir com a visão de Alonso, consentiu também com a mesma visão pregada pelas Marchas Deus e Liberdade que ocorreram em 1964, com o apoio da mesma CIA e do capital estrangeiro que se escoava sobretudo em entidades como o IPES/IBAD.

Naquela época, pregou-se a visão de que a ditadura militar era uma "vontade popular". Pregava-se a censura e a repressão para eliminar o "perigo comunista". Isso levou ao poder uma geração de políticos reacionários que prometiam o progresso nacional, mas causaram um violento colapso na sociedade brasileira, cujos efeitos se refletem até hoje.

Portanto, como definir como "de esquerda" uma intelectualidade que pensa assim? Se a ditadura militar tornou-se "popular", é porque houve uma campanha de persuasão de várias elites integradas à direita brasileira. Que já antes do golpe de 1964 se expresso da Rede da Democracia (que envolveu vários veículos da grande mídia) às pregações "científicas" do IPES.

Mas, para uma intelectualidade que acha que a breguice cultural foi um processo "espontâneo", recusando-se a admitir a participação do baronato midiático do processo, faz sentido, também, acreditar que a ditadura militar era "defendida" pelo povo. A tinta guache vermelha do esquerdismo de fachada se dissolve fácil.

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