sexta-feira, 18 de outubro de 2013

CHICO BUARQUE E PAULO CÉSAR ARAÚJO HAVIAM SE "ENFRENTADO" EM 1992


Por Alexandre Figueiredo

A revelação de um vídeo em que Paulo César Araújo aparece entrevistando Chico Buarque, desmentindo o que o cantor havia dito, sobre não se lembrar de ter sido entrevistado pelo historiador dos bregas, pode parecer que a intelligentzia brasileira tenha "ganho" a guerra contra a MPB que pretendem derrubar.

Pode ter sido uma batalha ganha. Afinal, Chico admitiu o erro e anda apresentando falhas diversas em sua carreira. Mas isso não faz com que a intelectualidade cultural dominante de nosso país saia triunfante e comemore a vitória dos bregas contra a cultura de qualidade.

Não. Aliás, nessa estranha ciranda de pessoas a favor e contra as biografias não-autorizadas, vemos que José Dirceu, sempre do lado dos "fora-do-eixo" e outros "libertinos" da tecnologia, está do lado dos burocratas do Procure Saber, é de surpreender que a "rainha do ECAD", Ana de Hollanda, irmã de Chico Buarque, está na mesma causa de Pedro Alexandre Sanches.

Sim, Ana de Hollanda explicou que é contra a adoção de autorização prévia dos biografados ou de seus herdeiros para a produção de obras sobre suas vidas. A ex-ministra da Cultura - hostilizada por Sanches no ano passado - justificou a postura, contrária à do irmão, por levar em conta o fato de ser "filha de historiador".

Enquanto isso, reina o silêncio da intelectualidade em relação à possibilidade dos bregas serem vistos como "mais libertários" na produção de biografias, embora eles mais se empenhem em trabalhar uma imagem "limpa" e "idealizada" de suas vidas, uma vez que o brega é, queiram ou não queiram, uma "cultura" comercial.

De Waldick Soriano a Valesca Popozuda, o brega distorce muito sua imagem, e, nestes casos, se o finado ídolo brega, através de um lobby de intelectuais e famosos, escondeu a imagem de cantor ultraconservador que havia sido em vida, a funqueira apostou num sucesso na Europa que nunca existiu e foi "construído" pelo próprio enredo do documentário, num momento de pura ficção.

Em contrapartida, nunca a MPB autêntica foi tão tocada nas ruas e nos estabelecimentos comerciais de todo o país. Ironicamente, a postura de "censores" dos membros do Procure Saber lhes deu visibilidade. Isso significa que, mesmo com a imagem abalada pela imprensa e pela intelectualidade, a elite da MPB acabou atraindo a curiosidade do grande público.

Com isso, mesmo com todos os seus erros pessoais, os membros do Procure Saber acabam chamando mais atenção do que os domesticados e subservientes ídolos brega-popularescos que tocam todos os dias nas rádios "populares". E, em que pese tais posturas, os artistas do PS são geralmente de reconhecida qualidade artística.

Talvez quem tenha levado menos vantagem é justamente o mais radical do PS, Roberto Carlos. Ele mesmo, que abriu as portas para os bregas e permitiu a formação de uma indústria de "MPB de mentirinha", com Sullivan & Massadas nos anos 80 e os neo-bregas dos anos 90, anda cansando nos ouvidos do público informado das posturas conservadoras do "Rei".

Portanto, a intelectualidade ganhou uma batalha, mas não ganhou a guerra. Ela esperava que a MPB teria seu fim decretado, e que daria lugar, em seu reinado, a uma leva de breguinhas "coitadinhos". Não foi desta vez. Pelo contrário, a MPB andou crescendo muito nas execuções por todo o país.

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